USAF/Ethan D. Wagner

O Embraer A-29 Super Tucano lança uma bomba guiada a laser (USAF)

A verba ainda não existe nem mesmo os requerimentos estão claros, mas a Embraer (por meio da parceira Sierra Nevada) já participa de uma disputa prévia nos Estados Unidos para uma possível encomenda de US$ 1,2 bilhão de aviões de ataque leve que o país estuda para os próximos anos e que serão destinados à guerra contra o terrorismo.

Para avaliar o projeto, anunciado no começo do ano e chamado de forma provisória de “Experimento OA-X” (de observação e ataque), a Força Aérea dos EUA (USAF) decidiu avaliar quatro aeronaves existentes a partir da base aérea de Holloman, no Novo México, uma das mais importantes do país. Entre elas estão o avião brasileiro Super Tucano, conhecido como A-29 e que voa na Força Aérea do Afeganistão emprestado pelos americanos.



O objetivo dos militares americanos é saber se é possível adaptar um avião existente de forma barata e eficiente para usá-lo em missões contra extremistas. Para isso, estão sendo testadas durante este mês de agosto vários tipos de missões e uso de armamentos diversos como bombas a laser ou de queda livre e lançadores de foguetes, entre outros. Além do avião da Embraer, são avaliados seu rival histórico, o Beechcraft AT-6 Wolverine (originalmente, o suíço Pilatus PC-9), o pouco conhecido jato de treinamento Textron AirLand Scorpion e até mesmo um avião agrícola adaptado, o L-3 AT-802L Longsword, baseado no AirTractor, rival do Ipanema brasileiro.

A USAF argumenta que se trata apenas de uma demonstração das possibilidades que esses aviões trariam no campo de batalha a fim de viabilizar uma concorrência: “Este experimento visa descobrir novas maneiras de melhorar a prontidão e a letalidade”, disse o chefe de gabinete, o general David Goldfein, em um comunicado nesta semana. Apesar disso, já se fala em cerca de 300 aeronaves necessárias para suprir a necessidade americana (veja abaixo a galeria com os outros aviões participantes).

Aposentadoria postergada

Nessa avaliação, o A-29 Super Tucano e o AT-6 saem na frente, afinal são conhecidos da força aérea: além do Embraer estar sendo usado no Oriente Médio, o turbo-hélice da Beechcraft é usado como avião de treinamento nas forças militares americanas.

A busca por uma aeronave existente e que possa ser adaptada rapidamente e de forma barata é um contraste aos normalmente caríssimos e demorados programas de desenvolvimento de aviões avançados usados pelas forças militares do país. O projeto que deu origem ao caça Lockheed Martin F-35 Lightning II, por exemplo, é estimado em pelo menos US$ 1,5 trilhão ao longo de sua carreira.

Por outro lado, a função de “tanque de guerra voador” hoje segue nas mãos de veteranos como o A-10 Thunderbolt, introduzido em 1977, e mesmo de aviões menores ou não-tripulados. Não é à toa que o Departamento de Defesa dos EUA pretende conseguir autorização para que a concorrência entre no orçamento fiscal de 2018.

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