Aeroporto dos Guararapes, em Recife

Aeroporto dos Guararapes, em Recife, o maior dos leiloados na 5ª rodada (GF)

A quinta rodada de leilões de aeroportos pertencentes ao governo federal foi concluída nesta sexta-feira (15) com uma arrecadação total de R$ 4,2 bilhões. Foram leiloados 12 aeroportos hoje administrados pela estatal Infraero, o maior deles Recife, também o mais movimento terminal aeroportuário da região Nordeste.

Pela primeira vez o governo ofereceu os aeroportos em blocos, o que incluiu pequenos terminais cuja operação é deficitária ou de baixa arrecadação. Com isso, a intenção do Ministério da infraestrutura é repassar todos os aeroportos atualmente nas mãos da Infraero até 2022. Estão previstos para isso outros dois leilões, o próximo em 2021 em que serão incluídos os aeroportos de Curitiba e Manaus, entre outros, e em 2022 dois dos mais movimentados terminais do país, Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e Congonhas, em São Paulo.


No leilão desta sexta foram repassados para a iniciativa privada três blocos: o do Nordeste, composto pelos terminais de Recife, João Pessoa, Maceió, Juazeiro do Norte e Campina Grande, o do Sudeste, que incluiu Vitória e Macaé, e do Centro-Oeste, liderado por Cuiabá e que inclui Sinop, Alta Floresta e Rondonópolis, todos no estado de Mato Grosso.

O bloco do Nordeste foi, de longe, o de maior disputa, vencido pelo grupo espanhol AENA Desarrollo Internacional com lance de R$ 1,9 bilhão. A empresa administra atualmente a maior parte dos aeroportos espanhóis e tem presença em países da América Latina, além de ser a sócia majoritária no Aeroporto de Luton, próximo a Londres. Será sua primeira incursão no mercado brasileiro e a vitória no leilão pode significar um grande incremento de turistas europeus para o Recife, hoje já conhecido por ser uma porta de entrada de voos do continente europeu.

Aeroportos nas mãos da iniciativa privada

Os aeroportos de Vitória e Macaé, na região Sudeste, ficaram nas mãos da Zurich Airport, empresa suíça que detém a concessão do aeroporto de Florianópolis e é sócia minoritária da CCR na BH Airport, que administra Confins, em Minas Gerais. A Zurich ofereceu R$ 437 milhões pelo dois aeroportos.

Por fim, os grupos nacionais Socicam e Sinart, que formaram o consórcio Aeroeste levaram os aeroportos de Mato Grosso com lance de R$ 40 milhões.


Concessões mais sadias

O resultado da quinta rodada confirmou o sucesso da nova modalidade de concessão que retirou a obrigação de sociedade com a Infraero, como ocorreu nos dois primeiros leilões. Sem a participação estatal, as empresas ficaram mais à vontade para participar dos lances. De quebra, a nova forma de outorga permitiu que as projeções de receita sejam mais realistas e previsíveis.

Aeroporto de Vitória, que ganhou novo terminal em 2018 (Ministério da Infraestrutura)

Embora de longe os de maior de receita, Guarulhos e Galeão tiveram ofertas irreais de outorga. Enquanto no aeroporto paulista a outorga vencedora feita pela GRU Airport foi de R$ 16,2 bilhões para um investimento de R$ 4,6 bilhões no terminal fluminense a RioGaleão ofereceu outorga de R$ 19 bilhões para um investimento de R$ 5,6 bilhões. Na terceira rodada, em que foram leiloados os aeroportos de Fortaleza, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre e sem a presença da Infraero, os números foram bem diferentes. O terminal gaúcho, por exemplo, teve outorga de R$ 383 milhões para um investimento de R$ 1,9 bilhão.

Todos os aeroportos concedidos no leilão tem prazo de 30 anos para exploração a partir da assinatura do contrato. Ao todo o governo espera um total de R$ 3,5 bilhões em investimentos. Na projeção da ANAC, os 12 terminais terão um movimento anual de passageiros em 2049 de cerca de 58 milhões contra 19,6 milhões em 2018.

Cuiabá liderou o bloco de quatro aeroportos no Centro-Oeste (GF)

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