José Carlos Neiva foi um dos pioneiros da indústria aeronáutica brasileira (Embraer)

José Carlos Neiva foi um dos pioneiros da indústria aeronáutica brasileira (Embraer)

A Embraer inaugurou na última sexta-feira (7) na sua unidade em Botucatu (SP) um busto de José Carlos Neiva, um dos pioneiros do setor aeronáutico brasileiro, fundador da Indústria Aeronáutica Neiva em 1954. A homenagem contou com a presença de empregados e familiares de Neiva, que também será nome de um auditório na planta.

“É muito importante o trabalho desenvolvido na Embraer de Botucatu, pois dá continuidade ao trabalho que meu pai iniciou, mas que ele não fez sozinho. Ele fez montando uma equipe que conseguiu essa industria nos anos 50 e 60 e que até hoje tem uma marca de equipe forte, unida e afinada. Isto é importante de ser mantido e, como vi hoje, teve continuidade. Isso me deixa muito feliz”, relatou Antonio Carlos de Barros Neiva, filho de José Carlos Neiva.



“É uma imensa alegria poder homenagear José Carlos Neiva, não somente pela grande contribuição para indústria aeronáutica nacional, mas por dar início ao projeto que hoje é a unidade Embraer de Botucatu. É também por ser tão importante para nosso município, colocando-o como um polo importante para a indústria nacional”, destacou Alexandre Solis, diretor da unidade da Embraer em Botucatu.

História

Fundada em 1954 por José Carlos Neiva, a Indústria Aeronáutica Neiva passou a ser subsidiária integral da Embraer a partir de 1980. Localizada em Botucatu, interior de São Paulo, a unidade atualmente tem mais de 90 mil metros quadrados de área construída e uma equipe aproximadamente 1.800 empregados.

José Carlos Neiva teve uma participação crucial na indústria brasileira; o projetista morreu em 2013 (Embraer)

José Carlos Neiva teve uma participação crucial na indústria brasileira; o projetista morreu em 2013 (Embraer)

A trajetória da Neiva começou no Rio de Janeiro com a produção de planadores e logo em seguida a empresa se mudou para o interior de São Paulo. Na nova base, a empresa fabricou o célebre avião de treinamento Paulistinha, ao adquirir seus direitos de produção da antiga Companhia Aeronáutica Paulista.

O passo seguinte da Neiva, no final da década de 1960, foi o desenvolvimento e produção do avião de treinamento militar T-25 Universal, usado até hoje na formação básica de pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB). O primeiro T-25 foi entregue em 1971 e a produção passou de 150 unidades.

Em 1975, a Neiva iniciou sua parceria com a Embraer, na época ainda uma empresa de controle estatal. O primeiro trabalho em conjunto entre as empresas foi a produção sob licença no Brasil dos aviões da linha Piper Aircraft. Os aviões, ao todo oito modelos diferentes, foram produzidos em Botucatu até o ano 2000.

Nos anos 1980, a Embraer adquiriu o controle integral da Neiva e na década seguinte transferiu para Botucatu as linhas de montagem do avião-agrícola Ipanema e do turbo-hélice de passageiros EMB-120 Brasília.

A unidade da Embraer em Botucatu abriga atualmente a linha de montagem do Ipanema e também uma fábrica de estruturas de aviões executivos e comerciais da empresa, hoje a principal atividade da instalação inaugurada por José Carlos Neiva na década de 1950.

O Ipanema é produzido na fábrica da Embraer em Botucatu (SP); cada avião custa R$ 1,5 milhão (Thiago Vinholes)

O Ipanema é produzido na fábrica da Embraer em Botucatu, a antiga casa da Neiva (Thiago Vinholes)

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