O 777-8 é projetado para ter autonomia de 16.090 km, enquanto o 777-9 é limitado em 13.940 km (Boeing)

A Boeing confirmou nesta semana que suspendeu por tempo indeterminado o desenvolvimento do 777-8, a versão de maior alcance da nova série 777X. A fabricante informou que tomou essa decisão para concentrar seus recursos de engenharia na campanha de testes e certificação do 777-9 e para enfrentar a crise do 737 MAX, que permanece aterrado no mundo e ainda sem um horizonte definido para seu retorno.

“Revisamos nosso cronograma do programa de desenvolvimento e as necessidades de nossos atuais clientes do 777X e decidimos ajustar o cronograma”, explicou a Boeing ao Aviation Week. “O ajuste reduz o risco em nosso programa de desenvolvimento, garantindo uma transição mais suave para o 777-8.”


Com essa mudança no cronograma do projeto, o 777-8 deve chegar ao mercado somente depois de 2023, aponta a publicação.

O 777-8, projetado para transportar 384 passageiros e com alcance de até 16.090 km, atraiu até agora apenas 45 pedidos, incluindo 30 da Emirates e 10 da Qatar Airways. O modelo 777-9, com 414 assentos, por outra lado já tem 325 unidades encomendadas.

Antes previsto para acontecer neste ano, o primeiro voo do 777-9 foi adiado para o início de 2020 por conta de problemas nos motores GE9X. A Boeing ainda planeja entregar os primeiros exemplares da aeronave no final do próximo ano.

Um dos principais objetivos da Boeing com o 777-8 é atender um requisito de alcance ultra longo para companhia australiana Qantas, que chama a iniciativa de Project Sunrise. A empresa pretende selecionar até 2022 uma aeronave que seja capaz de voar a partir de cidades da costa leste da Austrália para destinos como Londres e Nova York. A Airbus também está nesta disputa oferecendo uma versão com maior autonomia do A350.

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