O EMB-120 Brasília foi produzido entre 1983 e 2001; ao todo foram fabricadas 354 unidades (Embraer)

O EMB-120 Brasília foi produzido entre 1983 e 2001; ao todo foram fabricadas 354 unidades (Embraer)

Prestes a repassar sua divisão de aviões comerciais para a joint venture com a Boeing, a Embraer voltou a admitir que pode lançar um novo turbo-hélice no mercado. Em entrevista durante o fórum de companhias aéreas organizado pela ALTA (associação latino-americana do segmento), o vice-presidente de vendas para a América Latina e Caribe, Reinaldo Krugner, reconheceu que existe interesse no segmento.

Krugner revelou que a fabricante calcula que apenas a região deverá encomendar 290 turbo-hélices até 2038. “É natural que um fabricante analise as oportunidades de mercado. Os turbo-hélices ainda representam um vetor de estudos para nós”, disse aos repórteres no evento em Brasilia.


A Argentina, que passou por uma desregulamentação na aviação nos últimos anos, é vista como um dos mercados mais promissores por possuir demanda em rotas que precisam de aviões menores. O Brasil certamente é outro mercado importante para a empresa onde seu antigo rival, o ATR, tem uma presença bastante grande a despeito da falta de uma malha regional maior. Mas iniciativas de governo têm buscado reestruturar pequenos aeroportos a fim de ampliar as cidades atendidas. A meta é chegar a 200 aeroportos com voos regulares.

À espera de novas tecnologias

O interesse pelo segmento de turbo-hélices não é novidade na Embraer. A empresa tem admitido há algum tempo estar prospectando o mercado, mas em maio seu presidente John Slattery desmentiu que exista um projeto perto de ser lançado. Na visão do executivo, é preciso esperar pelo desenvolvimento de novas tecnologias como a propulsão híbrida antes de chegar a um design final.

O turbo-hélice franco-italiano é o líder do mercado de turbo-hélices (ATR)

Atualmente, o mercado mundial de turbo-hélices de passageiros é amplamente dominado pela ATR e que acaba de lançar uma versão de decolagem e pouso curto. A De Havilland Canada, recriada para produzir e comercializar o antigo Q400, de volta com a designação Dash 8, é outra empresa que deve disputar o segmento, assim como o turbo-hélice alemão D0 328.

Para a Embraer, voltar a competir nesse mercado é simbólico por ter sido iniciado pelo seu primeiro avião, o Bandeirante. Seu modelo mais capaz, no entanto, o EMB-120 Brasilia, teve uma carreira modesta, com apenas 354 unidades produzidas em 18 anos. Destes, cerca de 100 aviões continuam a voar em rotas regionais pelo mundo.

Com capacidade para apenas 30 passageiros, o Brasilia não acompanhou a evolução do mercado porque a Embraer preferiu lançar o ERJ-145, seu primeiro jato regional, com 50 lugares, e que marcou o início da melhor fase da fabricante brasileira na aviação comercial.

Ao lançar o ERJ-145, a Embraer optou por entrar no mercado de jatos regionais (Timothy-Powaleny/Wikimedia)

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