O Boeing 737 BCF pode transportar quase 24 toneladas de carga (Boeing)

O Boeing 737 BCF pode transportar quase 24 toneladas de carga (Boeing)

A Boeing tem um novo produto baseado em um velho conhecido. A fabricante norte-americana completou na semana passada a primeira conversão de um jato 737-800 Next Generation para a função de cargueiro. A empresa chama a aeronave de 737 BCF (de Boeing Converted Freighters), resultado do programa lançado em fevereiro de 2016. O primeiro modelo será entregue no início de 2018 a companhia West Atlantic, da Suécia.

Como a maioria dos aviões de carga, o 737 BCF não é “zero km”. O pacote oferecido pela fabricante modifica aeronaves que antes transportavam passageiros para a função cargueira. Além de retirar todos os assentos da cabine e incluir um piso especial, outra importante etapa no processo de conversão é a instalação de uma grande porta na fuselagem para o embarque e desembarque de cargas.



Segundo dados da Boeing, o novo 737 cargueiro conta com 141,5 metros cúbicos de espaço na cabine convertida, o suficiente para embarcar cargas de até 23,9 toneladas. A autonomia do aeronave é de 3.690 km, menor que a do 737-800NG comercial, que alcança até 5.575 km.

O primeiro 737-800 BCF foi modificado na China, pela Shanghai Aviation Services, e seguiu voando para realizar testes de desempenho e certificação nos Estados Unidos. A aeronave deve ser homologada até o final deste ano.

O primeiro modelo 737 BCF já é bem “voada”. A aeronave foi fabricada em 2004 e voou por diversas empresas na aviação comercial, entre elas a popular Ryanair, da Irlanda. O último operador do aparelho foi uma empresa de charter da República Tcheca, que utilizou o jato até o início deste ano.

Sem os assentos, a cabine do 737 BCF conta com 141,5 metros cúbicos de espaço para cargas (Boeing)

Sem os assentos, a cabine do 737 BCF conta com 141,5 metros cúbicos de espaço para cargas (Boeing)

Nova/Velha safra de cargueiros

Aviões como o 737 são construídos para serem utilizados por 30 anos, em alguns casos até mais do que isso. No entanto, nem todas essas aeronaves permanecem todo esse tempo na aviação comercial e, após anos voando com passageiros, são modificados para transportar cargas, onde encerram suas carreiras.

Atualmente, o 737 de carga mais comum no mercado mundial são os modelos baseados no 737 da geração conhecida como “Classic”, fabricada pela Boeing entre 1984 e 2000. São aviões que já começam a sentir o peso da idade e em breve serão desativados e substituídos por “novos” cargueiros.

O Boeing 737-400F da Modern Logistics pode transportar até 20 toneladas de carga (Divulgação)

A Modern Logistics, empresa de carga do Brasil, voa com o cargueiro Boeing 737-400F (Divulgação)

A conversão dos 737 Next Generation mais antigos para a nova função é uma tendência natural na aviação, sobretudo pela oferta de aeronaves: a Boeing fabricou mais de 6.500 unidades do 737 NG, série lançada em 1997 e que ainda segue em produção, mesmo com a introdução da nova geração 737 MAX, em maio deste ano.

Curiosamente, a Boeing não foi a primeira a converter um 737 NG para a versão de carga. No início deste ano, a Israel Aerospace Industries entregou o primeiro 737-700NG de carga para a companhia Alaska Airlines.

Nota do editor: Para quem não sabe, o Boeing 737 NG é o avião utilizado pela companhia aérea Gol, nas versões 737-700 e 737-800, como o primeiro modelo modificado pela Boeing para o transporte de carga.

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