O Ipanema foi projetado para voar a baixa altitude (Embraer)

O Ipanema é projetado para voar a baixa altitude para pulverizar plantações (Embraer)

A Embraer anunciou nesta quarta-feira (28) a entrega do 1.400° avião Ipanema, hoje líder no segmento de aviação agrícola, com 60% de participação no mercado. A aeronave é o produto mais longevo ainda produzido pela fabricante brasileira, que lançou a primeira geração do monomotor, o EMB-200, em 1973 – a versão mais recente é o EMB-203.

O Ipanema é usado principalmente na pulverização de fertilizantes e defensivos agrícolas, servindo como uma técnica alternativa aos tratores que cumprem a mesma função, mas evitando perdas por amassamento na plantação. As principais culturas que têm demanda do avião da Embraer são: soja, milho, algodão, cada-de-açúcar, banana, citrus, eucalipto e café. A aeronave também pode ser utilizada para espalhar sementes, combater incêndios e povoamento de rios (lançando alevinos).



“A presença do Ipanema no mercado, e o resultado de 1.400 aeronaves entregues desde sua concepção, faz da Embraer uma grande aliada da produção agrícola do País”, disse Alexandre Solis, diretor da unidade da Embraer de Botucatu, onde o avião é fabricado. Na visão de Solis, um produto como o Ipanema é essencial para acompanhar o crescimento da população mundial, que exige maior eficiência e competitividade na agricultura.

Apesar do aspecto aparentemente simples, o Ipanema conta com equipamentos de alta tecnologia, como navegação GPS e altímetro laser. Esses recursos aumentam a precisão de aplicação de agentes agrícolas sobre as plantações, um trabalho delicado realizado em voos rasantes.

O Ipanema também foi o primeiro avião da história produzido em série com motor movido a etanol. O modelo que estreou essa configuração foi o EMB-202, certificado em 2004. Atualmente, cerca de 30% dos aviões agrícolas da Embraer tem motores movidos pelo combustível vegetal, que pode ser até quatro vezes mais barato que a gasolina de aviação (avgas).

O Ipanema também pode ser utilizado no combate a incêndios (Thiago Vinholes)

O Ipanema pode levar mais de 1.000 litros de agentes agrícolas no “hooper” (Thiago Vinholes)

“As melhorias incorporadas no Ipanema ao longo dos anos para atender às necessidades dos clientes explicam o sucesso da aeronave”, diz Solis. “Hoje é um dia importante, um dia de grande orgulho para a Embraer e para todos os envolvidos no sucesso deste avião. Poucas aeronaves no mundo atingiram a marca de 1.400 unidades produzidas. Este é um resultado fora da curva e nos motiva a crescer ainda mais”, finalizou.

Clássico da aviação brasileira

O desenvolvimento do Ipanema foi uma resposta a um pedido do Ministério da Agricultura brasileiro no final dos anos 1960, com o objetivo de modernizar o setor e disponibilizar novas técnicas de plantação, além de gerar recursos para a recém-criada Embraer, na época uma estatal. Outra preocupação era o combate de pragas que, naquela época, destruíram plantações de café.

O Ipanema voou pela primeira vez em 1970 (Centro Histórico Embraer)

O projeto do Ipanema começou antes mesma da fundação da Embraer (Centro Histórico Embraer)

A aeronave foi projetada por engenheiros do antigo Centro Técnico Aeroespacial (atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial – DCTA) da Força Aérea Brasileira (FAB), em São José dos Campos (SP). O projeto foi iniciado em 1968, antes mesmo da fundação da Embraer (criada oficialmente em 1969), e o primeiro protótipo voou em 31 de julho de 1970 e a produção da aeronave começou em 1972.

O nome do avião agrícola a uma referência a “Fazenda Ipanema”, de Sorocaba (SP), onde em 1967 foi formada a primeira turma de pilotos agrícolas do Brasil.

Veja mais: 10 drones de passageiros que mudarão o transporte urbano