O Gripen lançou uma bomba GBU-49/B, como as que estão na barriga do caça acima (SAAB)

O verão muito seco enfrentando pela Suécia vem provocando uma série de incêndios florestais pelo país nas últimas semanas, especialmente em áreas de difícil acesso. Para tentar deter o avanço das chamas em uma área de treinamento militar em Älvdalen, os bombeiros suecos adotaram uma abordagem diferente: chamaram a força aérea sueca para bombardear o incêndio.

A ação foi realizada nessa quarta-feira (25) com um caça Saab Gripen C, que lançou uma única bomba de precisão guiada a laser e GPS sobre uma área de incêndio. O artefato utilizado foi uma bomba GBU-49/B Paveway de 500 libras (227 kg), armamento capaz para derrubar um prédio pequeno ou destruir um taque de combate.



“É uma tentativa (bombardear o incêndio) de remover o oxigênio do fogo, e só foi possível porque o fogo está em um campo de tiro militar”, disse Johan Szymanski, coordenador das equipes de resgate e bombeiros que atuam nos incêndios, em entrevista a rede de televisão sueca SVT. “Nossa opinião é que esse incêndio é único e, por isso, podemos usar métodos de extinção não convencionais.”

A área bombardeada pelo Gripen na Suécia vem enfrentando uma série de incêndios florestais nas últimas duas semanas, informaram as autoridades locais. Não só isso, a região também pode conter artefatos militares não detonados. Por esse motivo, as ações em solo dos bombeiros na zona de treinamento militar foram interrompidas em 18 de julho.

De acordo com Szymanski, havia regras que limitavam o pessoal a ficar a um quilômetro da área de treinamento. Ainda segundo o líder das equipes de resgate, havia o temor de artefatos explodirem com o calor das chamas da região, que agora estão sob controle. O coordenador ainda acrescentou que a operação com o Gripen validou a técnica e a ação pode ser realizada novamente no futuro.

O vídeo abaixo, publicado pela força aérea da Suécia, mostra o momento em que o Gripen lançou a bomba sobre o incêndio.

Szymanski disse que avaliação preliminar é que a explosão teve um efeito muito bom e que partes do incêndio no campo de tiro foram extintas. “Nós também podemos ver que os incêndios que estão um pouco mais afastados não foram afetados negativamente pela bomba, então não houve propagação devido ao bombardeio.”

Fogo contra fogo

Essa não foi a primeira vez que a Suécia empregou armas reais para apagar incêndios na região de treinamento em Älvdalen. De acordo com uma declaração oficial das forças armadas do país, o exército já usou fogo de artilharia para “sufocar” incêndios no passado.

Apagar incêndios com explosões também não é uma ideia inédita. Esse tipo de técnica normalmente é utilizada para combater incêndios em poços de petróleo. Nesses casos, os bombeiros utilizam bombas improvisadas e as aproximam dos incêndios usando guindastes, em vez de lançá-las de um avião.

Em 2014, a Boeing patenteou um projeto de uma bomba com retardantes químicos para combater incêndios (USPTO)

Em 2014, a Boeing patenteou um projeto de uma bomba com retardantes químicos para combater incêndios (USPTO)

A ideia de bombardear incêndios com um avião também não é novidade. A técnica é usada desde a década de 1940. Após o final da Segunda Guerra Mundial, a força aérea dos Estados Unidos desenvolveu várias armas dedicas ao combate a incêndios florestais. Algumas eram bombas cheias de água ou retardantes químicos equipadas com espoletas de proximidade para explodi-las logo acima do fogo.

A técnica de bombardear um incêndio aproveita o efeito mecânico da explosão com o deslocação de materiais, por arrastamento ou por destruição. Em outras palavras, a detonação empurra tudo que estiver ao seu redor, inclusive o oxigênio que alimenta as chamas em um incêndio.

O uso mais famoso de uma bomba contra um incêndio aconteceu no Uzbequistão em 1966, quando o país ainda fazia parte da União Soviética. O artefato nuclear foi utilizado para encerrar um incêndio em um poço do gás natural que já durava mais de três anos. A explosão foi realizada a cerca de 1.500 metros de profundidade e programada para “empurrar” o material ao seu redor para esmagar o canal de gás e sufocar o incêndio. A operação foi um sucesso: o incêndio foi extinto 30 segundos após a detonação subterrânea.

O uso de bombas militares lançadas por aviões contra incêndios, porém, só é viável em áreas isoladas. Dificilmente uma ação desse tipo seria autorizada em uma área privada ou próximo de áreas urbanas. Para esses casos é mais apropriado o uso de aviões de combate a incêndio convencionais, que despejam agentes químicos por uma grande faixa de áreas em chamas.

O LM-100J "FireHerc" já foi certificado pelo serviço de defesa florestal dos EUA (Lockhhed Martin)

O LM-100J “FireHerc” foi anunciado recentemente pela Lockhhed Martin (Divulgação)

Fontes: The Drive, SVTForsvarsmakten

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