O Air Force One, de Trump, avião presidencial mais famoso do mundo (USAF)

Preterido por muitas companhias aéreas por conta de seu custo de operação, o Boeing 747 ainda possui uma clientela fiel: presidentes, monarcas e outros mandatórios que veem no gigantesco jato o espaço e status ideal para viajar pelo mundo. Levantamento realizado por Airway mostra que o quadrirreator só fica atrás de jatos comerciais populares como a família A320 e o Boeing 737.

O “Jumbo” VIP mais célebre, claro, é o Air Force One, avião presidencial dos Estados Unidos. Construído sobre o modelo 747-200, o jato usado por Donald Trump (na verdade, são dois exemplares) é uma espécie de Casa Branca voadora, capaz de acomodar a família do republicano, mas também vários assessores e servir como plataforma de comunicação e de decisões estratégicas em situações extremas. Aliás, Trump vai trocar os dois aviões por novos 747-8 após reclamar do preço pedido pela Boeing.


O 747, no entanto, é muito popular obviamente no Oriente Médio onde é usado por xeiques, reis e outros membros da realeza. Ele está presente na frota de países como Arábia Saudita, Bahrain, Brunei, Kuwait, Omã, Emirados Árabes e Iêmen. Mas também transporta governantes na China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Turquia e Marrocos. Desses, a Índia e o Japão devem substituí-lo em breve pelo 777, outro imenso avião mas que é pouco usado nessa função por enquanto, como em Bangladesh e Guiné Equatorial.

Outro quadrirreator que praticamente desapareceu da aviação comercial também tem uma presença significativa como avião presidencial, o A340. O jato da Airbus está presente em cerca de oito países incluindo a Alemanha onde é utilizado pela chanceler Angela Merkel. Seu irmão birreator, o A330, é o escolhido para levar o presidente da França, Emmanuel Macron, e também a primeira ministra britânica, Theresa May – aqui ao menos o Reino Unido continua em sintonia com a União Europeia…

O avião presidencial do Brasil custou cerca de R$ 150 milhões (Airbus)

O Brasil é um dos inúmeros usuários do Airbus A319 (Airbus)

Curiosamente, muitos widebodies são quase ignorados nesse sentido, como é o caso dos antigos MD-11 e TriStar. Mas mesmo aviões bastante conhecidos como o 767 ou o A310 são raros. Uma das poucas exceções vem de Israel onde o governo decidiu converter um 767 para esse fim depois de usar aeronaves da companhia aérea El Al. Sem dúvida, a situação mais constrangedora para um presidente ocorre no México. O ex-presidente Felipe Calderón decidiu comprar um Boeing 787 Dreamliner em 2012, único caso no mundo. O luxuoso e moderno jato, no entanto, foi colocado à venda pelo atual presidente, Andrés Obrador, seguindo sua promessa de campanha.

747 iraniano

A adoção de aviões dedicados aos mandatórios é algo um tanto polêmico. Enquanto a maioria dos países nórdicos dispensam essa exclusividade (para utilizar voos de carreira como qualquer pessoa) em muitas nações a frota VIP impressiona como na Turquia onde o presidente Recep Erdogan possui à sua disposição nada menos que dois A319, um A330, um A340, todos modificados para portar sistemas de defesa aérea – e isso sem contar um 747-8 executivo presenteado pelo governo do Catar e que vale cerca de US$ 400 milhões (quase 1,5 bilhão de reais).

Caso único no mundo, Boeing 787 presidencial mexicano foi colocada à venda pelo atual presidente (City of Victorville/Twitter)

A situação mais comum encontrada no mundo é mesmo a de escolher jatos tradicionais no mercado como o 737 e o A319, como é o caso do Brasil. A versão do Airbus é a mais popular da família com pelo menos 12 países a utilizando. Aqui o modelo, comprado pelo ex-presidente Lula para substituir os dois 737-200 e o “sucatão” 707 acabou ganhando o apelido de “Aerolula”. Além deles o Brasil também faz uso de dois E190 da Embraer, como é natural em países em que existem aviões nacionais capazes de cumprir essa missão.

Aliás, essa prática é adotada até pela Holanda que mantém o aposentado Fokker 70 (da extinta fabricante local) em sua frota oficial. Na Rússia, obviamente, os Ilyushin Il-96 são o avião-chefe de Vladimir Putin assim como o governo canadense ainda possui o jato executivo Challenger na função.

E apesar da boa quantidade de aviões novos como os BBJ da Boeing e ACJ da Airbus, sem falar em jatos executivos modernos, o mais comum é que as nações acabem aproveitando aeronaves usadas mais antigas e com bom preço no mercado mesmo que elas consumam mais combustível por exemplo.

A máxima vale até para o Irã, que usa um expediente não tão incomum de criar uma “empresa aérea” cuja única finalidade é transportar o presidente Hassan Rouhani a bordo de um Airbus A340 com quase duas décadas de uso. Mas nem isso parece que será possível afinal as sanções impostas pelos Estados Unidos no ano passado visaram impedir que a tal companhia, a Dena Airways, pudesse operar em várias partes do mundo.

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Dessa forma, Rouhani pode ter de apelar para dois velhos conhecidos da frota da força aérea iraniana, o Boeing 707, e claro, o 747, entre os quais o único exemplar que possui capacidade de reabastecimento em voo além dos dois Air Force One dos EUA, comprados ainda na época do xá Reza Pahlevi, deposto pela Revolução Islâmica em 1979.

O raro 747 iraniano capaz de ser reabastecido em voo

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