A maioria dos casos de colisões com animais acontecem durante os procedimentos de pouso e decolagem (Foto - Maarten Visser/Wikipedia)

A maioria dos casos de colisões com animais acontecem durante os procedimentos de pouso e decolagem (Foto – Maarten Visser/Wikipedia)

O Brasil registrou 1.560 colisões entre aviões e animais em 2014, segundo dados do “Anuário de Risco e Fauna 2014” (veja o estudo) divulgado nesta semana pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa). Segundo o relatório, foram registrados 1.495 choques com aves e outros 65 contra animais terrestres, além de outras 559 “quase colisões” e 2.053 avistamentos.

Os números do Cenipa referentes a 2014 mostram um recuo em relação aos dois anos anteriores (1.739 em 2013 e 1.668 em 2012). A diminuição, porém, não significa necessariamente que houve menos caos, já que neste período a frota nacional de aeronaves aumentou e nem todos os casos são registrados, como alerta o órgão de aviação.


“A lógica esperada seria o aumento da quantidade de colisões reportadas, pois há mais aeronaves expostas às colisões em comparação a 2013. Condição indicativa de que o setor aéreo deveria se preocupar mais com o reporte”, comentou o suboficial Luis Carlos Batista Santos, que elaborou o anuário, em comunicado do Cenipa.

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Segundo estimativa da instituição, somente uma a cada quatro colisões com animais são reportadas. “Dentro desse universo há diversas oportunidades de melhoria, pois o assunto ainda é pouco conhecido e entendido por tripulantes, que convivem diariamente com este perigo natural, e por mecânicos, dificultando a ação efetiva de operadores de aeródromos”, acrescenta o Tenente-Coronel Henrique Rubens Balta de Oliveira, assessor de gerenciamento de risco de fauna do Cenipa.

Encontro com animais

As fases de voo em que mais ocorreram colisões com animais foram justamente as mais críticas da aviação: 34% dos casos aconteceram durante o procedimento de pouso e 26% no processo de decolagem. Já as partes mais danificadas nas aeronaves foram a fuselagem (17,3%), motor (16,9%), parte frontal (9,7%), asa (9,6%) e para-brisa (8,8%).

Já a colisão com animais terrestres, embora rara, pode causar danos ainda mais significativos a aeronave. “Uma colisão com uma capivara tem severidade relativa 227% mais elevada que uma colisão com urubu-de-cabeça-vermelha”, exemplifica o tenente-coronel Oliveira.

As partes mais afetadas nos aviões com as colisões com animais em 2014 (Imagem - Cenipa)

As partes mais afetadas nos aviões com as colisões com animais em 2014 (Imagem – Cenipa)

Regiões de risco

De acordo com a metodologia do Cenipa, o aeroporto de Salvador (BA) foi o que mais registrou colisões a cada 10 mil movimentos, com 82 casos. Em seguida vêm os aeroportos de Viracopos, em Campinas (SP), com 64 colisões, e Galeão, no Rio de Janeiro (RJ), que teve 63 ocorrências. Mas existem pistas onde o risco é maior.

O aeroporto de Navegantes (SC) é o local com mais incidências de colisões a cada 10 mil movimentos (pousos, decolagens, taxiamento, entre outros movimentos), com um índice de 15% – em 2014 o aeroporto catarinense registrou 32 colisões com animais. Em seguida vêm os aeroportos de Campo Grande (MS), com uma relação de 10,5% (32 colisões), e Londrina (PR), com 9% (25 colisões). A pista de Salvador, por exemplo, tem um índice de 7,4%.

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Apesar de pequenos, pássaros podem causar grandes danos a uma aeronave (Foto - Foxnews)

Apesar de pequenos, pássaros podem causar grandes danos a uma aeronave (Foto – Foxnews)

Conforme a análise do Cenipa, 93,3% das colisões foram registradas por aeronaves civis, como jatos comerciais ou monomotores particulares. Outros 5,9% dos choques com animais foram registrados pela Força Aérea Brasileira e 0,4% dos casos foram relatados pela Marinha e o Exército.

Os dados brasileiros são enviados, anualmente, à Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) com o objetivo de auxiliar o desenvolvimento e a atualização de ações preventivas para evitar acidentes aeronáuticos devido a colisões com animais.