O voo inaugural do BelugaXL foi realizado em 19 de julho de 2018 (Airbus)

O novo cargueiro BelugaXL da Airbus recebeu nesta quarta-feira (13) sua Certificação de Tipo da agência europeia de aviação civil (EASA), abrindo caminho para a entrada em serviço no início de 2020. A homologação atesta que a aeronave possui as características mínimas que asseguram seu uso seguro de acordo com a operação pretendida.

A exótica aeronave foi projetada para integrar o sistema industrial do grupo aeroespacial europeu. Assim como seu antecessor, o BelugaST, a missão do novo BelugaXL é transportar grandes componentes aeronáuticos pré-fabricados entre as linhas de montagem da Airbus no Velho Continente. De acordo com a fabricante, a aeronave vai atender 11 pontos de distribuição.


Baseado no jato comercial A330-200, o BelugaXL é sete metros mais longo e um metro mais largo que o primeiro Beluga, que por sua vez é uma variante do A300-600. Essa diferença permitiu ampliar para 51 toneladas a capacidade de carga da aeronave, quase 30% a mais que o modelo anterior (que comporta até 40 toneladas).

Um dos requisitos que o projeto BelugaXL precisou obedecer foi a capacidade de transportar as duas asas do A350 de um só vez, em vez de uma única seção, como acontece atualmente com o BelugaST.

O BelugaXL pode transportar um par de asas do A350 em apenas uma viagem (Airbus)

A aeronave recebeu o selo de aprovação da EASA após uma campanha intensiva de ensaios de voo, na qual o BelugaXL completou mais de 200 decolagens e somou cerca de 700 horas de voo. No total, seis aeronaves serão construídas entre 2019 e 2023 para substituir gradualmente a atual frota de transportadores BelugaST, composta por cinco aparelhos.

O BelugaXL, à esquerda, é baseado no A330-200, enquanto o BelugaST é uma variante do A300 (Airbus)

Super-transportador

O programa BelugaXL foi lançado em novembro de 2014 para atender aos novos requisitos de transporte logístico da Airbus. O formato especial da aeronave com uma grande porta de carga acima da cabine de comando permite o embarque de asas inteiras e grandes seções de fuselagens.

Antes de transportar componentes aeronáuticos com o BelugaST, a Airbus cumpria essa mesma tarefa com uma frota de Super Guppy, cargueiro quadrimotor turbo-hélice desenvolvido pela Boeing na década de 60. Com o desenvolvimento de aeronaves com portes cada vez maiores, um cargueiro de maior capacidade foi necessário, situação que volta a se repetir com a exigência do BelugaXL.

O Boeing Super Guppy já foi peça fundamental na cadeia produtiva da Airbus (Michel Gilliand/Wikimedia)

O Boeing Super Guppy já foi peça fundamental na cadeia produtiva da Airbus (Michel Gilliand/Wikimedia)

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