Boeing e Embraer: gigante aeroespacial a caminho? (Montagem sobre divulgação)

Terceiro colocado nas eleições presidenciais de 2018, Ciro Gomes (PDT) informou que pretende propor uma audiência pública ao Senado para “esmiuçar todos os detalhes” e “desfazer” a venda da divisão de aviação comercial da Embraer para a Boeing, que deve ser efetivada no início de 2020.

Em entrevista ao jornal Hora do Povo, o líder do PDT criticou duramente a negociação, que ele chama de “entrega” da Embraer para a Boeing. O ex-governador do Ceará ainda afirmou que a venda poderia ter sido impedida com a utilização da ação especial (golden share) que o governo detém e classificou a decisão de não fazê-lo como um “crime de lesa-pátria”.


“O Brasil é um dos poucos países do mundo que tem a capacidade de construir aeronaves. No entanto, a Embraer representa muito mais do que só a construção de aviões. Ela gera inteligência, tecnologia e desenvolvimento. A entrega da Embraer para a Boeing pode não só fechar fábricas no Brasil, como fazer o Brasil perder seu protagonismo na área”, disse Ciro Gomes na entrevista.

A área de aviação comercial é a parte mais lucrativa da Embraer, que no ano passado foi responsável por quase 50% das receitas da empresa. A fabricante brasileira atualmente lidera o segmento de aeronaves com até 150 assentos e soma mais de 2.000 aviões entregues desde 2004.

A associação entre a Boeing e Embraer foi formalizada em janeiro deste ano, após a aprovação do presidente da República Jair Bolsonaro. A nova empresa, chamada Boeing Brasil – Commercial, terá 80% de suas ações controladas pela Boeing, adquiridas por US$ 4,2 bilhões, e 20%, pela Embraer.

O acordo firmado entre as duas fabricantes em julho do ano passado também inclui a participação de 49% da Boeing na joint-venture para promover o cargueiro KC-390, da Embraer.

“É um crime de lesa-pátria. Depois de todo investimento e conhecimento gerado com o desenvolvimento do KC-390, e toda parceria e aprendizado com a Saab, é criminosa essa entrega para a Boeing”, disse ex-ministro da Fazenda.

“Muitas são as possibilidades para reverter esse quadro. Sigo na luta e em breve vamos tentar realizar uma audiência pública no Senado que vai esmiuçar todos os detalhes dessa negociação que não atende aos verdadeiros interesses do povo brasileiro e, munidos de todos os dados, entraremos na Justiça para desfazer essa venda”, concluiu Ciro.

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