Hoje raros nos aeroportos, os trijatos foram muito populares até a década de 1990

A principal característica dos trijatos era o motor posicionado na parte superior da fuselagem

Eles já foram muito populares nos céus do Brasil, especialmente entre os anos 70 e 90. Mas, hoje em dia são bem raros de se ver, mesmo aqueles usados na aviação executiva. O trijato, como é popularmente conhecido, é um tipo de avião que possui três motores a jato.

Esse modelo de aeronave voou intensamente dos anos 60 até meados dos anos 2000, sendo que hoje em dia, apenas os franceses Dassault 7/8X e 900LX são produzidos regularmente nessa configuração.



Ele surgiu como o primeiro movimento da tendência “downsizing” na aviação. No início da era do jato, existiam apenas aviões grandes, os quadrirreatores ou quadrimotores, desenvolvidos para rotas mais longas. Nas linhas domésticas, os aviões eram pequenos.

Assim, não existiam jatos que cumprissem exatamente uma tarefa intermediária entre os aviões menores, como o Sud Aviation Caravelle, e os maiores, como o Boeing 707.

O objetivo era levar mais passageiros por voo em rotas curtas, algo quase impossível para as aeronaves intercontinentais com maior número de assentos. Mesmo na aviação executiva, o primeiro jato era o muito grande e equipado com quatro motores, no caso o Lockheed JetStar.

Também conhecido como trirreator, o avião de três motores a jato chama atenção pelo terceiro ser posicionado junto à empenagem vertical (conhecida também como deriva). Os estabilizadores traseiros geralmente formam um “T” com esta última. Essa configuração permite que o avião possa voar com dois dos três motores em caso de necessidade.

Neste artigo, você conhecerá os 10 maiores trijatos feitos até hoje, alguns dos quais transportaram milhões de brasileiros em diversas rotas, tanto domésticas quanto internacionais. Destes, o Boeing 727 e os McDonnell Douglas DC-10 e MD-11 voaram em algumas companhias aéreas nacionais, entre elas Varig, Cruzeiro, VASP e TAM. Confira abaixo:

McDonnell Douglas MD-11

A Varig foi um dos operadores do MD-11 no Brasil; TAM também voou com o trimotor (Montague Smith/Creative Commons)

A Varig foi um dos operadores do MD-11 no Brasil; TAM e Vasp também voaram com o trimotor (Montague Smith/Creative Commons)

Entre os trijatos, o maior já feito, sem dúvida, foi o McDonnell Douglas MD-11. Tendo o primeiro voo em 10 de janeiro de 1990, esse avião foi desenvolvido para rotas internacionais de grande fluxo de passageiros e tinha capacidade máxima para 410 assentos em classe única, mas normalmente suas configurações giravam em torno de 300 lugares.

Com 61,62 metros de comprimento e 51,66 de envergadura das asas, o MD-11 utilizava motores da General Electric e Pratt & Whitney, tendo um peso máximo de decolagem de 286 toneladas. Serviu diversas companhias importantes e algumas brasileiras, já citadas acima.

Lockheed L-1011 Tristar

(Felix Goetting/Creative Commons)

O Tristar podia ser configurado para receber até 400 passageiros (Felix Goetting/Creative Commons)

Em 16 de novembro de 1970, voou pela primeira vez o maior trijato até então, o Lockheed L-1011 Tristar. Pouco conhecido no Brasil, embora tenha sido operado por companhias como a angolana TAAG, que fez voos para cá com ele, o modelo era ainda maior que o famoso DC-10.

Medindo 54,17 metros de comprimento e 47,35 de envergadura, o L-1011 era bem grande e podia levar 400 passageiros em classe única ou 256 com três. Utilizando somente motores da Rolls-Royce, esse avião chamava atenção por ter o duto de escape do terceiro motor na extremidade da fuselagem.

McDonnell Douglas DC-10

O DC-10 ainda é muito utilizado como avião de carga (Dylan Ashe/Creative Commons)

O DC-10 ainda é muito utilizado como avião de carga (Dylan Ashe/Creative Commons)

O terceiro maior trijato é o bem conhecido DC-10 da McDonnell Douglas. Por aqui, voando pela Varig, ele foi importante em rotas destinadas à Europa e EUA. Também foi operado pela VASP. Esse imponente dos ares tinha 51,97 metros de comprimento e 50,40 de envergadura.

Levando no máximo 380 passageiros ou 255 em três classes, o DC-10 tinha uma grande vantagem sobre o L-1011 em termos de alcance, realizando voos em rotas com mais de 10 mil km contra pouco mais de 6 mil km do avião da Lockheed.

Tupolev Tu-154

A Air Koryo, da Coreia do Norte, é a única companhia que ainda voa com o Tu-154 (knaviation)

A Air Koryo, da Coreia do Norte, é a única companhia que ainda voa com o Tu-154 (knaviation)

Como resposta ao Boeing 727, os soviéticos fizeram voar no dia 4 de outubro de 1968, o Tupolev Tu-154. Com linhas elegantes e motores posicionados na traseira, esse avião foi o maior trijato feito na ex-URSS e logo entrou em serviço pela Aeroflot, bem como em forças militares do país e da China.

O Tu-154 transportava até 180 passageiros. Tinha 37,55 metros de envergadura com 48 de comprimento. Com autonomia operacional de 5.280 km, o avião russo foi operado por diversas empresas aéreas, especialmente as de países do bloco comunista. Sua produção foi encerrada em 2013.

Boeing 727

A Varig foi o principal operador do 727 no Brasil (RuthAS)

A Varig foi o principal operador do 727 no Brasil (RuthAS/Creative Commons)

Único trijato da Boeing, o igualmente famoso 727 voou pela primeira vez em 9 de fevereiro de 1963. Segundo maior avião comercial do fabricante americano à época, o modelo podia levar até 189 passageiros em classe única e chamava atenção por uma entrada abaixo da cauda.

O 727 também tinha duto do terceiro motor direto na fuselagem. Com até 46,68 metros e asas com envergadura de 32,92 metros, o trijato da Boeing servia bem em rotas domésticas de maior volume de passageiros, substituindo o 737 nesse caso. Tinha autonomia de 5 mil km. Aqui voou pela Varig, Cruzeiro, VASP e Transbrasil. Hoje é mais usado como cargueiro.

Hawker Siddeley Trident

Os últimos Trident foram desativados em 1995 (Piergiuliano Chesi)

Os últimos Trident foram desativados em 1995 (Piergiuliano Chesi/Creative Commons)

Primeiro trijato comercial do mundo, o Hawker Siddeley Trident saiu do solo em 9 de fevereiro de 1962 e entrou em serviço pouco mais de dois anos depois. Com a mesma configuração de motores do 727, esse avião britânico teve um mau começo por causa das fusões na indústria do Reino Unido.

Tendo até 39,98 metros de comprimento e 30 de envergadura na versão 3B, o Trident tinha até 189 assentos em única classe, mas seu alcance operacional era de pouco mais de 3,5 mil km, uma desvantagem em relação ao 727. Sempre usou motores Rolls-Royce e nunca voou por companhias brasileiras. Foi aposentado em 1995.

Yakovlev Yak-42

(Gennady Misko/Creative Commons)

O Yak-42 foi o primeiro avião russo com motores turbofan (Gennady Misko/Creative Commons)

Terceiro trijato soviético (o segundo foi o Yak-40), o Yakovlev Yak-42 era um modelo menor que o Tupolev Tu-154. Com capacidade para até 120 passageiros, ele chegou a ter primeira classe com 8 lugares. Fez o primeiro voo em 7 de março de 1975, mas só entrou em serviço em 1980.

Diferentemente do Tu-154, esse camarada teve apenas 9 acidentes em sua carreira, embora tenha vitimado 570 pessoas. O Tupolev teve 110 acidentes, mas sem número de vítimas conhecido. Tinha 36,38 metros e asas com 34,88 de uma ponta a outra. Feito até 2003 e ainda operacional, foi o primeiro avião com motores turbofan fabricado na antiga URSS.

Dassault Falcon 7/8X

(Dassault)

O modelo executivo Falcon 8X é o maior trijato produzido atualmente (Dassault)

Em produção, os trijatos Dassault Falcon 7/8X são os mais modernos de seu tipo feitos atualmente e são dedicados à aviação executiva. Com linhas modernas e os clássicos estabilizadores posicionados na base da deriva, essa dupla francesa decolou inicialmente em 5 de maio de 2005. O 8X voou em 2015.

No Falcon 8X, a fuselagem tem 24,46 metros de comprimento, mas com envergadura de asa maior: 26,29 metros. Ambos podem levar de 12 a 16 passageiros com alcance operacional entre 11 mil e 12 mil km. Bem luxuosos, os Falcon 7/8X possuem aviônica de última geração.

Dassault Falcon 900

(Dassault)

Com três motores, os jatos executivos da Dassault estão entre os mais velozes do mundo (Dassault)

Menor e mais antigo que os 7/8X, o igualmente francês Dassault Falcon 900 voou pela primeira vez em 21 de setembro de 1984 e, como seus irmãos mais novos, continua sendo um dos poucos trijatos em produção no mundo. Com linhas mais clássicas, esse avião executivo é famoso também por levar autoridades.

Usado em diversas forças aéreas como transporte executivo, o Falcon 900 chama atenção pelo cockpit com vigias múltiplas e estabilizadores traseiros baixos. Embora tenha 20,21 metros de comprimento e 19,33 de envergadura, transporta mais passageiros que os irmãos: 19 assentos.

Yakovlev Yak-40

(Björn Strey)

Parece um jato executivo, mas a principal função do Yak-40 foi na aviação comercial (Björn Strey)

O último da lista dos maiores trijatos do mundo é outro soviético, o Yak-40. Dedicado à aviação regional, o avião russo teve voo inaugural em 21 de outubro de 1966 e é tão pequeno, que parece um jato executivo. Chama atenção também por ter asas retas, como num turboélice, por exemplo.

Levando 32 passageiros, o Yak-40 teve diversas variantes e foi produzido até 1981. Medindo 20,36 metros, essa aeronave tinha 25 metros de envergadura, o que ajudava em aeroportos de pistas curtas. Teve mais de mil unidades produzidas e exportadas para 130 países.

Veja mais: As diferentes faces do Boeing 747