Concepção artística do bombardeiro stealth proposto pela Northrop Grumman (Divulgação)

Concepção artística do bombardeiro stealth proposto pela Northrop Grumman (Divulgação)

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) finaliza os trâmites para decidir qual será o vencedor do programa LRS-B (Long Range Strike Bomber, ou Bombardeiro de Ataque de Longo Alcance). Trata-se de uma das maiores aquisições dos últimos tempos do governo norte-americano, envolvendo um total de até 100 aeronaves a um custo estimado que pode variar de US$ 40 bilhões a US$ 80 bilhões (de 160 bilhões a 320 bilhões de reais em cotação de outubro de 2015).

Apelidado de ‘B-3’, o bombardeiro reúne características curiosas: será stealth (invísivel aos radares) e terá configuração de asa voadora (ambos como o B-2, hoje o principal avião do gênero nos EUA). Mas, ao contrário deste, o novo aparelho será ‘mais barato’ se é que se pode chamar assim um bombardeiro com preço na casa dos US$ 550 milhões.


O objetivo é produzir uma plataforma de armas avançada, capaz de carregar todo o arsenal americano (incluindo armas nucleares e convencionais), mas com maior disponibilidade e custo de operação bem inferior ao B-2 Spirit. Na prática, uma segunda geração de avião invisível, porém, com tecnologias mais avançadas que ofereçam uma gama maior de utilização. Para isso, ele possuirá a chamada ‘arquitetura aberta’ que permite a adequação de novos sistemas que serão facilmente integrados ao novo bombardeiro.

Um dos requisitos mais curiosos do projeto é oferecer a possibilidade de voo remoto, ou seja, uma espécie de ‘drone gigante’. Apesar disso, o bombardeiro terá um cockpit convencional para voos tripulados.

A requisição da USAF ainda pede um bombardeiro de alcance global e capacidade de carga tão grande quanto o B-2, mas com peso de decolagem um pouco menor.

Sucessor do famoso B-52


Com o programa LRS-B, a USAF pretende, enfim, conseguir aposentar o ‘eterno’ B-52, bombardeiro surgido na década de 1950 e que até hoje segue na ativa, mesmo após a chegada de vários outros aviões mais modernos como o B-58, B-1B e B-2. Estima-se que a força aérea encomende entre 80 a 100 unidades do jato, uma frota capaz de dar descanso tanto ao B-52 quanto ao B-1. Isso desde que os custos consigam ser controlados, afinal o B-2 também tinha uma meta de produção até maior, de 130 unidades, mas apenas 21 foram entregues a um custo unitário de absurdos US$ 2 bilhões.

Bombardeiros B-2, B-1 e B-52; os dois últimos devem substituídos pelo novo projeto (USAF)

Bombardeiros B-2, B-1 e B-52; os dois últimos devem substituídos pelo novo projeto (USAF)

Estão na disputa pelo novo projeto a Northrop Grumman e as gigantes Boeing e Lockheed Martin, as duas unidas numa mesma proposta. Os dois grupos aeroespaciais já realizaram estudos em túnel de vento para viabilizar suas propostas. Ambas têm na bagagem uma longa experiência com aeronaves do gênero. A Northrop Grumman foi responsável pelo B-2, atualmente o único bombardeiro stealth em operação no mundo.

Já a Boeing, além de ter lançado o B-52 e B-47, também absorveu a Rockwell, fabricante do B-1B Lancer – a Lockheed, por sua vez, construiu na década de 50 o bombardeiro B-36 ‘Peacemaker’ e é uma das empresas que mais estudaram o conceito de invisibilidade aos radares.

O anúncio do vencedor é esperado para os próximos meses, mas a entrada em operação só ocorrerá em meados da próxima década. Até lá, é capaz até de o B-52 seguir em operação…

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