O F-35 disparou dois mísseis diferentes contra aeronaves não tripuladas em testes nos EUA (Divulgação)

Na imagem, o caça F-35 dispara um míssil AIM-120, de médio alcance (Divulgação)

Após quase 15 anos de pesquisas, mais de US$ 400 bilhões em investimentos e muitos atrasos, o novo caça Lockheed Martin F-35A “Lighting II” marcou sua primeira “vitória” aérea, anunciou nessa segunda-feira (1) a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). A aeronave abateu um drone em teste realizado na Califórnia, nos EUA, na última quinta-feira (28/7).

O caça recentemente incorporado à frota da USAF abateu o avião-alvo utilizando um míssil de curto alcance guiado por calor, o Raytheon AIM-9X, conhecido como “Sidewinder”. O F-35A foi comandado pelo major Raven LeClair, que antes de disparar o míssil “travou” o drone no sistema de mira montado no visor de seu capacete (HMD – Head-Mounted Display).


Como explicou a USAF, o míssil completou a trajetória com sucesso antes de destruir o alvo, alcançando o que a USAF chama de “Boola Boola”, chamada de rádio transmitida quando o piloto abate um drone durante testes.

O major LeClair também testou outra importante arma do F-35, o míssil de médio alcance AIM-120C AMRAAM. Diferentemente do Sidewinder, orientado por infravermelho, o AMRAAM busca seu alvo por meio de um radar, instalado no nariz, à frente da ogiva.

O segundo míssil foi empregado contra outro drone, mais distante, imediatamente após o lançamento do AIM-9X, e também atingiu o alvo com sucesso.

O lançamento dos primeiros mísseis é mais uma prova que o F-35 enfrenta durante seu desenvolvimento, que apesar dos avanços recentes, ainda não foi totalmente finalizado. Em uma próxima etapa de testes, o novo caça da Lockheed vai testar o lançamento de bombas e outros equipamentos. A previsão da USAF é que o F-35A alcance a capacidade total de combate no início de 2018.

As armas do F-35 ficam escondidas em porões para manter o avião "invisível" aos radares (Divulgação)

As armas do F-35 ficam escondidas em porões para manter o avião “invisível” aos radares (Divulgação)

F-35A, B e C

O desenvolvimento do F-35 vem sendo caro e demorado por conta da versatilidade do projeto, criado para atender 12 países, cada um com uma necessidade. O F-35A, como o modelo que realizou o primeiro abate de um drone, é a versão mais “simples” do caça, que pousa e decola como qualquer outra aeronave.

As versões F-35B e F-35C foram projetadas para atender principalmente forças navais, com capacidade para operar embarcadas. O modelo B, o mais complexo dos F-35 e o primeiro a estrear, é uma aeronave do tipo VSTOL, capaz de realizar pousos e decolagens na vertical, como um helicóptero. Essa característica permite a operação em porta-aviões menores e sem catapulta de lançamento.

Sucessor do Harrier: O F-35B pode realizar pousos e decolagens verticais (Divulgação)

Sucessor do Harrier: O F-35B pode realizar pousos e decolagens verticais (Divulgação)

Já o F-35C é um caça naval com formato tradicional, para operar em porta-aviões equipados com catapultas de lançamento e cabos de ancoragem para os pousos.

Os requisitos de performance do F-35 também foram fáceis de atender (e pagar). O modelo é um caça “invisível” (stealth), projetado para enganar radares, e pode alcançar velocidades próximas de mach 2 (duas vezes a velocidades do som). A aeronave ainda conta com seis pontos de fixação para armas, como bombas e mísseis, embutidos da fuselagem, e um canhão de 25 mm.

Nos EUA, o F-35 deve substituir gradualmente os F-16 Falcon da USAF, enquanto os modelos do US Navy (marinha) e Marines (fuzileiros navais), no mesmo passo, entrarão no lugar dos F/A-18 Super Hornet e AV-8B Harrier, respectivamente. Também participam do projeto países como Reino Unido, Canadá, Japão, Israel, Noruega e Turquia.

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