O primeiro voo do Gripen E brasileiro durou 65 minutos e foi conduzido por um piloto sueco (SAAB)

O primeiro caça SAAB Gripen E da Força Aérea Brasileira (FAB) realizou hoje (26 de agosto) seu voo inaugural na Suécia. A aeronave, designada 39-6001, decolou às 14h41 (horário local; 9h41, horário de Brasília) do aeródromo da fabricante em Linköping conduzida pelo piloto de testes da empresa, Richard Ljungberg.

O teste inaugural do caça durou 65 minutos e incluiu avaliações de manobrabilidade e qualidade de voo em diferentes altitudes e velocidades. Segundo a fabricante, o principal objetivo do voo foi verificar se o comportamento da aeronave estava de acordo com as expectativas.


“Este marco é um legado para a grande parceria entre a Suécia e o Brasil. Menos de cinco anos após a assinatura do contrato, o primeiro Gripen brasileiro alçou seu primeiro voo”, disse Håkan Buskhe, presidente e CEO da Saab.

O Gripen brasileiro que decolou hoje será utilizado como aeronave de testes no programa de ensaios de voo. A principal diferença do modelo da FAB em comparação com as aeronaves de teste anteriores é que o 39-6001 dispõe de um cockpit com a tela panorâmica, chamada Wide Area Display (WAD), dois pequenos Head Down Displays (sHDD) e um novo Head Up Display (HUD).

“Como piloto, foi uma grande honra voar o primeiro Gripen E brasileiro, pois eu sei o quanto isso representa para a Força Aérea Brasileira e todos da Saab e de nossos parceiros brasileiros. O voo foi tranquilo e a aeronave se comportou exatamente como ensaiamos nas bancadas de testes e nos simuladores. Esta também foi a primeira vez que voamos com o Wide Area Display no cockpit e estou feliz em dizer que minhas expectativas foram atendidas”, disse o piloto de testes da Saab.


O Gripen 39-6001 irá se juntar ao programa de testes conjunto para futura expansão dos testes de voo, assim como ensaio dos sistemas táticos e sensores, informou a SAAB.

No Brasil, a aeronave será designada F-39 e terá a matrícula FAB 4100. A entrega do primeiro caça para a FAB está prevista para 2021.

Gripen “Made in Brazil”

A FAB encomendou um total de 36 caças Gripen, sendo 28 Gripen E monopostos e mais oito modelos “F”, para dois pilotos. O contrato avaliado em 39.3 bilhões de coras suecas (cerca de R$ 16,3 bilhões na cotação atual) também inclui a transferência de tecnologia da Saab que permite construir a aeronave no Brasil, tarefa que será realizada pela Embraer e outras empresas brasileiras.

O primeiro protótipo do Gripen E realizou seu voo inaugural em 15 de junho de 2017 (SAAB)

A produção nacional do Gripen será concentrada na unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP). Ao todo, a fabricante brasileira vai produzir de forma integral 15 caças, sendo oito modelos monopostos e sete bipostos. O pedido deve ser concluído até novembro de 2024, segundo a programação da FAB.

A transferência de tecnologia para a construção do Gripen pode “libertar” o Brasil da necessidade de importar aviões de combate avançados no futuro. Com esse conhecimento adquirido, a indústria nacional será capaz de desenvolver seus próprios caças após a aposentaria dos Gripen NG da FAB, prevista para a década de 2040.

Caça multimissão

O novo Gripen é uma aeronave que pode atuar em diferentes funções. Além de caça de interceptação, também pode ser utilizado como bombardeiro e avião de reconhecimento armado.

De acordo com o fabricante sueco, o Gripen E pode voar a Mach 1 (velocidade do som – 1.234 km/h) sem a necessidade de usar pós-combustor e, com força total, pode alcançar a velocidade máxima de Mach 2 (2.469 km/h).

O Gripen E é equipado com uma tela panorâmica desenvolvida pela empresa brasileira AEL Sistemas (Divulgação)

Já a autonomia do caça, comparada a das versões anteriores do Gripen, aumentou 50%, mesmo sem a necessidade de reabastecimento aéreo. Em configuração de combate (armado com quatro mísseis e levando dois tanques de combustível externos), a nova geração da aeronave tem alcance de 1.800 km.

O sistemas que equipam o novo Gripen vão permitir o uso de mísseis ar-ar (de interceptação aérea) e ar-terra de médio e longo alcance orientados por radar, bombas “inteligentes” guiadas a laser, além de uma série de outros recursos, como sensores infra-vermelho de busca e equipamentos de guerra eletrônica, como perturbadores de radares e rádios.

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