O porta-aviões nuclear USS George Washington vai realizar manobras com a FAB (US Navy)

O porta-aviões nuclear USS George Washington vai realizar manobras com a FAB (US Navy)

O porta-aviões USS George Washington da poderosa Marinha dos Estados Unidos (US Navy) está prestes a “invadir” o litoral do Brasil. A enorme embarcação, que contornou a América do Sul após visitar o Japão, vai aproveitar a passagem pela costa brasileira para realizar treinamentos com a Força Aérea Brasileira (FAB).

O exercício, chamado Operação UNITAS 2015, vai reunir aeronaves do US Navy e da FAB em simulações de combate. Pelo lado américano, entrarão em “combate” o caça F/A-18 Hornet e o avião de vigilância E-2 Hawkeye com seu enorme radar de busca. Já a FAB vai empregar as aeronaves de patrulha marítima P-95 Banderulha e P-3 Orion, o jato de vigilância E-99, um avião-tanque KC-130 Hércules e o caças A-1 e F-5.


Como explicou a FAB, o cenário dos combates consiste em caças brasileiros A-1 realizarem ataques a alvos fictícios com a proteção dos F-5, enquanto os F-18 norte-americanos vão tentar impedí-los. Em dias alternados, os papéis vão se inverter: os F-18 farão a escolta dos A-1 e os F-5 o papel de força oponente.

O treinamento prevê simulações de combate na chamada arena BVR (Além do Alcance Visual), quando os caças identificam seus alvos pelo radar e lançam seus mísseis antes mesmo de enxergarem os oponentes, e também no modo WVR (Com Contato Visual), quando são empregados mísseis de curto alcance e canhões. Os treinamentos vão ocorrer em áreas do espaço aéreo onde já acontecem missões de rotina da FAB, sem interferência para a aviação comercial.

Os aviões de ataque A-1 da FAB vão tentar furar o bloqueio de caças F-5 e F-18 (FAB)

Os aviões de ataque A-1 da FAB vão tentar furar o bloqueio de caças F-5 e F-18 (FAB)

“A expectativa é a melhor possível, sobretudo, em função da aeronave contra a qual iremos realizar o combate dissimilar, o F-18”, explicou o Brigadeiro Fernando Almeida Riomar, comandante da Terceira Força Aérea, unidade responsável pelo treinamento das unidades de caça e de reconhecimento da FAB. Segundo ele, os pilotos brasileiros atingiram um nível elevado de conhecimento, por conta priorização desse tipo de treinamento. “Em termos de doutrina e capacitação, no meu entendimento, nossos pilotos estão muito bem preparados, especialmente, no que se refere ao nível de consciência situacional nas missões de combate”, afirma.

O "avião-radar" E-2 Hawkeye dos EUA vão monitorar o movimento das aeronaves (US Navy)

O “avião-radar” E-2 Hawkeye dos EUA vão monitorar o movimento das aeronaves (US Navy)

Em três anos, esse é o terceiro exercício da FAB ao lado das forças armadas dos EUA. Em 2013, em Natal (RN), aconteceu o exercício CRUZEX Flight. No ano passado, os dois países participaram da terceira edição do exercício Salitre, realizado em Antofagasta, no Chile. Nos dois casos, os EUA estiveram representados pela sua força aérea, a USAF, com caças F-16.

“É uma oportunidade de se aproximar e exercitar de maneira colaborativa nossas habilidades em um ambiente naval de desafios crescentes”, afirmou em comunicado oficial o Contra-Almirante George Ballance, comandante da Quarta Frota da US Navy. “A participação do USS George Washington e de sua ala aérea neste ano faz desta uma das maiores UNITAS dos últimos tempos”, disse.

O E-99 vai ser os olhos da FAB no céu durante as simulações de combate (FAB)

O E-99 vai ser os olhos da FAB no céu durante as simulações de combate (FAB)

Exercícios

A UNITAS é um exercício realizado pelas forças armadas das Américas desde 1960. Esta é a edição de número 56, e também terá a participação das fragatas brasileiras Constituição, Liberal e Greenhalgh, do submarino Tapajó e dos navios-patrulha Gurupá, Babitonga e Amazonas, além de rebocadores e dos helicópteros UH-12/13 Esquilo e AH-11 Lynx.

Além do Brasil e EUA, também vão participar do treinamento embarcações do Chile, México, Peru e Reino Unidos. As manobras aéreas aéreas serão realizadas com apoio das Bases Aéreas de Canoas e Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, respectivamente.

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