Boeing e Embraer: gigante aeroespacial a caminho?

Eleito novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro garantiu nesta quinta-feira (1) em sua primeira entrevista coletiva que vai apoiar o acordo entre a Boeing e a Embraer. A negociação entre as fabricantes foi anunciada no início de julho e o governo do atual presidente Michel Temer aguardava a definição do pleito para aprovar a parceria.

“A fusão da Embraer com a Boeing continua sem problema algum e sim (vou avalizar)”, disse Bolsonaro. O governo brasileiro tem uma “golden share” (“ação dourada”) da Embraer com poder para aprovar ou vetar decisões estratégicas para a fabricante.


Antes da eleição presidencial, o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, contou à imprensa durante a celebração dos 50 anos do primeiro voo do Bandeirante, em São José dos Campos (SP), que as negociações estavam avançando e que “tudo deve acontecer como o imaginado” e reafirmou que o acordo deve ser aprovado ainda no atual governo de Temer, “que não apresentou nenhuma dificuldade” ao projeto de parceria entre as fabricantes.

A nova empresa criada entre a Boeing e a Embraer será uma subsidiária totalmente integrada da fabricante dos Estados Unidos. A empresa americana pretende adquirir 80% da divisão de aeronaves comerciais da Embraer por US$ 3,8 bilhões. Os demais 20% serão controlados pelo grupo brasileiro.

Futuro ministro da defesa, general da reserva Augusto Heleno, declarou à imprensa após a eleição de Bolsonaro que também via com bons olhos o acordo de joint-venture entre as fabricantes, mas que antes pretendia conhecer os termos da negociação.

Um memorando de entendimento sobre a parceria divulgado pela Embraer no começo de outubro aponta que definição da negociação pode ser anunciada até 5 de dezembro. Segundo o texto, até este dia a maior parte do trabalho de fusão entre as empresas será concluído com a finalização dos documentos de transação e a aprovação das diretorias das empresas e órgãos reguladores.


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