O casal decolou de Ipeúna (SP) no dia 5 de março (Divulgação)

O casal decolou de Ipeúna (SP) no dia 5 de março (Divulgação)

O casal francês Adrien Normier e Clémentine Bacri iniciou neste mês uma viagem de volta ao mundo com um Scoda Super Petrel LS, avião-anfíbio fabricado em Ipeúna (SP), a cerca de 200 km de São Paulo. O giro pelo planeta deve durar aproximadamente três anos e o objetivo da jornada, segundo o casal aventureiro, é “observar, relatar e analisar”.

A viagem será acompanhada por equipes científicas e pesquisadores. Clémentine será responsável por documentar toda a viagem. Já Normier é piloto de aviação comercial. Essa é a segunda volta ao mundo do casal: entre 2012 e 2013, a dupla percorreu mais de 50 mil quilômetros e passou por 50 países, com uma aeronave de pequeno porte convencional.

Mas o avião da nova viagem permite voar para lugares inusitados. O Super Petrel pode pousar na água ou em pistas convencionais: o modelo possui trem de pouso retrátil no “casco-fuselagem”. Para encarar a volta ao mundo, a aeronave ainda recebeu adaptações. A principal é a possibilidade de ser abastecido com o dobro de combustível (até 180 litros), aumentando a autonomia de cinco horas para quase 10 horas de voo com a modificação.

O Super Petrel voa a velocidade máxima de 190 km/h e consome cerca de 18 litros de gasolina por hora. O motor da aeronave (Rotax 912 de 98 cavalos de potência) é do tipo “pusher”, com a hélice na traseira. Também é muito leve: pesa apenas 320 km (vazio) e, segundo o fabricante, pode decolar com até 600 kg (incluindo combustível, dois ocupantes e bagagem).

A viagem do casal pelo mundo deve durar cerca de 3 anos (Divulgação)

A viagem do casal pelo mundo deve durar cerca de 3 anos (Divulgação)

Avião-anfíbio brasileiro

O Super Petrel LS foi desenvolvido no Brasil pela Scoda Aeronáutica, empresa fundada em 1997. A aeronave é certificada pela FAA, a agência reguladora de aviação dos Estados Unidos, e é considerada uma das mais eficientes no segmento de aviões-anfíbios de pequeno porte.

A empresa de Ipeúna, cidade no interior de SP com mais de seis mil habitantes, já fabricou mais de 200 unidades do Super Petrel. Além de clientes no Brasil, a aeronave também voa nos EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e países na Europa e África.

Os aviões anfíbios são normalmente confundidos com os hidroaviões. Esses, porém, tem capacidade para pousar e decolar somente a partir da água.

O Super Petrel voa devagar, mas vai longe: o modelo convencional tem alcance de 950 km (Scoda Aeronáutica)

O Super Petrel voa devagar, mas vai longe: o modelo tem alcance de 950 km (Scoda Aeronáutica)

A viagem do avião-anfíbio brasileiro pelo mundo pode ser acompanhada no site do casal, www.wingsforscience.com.

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