Airbus A380 da Emirates pousa em Guarulhos: início da operação regular (Sergio Mazzi)

Enfim, o Brasil passou a ser um destino mundial do Airbus A380, maior avião de passageiros em operação no mundo. A Emirates, não por acaso a maior operadora do jato de dois andares, substituiu o modelo Boeing 777-300ER neste domingo (26) e já pretende colocar na rota a versão com maior densidade de assentos a partir de dezembro. Mas, afinal, vale a pena ter o gigantesco avião como opção?

Além do aspecto simbólico (afinal ser destino do A380 é uma espécie de atestado de grandeza no mundo da aviação), receber o avião da Airbus exige investimentos além de uma demanda muito alta. Tanto assim que a Emirates só decidiu colocar o avião na rota São Paulo-Dubai assim que a Etihad deixou de operar um voo num trecho próximo. Mesmo com o Brasil em recessão, o fluxo de passageiros que utilizam o Oriente Médio como hub internacional, principalmente para a Ásia, tem se mostrado elevado já que não só a Emirates como a Qatar também tem planos de ampliar sua presença na região.


Chuveiro e bar

Pelo lado do passageiro, voar no A380 é uma experiência com pontos altos e outros baixos, segundo dizem alguns sites no exterior. A primeira classe, por exemplo, é maior (14 contra 8 lugares) e mais espaçosa horizontalmente, porém, o teto do piso superior é bem mais baixo do que no 777. Nada disso conta quando você descobre que pode tomar um banho dentro do avião ou dar uma esticadinha até o bar que fica na divisão com a classe executiva, privilégios do Airbus (veja na galeria).

Na classe executiva, no entanto, o A380 tem poltronas com 2 polegadas a menos de largura se comparadas ao Boeing (5 cm), além do teto mais baixo, afinal ela também fica no piso de cima da aeronave. Em compensação, você tem mais espaço para as pernas que no 777. O Airbus também tem um voo mais suave e silencioso, segundo relatos de jornalistas que testaram o avião no exterior.

A imensa classe econômica, com 399 lugares (45 a mais que toda a lotação do 777), compensa por oferecer assentos mais largos e alguns com maior espaço para as pernas, um grande problema em voar nessas poltronas. Em comum, os dois aviões possuem disposição de assentos 3-4-3 na econômica, o que obriga um casal, por exemplo, a viajar de preferência na fileira central para ter mais liberdade de se movimentar na aeronave.

Peso pesado

Já pela ótica da companhia aérea, optar pelo Airbus A380 numa rota significa ter um custo muito mais alto de consumo de combustível. Enquanto os dois motores do Boeing 777 possuem 115 mil libras de empuxo cada os quatro turbofans do Airbus têm 70 mil libras cada. Segundo o site Axlegeeks, isso se traduz em um consumo por milha naútica 59% maior no A380 (US$ 62 contra US$ 39). Como a Emirates leva apenas 38% a mais de passageiros no Airbus que no Boeing estima-se que o custo por passageiro subiu.

Apesar disso, é preciso ter em mente que se existe demanda para operar o jato de dois andares é porque esse número potencial de passageiros não justifica a inclusão de mais um voo diário com um avião menor. Essa hipótese, embora adotada por algumas companhias, significa uma oferta muito grande de assentos e nem sempre em um horário adequado aos clientes. Levar quase 500 pessoas em apenas um voo, ainda mais de longa duração como o da rota São Paulo-Dubai pode ser interessante devido às conexões disponíveis no hub da Emirates.

Pela distância que está dos principais destinos no mundo e a presença de poucas companhias internacionais, é provável que o Brasil possa vir a justificar mais voos com o A380 no futuro, caso a economia se recupere. Mas é mais plausível pensar que os novos jatos comerciais, com custos bem menores, dominem os céus da região, como já se vê no uso cada vez maior do Boeing 787.

A companhia Emirates possui cerca de 240 aeronaves na frota (Emirates Airlines)

Boeing 777-300ER da Emirates (Emirates Airlines)