A Air Europa pode se tornar a primeira empresa estrangeira a voar em rotas domésticas no Brasil (AE)

A informação havia sido adiantada há duas semanas pelo Ministério do Turismo: o grupo espanhol Globalia, que atua no setor de turismo e é dono da companhia aérea Air Europa, pretendia abrir uma filial no Brasil. Nesta semana, segundo o jornal Folha de São Paulo, a companhia deu entrada na Junta Comercial de São Paulo com um pedido de abertura de uma empresa, primeiro passo para fincar seus pés no país.

É a primeira incursão oficial de um grupo estrangeiro interessado na futura abertura do mercado de aviação comercial no Brasil prevista numa medida provisória do governo que será votada pelo Congresso na próxima terça-feira, dia 22. Se confirmada, a medida permitirá que empresas do exterior possam controlar 100% de companhias aéreas no país, uma quebra de paradigma num setor que sempre foi protegido pelas gestões anteriores – embora hoje as principais companhias do setor tenham capital estrangeiro.


A Air Europa é a terceira maior companhia aérea da Espanha, atrás da Iberia e da Vueling. Sua atuação é mais focada no turismo e voa para o Brasil em rotas para São Paulo, Salvador e Recife. A capital paulista possui um voo diário operado com o Boeing 787-8 enquanto Salvador e Recife contam com três voos semanais com o Airbus A330.

No comunicado em que revelou o interesse da Globalia em ampliar os investimentos no Brasil, o Ministério do Turismo afirmou que a empresa pretende dobrar o número de voos para o país até 2020. “Temos acompanhado com muito interesse os movimentos do novo governo brasileiro. O país tem um enorme potencial turístico, muitas ações por fazer”, comentou na época Javier Hidalgo, presidente do grupo Globalia.

Lacuna aberta pela Avianca

A chegada da Globalia ao Brasil pode não significar apenas a intenção de atuar no transporte aéreo, o que exige um pedido para a ANAC, a agência nacional de aviação civil além da mudança na lei. O grupo também tem interesse em abrir hotéis como na região Nordeste para vender um serviço completo para seus clientes.

Mas a tentação de entrar na concorrência pelo mercado interno brasileiro é grande com a derrocada da Avianca. A companhia aérea da grupo Synergy e que está em recuperação judicial, chegou a transportar 11,6 milhões de passageiros em 2018, ou mais de 13% de participação no setor. Hoje a empresa sofre para manter uma malha de voos pequena com poucos aviões disponíveis e tendo que pagar taxas e serviços à vista por falta de crédito na praça.

Dependendo da votação na próxima terça-feira, os planos da Globalia podem ficar mais claros em breve.

A Air Europa possui um frota de cerca de 50 aviões e é a 3ª maior da Espanha (Boeing)

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