Airbus A330neo da Azul: companhias aéreas brasileiras estão investindo em rotas internacionais (Airbus)

O PIB brasileiro ainda engatinha e o dólar já anda próximo de R$ 4,00, mas nem essas ou outras incertezas do futuro têm feito as companhias aéreas do país reduzirem o avanço no mercado internacional. O movimento já existe desde o ano passado mas em 2018 se intensificou com vários anúncios de novas rotas por parte de Latam, Azul, Avianca e, em menor escala, Gol. E a melhor notícia: ele é mais descentralizado ao incluir na conta aeroportos como Fortaleza, Brasília, Recife e Viracopos – embora boa parte deles parta mesmo de Guarulhos, o maior hub internacional do Brasil.

A retomada dos voos para o exterior vem após um período de vacas magras em que as companhias aéreas foram obrigadas a postergar planos de expansão da frota e até mesmo se desfazer de parte dos aviões devido à demanda mais fraca. Mas agora, a despeito da economia ainda cambaleante, o turismo internacional parece suficientemente sólido para ser explorado a longo prazo.



Os destinos que mais receberam atenção dessas companhias são Lisboa, Orlando e Miami. A capital portuguesa, por exemplo, já tem vários voos para o Brasil realizados pela TAP e Azul, mas a partir de setembro contará também com um voo diário da Latam. Mais próximo do Brasil e com economia aquecida, Portugal se beneficia ainda da língua para atrair o público brasileiro.

As cidades da Flórida, por sua vez, já são velhas conhecidas dos turistas daqui. A novidade é que tanto Miami quanto Orlando passaram a ser o destino de voos de diversas cidades brasileiras como Fortaleza, Recife, Salvador, Campinas, Belo Horizonte e Belém, as duas últimas atendidas pela Azul. A Gol, que havia deixado de voar para fora, retomará as rotas para Miami a partir de Brasília e Fortaleza em dezembro, já com o novo Boeing 737 MAX 8.

A companhia da família Constantino, aliás, é a mais modesta na estratégia para o exterior. Embora tenha expandido sua atuação na América do Sul e ampliado sua parceria com Air France, KLM e Delta, a Gol ainda não avançou em direção aos widebodies preferindo aproveitar a maior autonomia do 737 MAX para viabilizar um voo direto até os Estados Unidos – antes a empresa chegou a voar entre São Paulo e Miami com escala em Santo Domingo, na República Dominicana.

Suas concorrentes, ao contrário, estão recebendo novos jatos de grande porte e fincando seus pés em mercados fortes como os EUA. A Avianca Brasil, por exemplo, estreou seu voo para Miami há exato um ano e já anunciou que terá uma segunda frequência partindo de Guarulhos em dezembro. Para isso receberá mais unidades do A330-200 em breve, embora não revele a quantidade. É com o avião da Airbus que ela voa para Nova York desde dezembro passado além de algumas frequências para Santiago do Chile. Comenta-se que a companhia aérea fará um anúncio de novas rotas em breve.

Projeção do 737 MAX 8 ainda com a pintura antiga da Gol: companhia vai voar para os EUA novamente (Boeing)

Expansão à toda velocidade

Mas quem mais impressiona nesse mercado é mesmo a Azul. A companhia que nasceu como uma ‘low-cost‘ já abandonou esse conceito em certo sentido ao trocar parte da frota de aviões da Embraer pelo A320neo. Desde 2015, ela se aventura no segmento internacional com sucesso. Foi em dezembro daquele ano que os voos Viracopos-Miami e Viracopos-Orlando decolaram pela primeira vez ainda em meio à poeira do novo terminal de Campinas.

No ano seguinte, a companhia fundada por David Neeleman assumiu a rota Campinas-Lisboa no lugar da parceira TAP, voo que virou diário em abril do ano passado. No final deste ano, uma segunda frequência diária ligará as duas cidades que, somadas aos voos da companhia portuguesa, dará à Azul uma vantagem imensa na rota.

Ousada a estratégia da Azul surpreende ainda por ignorar os aeroportos de Guarulhos e Galeão. Quando resolveu ampliar seus voos para o exterior, a empresa optou por lançar voos para Miami a partir de Belo Horizonte, Belém e Recife. O novo destino da Azul será Paris mas ainda operado por uma nova parceira, a Aigle Azur, uma espécie de “Azul francesa” também de propriedade de Neeleman. Os primeiros voos decolam de Viracopos em julho.

O A330 da Avianca tem capacidade para transportar 238 passageiros em duas classes (Avianca)

A Avianca tem usado o A330-200 como base para voos para o exterior (Avianca)

Destinos inéditos

Principal companhia aérea brasileira no mercado internacional, a Latam reagiu em grande estilo em 2018. Depois de um período em que até alugou aviões de grande porte por falta de demanda, a empresa já anunciou quatros destinos inéditos: Roma, Lisboa, Las Vegas (ainda sazonal) e Tel Aviv (operado pelo braço chileno mas com escala em São Paulo). Além disso, a Latam revelou a intenção de voar para Munique, na Alemanha, cidade antes atendida pela Lufthansa.

Não foi apenas Guarulhos, eleito seu hub na América Latina, o beneficiado. O Rio de Janeiro também já conta com um voo direto para Orlando há um ano, embora a companhia tenha reduzido sua presença no aeroporto carioca. Para competir com a Gol, a companhia também investiu em três capitais nordestinas, Salvador, Recife e Fortaleza. São voos para Miami e Orlando que devem atender o turismo em ambas as direções e facilitar a vida de passageiros que antes precisavam voar até o Sudeste para retornar para essas regiões.

O A350-900 voltará a ser recebido pela Latam para dar conta da expansão internacional (Airbus)

Airbus A350 de volta

Para dar conta desses novos voos, cada companhia tem bolado uma estratégia diferente. Além da Gol, já citada, a Avianca e Azul estão fazendo uso do A330, birreator já mais antigo porém eficiente em rotas de média capacidade. A Azul, no entanto, deve contar com o novo A330neo no segundo semestre, que assumirá os trechos mais movimentados. Já a Latam decidiu retomar a entrega do A350-900, de nova geração, após um período em que contou com apenas três unidades do jato da Airbus – Avianca e Azul chegaram a cogitar o jato, mas protelaram o projeto.

A expectativa é que essa nova expansão para o exterior seja definitiva, ampliando as possibilidades de voos para os brasileiros e turistas estrangeiros. Mas não custa ficar de olho no PIB e na cotação do dólar, para variar.

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