A Boeing ainda não “congelou” o projeto do NMA, mas a Delta permanece interessada (Montagem)

A Boeing diz estar em busca do melhor compromisso entre desempenho e custos antes de decidir lançar seu novo jato comercial, conhecido pela sigla NMA (New Mid-Market Airplane, ou novo avião médio), mas se depender da Delta Air Lines ela já pode considerar o assunto consumado.

Em entrevista à Bloomberg, Ed Bastian, CEO da companhia aérea, afirmou ter esperança que a Boeing lance mesmo o novo jato, que deve receber a designação 797. “Eu espero que eles façam isso”, disse. Como justificativa, Bastian cita a necessidade de a Delta substituir seus antigos 757 e 767, dos quais possui 127 e 77 unidades, respectivamente. “São quase 200 aeronaves que precisaremos na próxima década”, acrescentou o executivo.


O interesse pelo hipotético novo Boeing surpreende pelo fato de a Delta Air Lines ter investido em vários modelos da rival Airbus nos últimos anos. Além de introduzir os widebodies A350 e A330neo nos EUA, a Delta é a primeira companhia aérea do país a voar com o A220, menor jato da Airbus e um projeto desenvolvido pela Bombardier.

Apesar disso, a companhia ainda reluta em aceitar as investidas da Airbus com o A321neo XLR, variante de longo alcance do bimotor e que estreou em Paris com grande número de interessados.

Bastian reconhece que qualquer decisão depende do que a Boeing pretende com seu novo avião, o que reforça a impressão de críticos de que o Airbus não é uma unanimidade.

O fato de existirem rumores de que a Boeing pensa em rever o projeto do NMA em favor de um jato de corredor único e capacidade entre o 737 MAX 8 e o 757 pode ser um indício de que o XLR terá um concorrente mais direto do que se imagina.

O Boeing 757 foi produzido entre 1981 e 2004, mas nunca fez sucesso (Delta)

A Delta diz que pode adquirir cerca de 200 jatos NMA para o lugar de seus 767 e 757 (foto)

Em segundo plano

Apesar das declarações otimistas do chefão da Delta, a Boeing está hoje em meio a dois focos de problemas que colocaram o NMA em segundo plano. O primeiro, é claro, trata-se do aterramento do 737 MAX desde março por conta de problemas em seus sistemas eletrônicos e que, suspeita-se, causaram a queda de dois aviões. O processo de correção das falhas tem sido longo e complexo e a fabricante ainda lida com desentendimentos entre as principais agências de aviação que enxergam o problema de maneira diferente. Com isso, as previsões de retorno ao serviço são revistas quase que semanalmente.

A outra dor de cabeça para a Boeing é o 777X, maior jato bimotor do mundo. Aprimorado com as lições aprendidas no irmão menor, 787, o novo avião deveria ter voado pela primeira vez em junho, mas problemas com os motores GE9X postergaram a programação de voos de teste para 2020. A empresa ainda tenta convencer o público de que o 777-9, sua maior versão, entrará em serviço por Lufthansa e Emirates entre o final de 2020 e começo de 2021, mas parece pouco provável que o modelo receba sua certificação em tão pouco tempo.

Enquanto isso, o NMA continua nas pranchetas, ou melhor dizendo, nos computadores da Boeing à espera de um horizonte mais tranquilo.

O A321XLR: Airbus tenta convencer Delta a comprá-lo, mas companhia prefere esperar pelo “797” (Airbus)

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