Caça stealth F-22 e a Área 51 ao fundo (mancha branca): é melhor manter distância desses lugares (USAF)

No livro ‘Keep Out‘ (Mantenha Distância, numa tradução livre), o autor britânico Nick Redfern descreve algumas das instalações militares mais secretas do mundo, mantidas em sigilo por por alguns países há décadas e cujos objetivos permanecem um mistério até hoje. “Os governos têm excelentes razões para desejar que permaneçamos na escuridão. É nessas instalações secretas que, durante décadas, pesquisas clandestinas teriam sido realizadas”, garante Redfern, que é adepto de algumas teorias bastante heterodoxas. Ele e outros ufólogos e estudiosos desses locais não hesitam em ver em tudo isso explicações para lá de inusitadas: discos voadores abatidos, corpos de alienígenas, criaturas bizarras, manipulação do tempo, vírus letais e até controle mental estão entre elas, em histórias dignas de um episódio da consagrada série Arquivo X.

Teorias fascinantes à parte, é fato que a maior parte dessas bases secretas realmente existe e têm funções bastante enigmáticas. Algumas tiveram sua existência escondida por anos e outras até hoje, mesmo com tantas evidências, são negadas pelos governos de seus países. O que elas escondem? O que já fizeram? Quais são seus reais objetivos? Quem sabe, um dia tudo isso venha à tona. Airway apresenta a seguir algumas das bases mais intrigantes, o que se especula a respeito delas e sua localização no globo.



Base naval de Yulin, Ilha Hainan, China (https://goo.gl/maps/KjFGqBqGVqC2)

O poder militar da China já assusta o mundo há anos, mas a descoberta da base naval de Yulin em 2008 mostrou que a marinha do país tem planos ambiciosos. Localizado na ilha de Hainan, o complexo é impressionante. Além de servir como ponto de partida para a frota de submarinos nucleares chineses ela possui instalações subterrâneas acessíveis por um túnel que dá acesso ao interior de uma montanha. Acredita-se que até 20 embarcações possam ser protegidas no seu interior. E é um temor real: com recursos de sobra, o poderio militar chinês pode um dia se equiparar ao norte-americano.

Pine Gap, Northern Territory, Austrália (https://goo.gl/maps/CLS5k98xA182)

O nome oficial pouco diz sobre Pine Gap: “instalação de defesa conjunta”, mas a base localizada no centro da Austrália chama a atenção pela enorme quantidade de antenas. Ela é parte de um acordo entre o governo australiano e os EUA e é oficialmente uma estação terrestre de monitoramento de satélites. No entanto, um funcionário que trabalhou no local entre 1990 e 2008 decidiu escrever um livro sobre Pine Gap que acabou surpreendentemente autorizado pelo NSA, a agência de segurança nacional americana.

Obviamente, sem poder revelar muitos detalhes, David Rosenberg, o ex-analista, descreve o trabalho de análise de vários dados coletados por satélites que espionam países em que os EUA têm interesse em acompanhar. A ideia é saber o que nações que ameaçam o Ocidente estão fazendo em matéria de armamentos nucleares, por exemplo. Mas há quem diga que Pine Gap seria uma das bases do Echelon, um programa de espionagem mais amplo que capturaria comunicações comerciais e privadas em todo o mundo, numa espécie de big brother militar.

Estação de pesquisa HAARP, Alasca, EUA (https://goo.gl/maps/MRQDQRAutzp)

Localizada no Alasca, a estação de pesquisa HAARP é uma das favoritas dos fãs de conspirações. Discreta e instalada em meio ao nada, ela é oficialmente um complexo com 180 antenas que conseguem penetrar a ionosfera e assim permitir aos americanos um nível de patrulhamento do espaço aéreo sem igual. Mas para muita gente é lá que os EUA conseguiriam alterar o clima em países e até manipular a mente de outras pessoas. Curiosamente, HAARP não é considerada uma instalação secreta pelo governo norte-americano.

Complexo da Montanha Cheyenne, Colorado, EUA (https://goo.gl/maps/dPD2PphWjq22)

Outro endereço popular da Força Aérea dos Estados Unidos,  o complexo da Montanha Cheyenne foi construído para suportar uma hecatombe nuclear. Para isso foi escavada uma base de comando por dentro do maciço de granito da montanha. Portas de 25 toneladas selam o ambiente que pode suportar um grande número de militares em caso de conflito. É figurinha fácil em filmes de ação que mostram os líderes americanos no centro de comando de guerra, o NORAD (North American Aerospace Defense Command, Comando de Defesa Aeroespacial Norte-Americano).

Complexo da Montanha Raven Rock, Pensilvânia, EUA (https://goo.gl/maps/joLnuNuxACT2)

Também chamado de ‘Site R’, é um estrutura subterrânea semelhante a Cheyenne, porém, está próximo da residência de verão do presidente americano em Camp David, na Pensilvânia. Boatos dizem que existe um túnel de 6 km ligando as duas instalações para que o mandatário possa comandar o país em caso de uma guerra nuclear.

Hangar 18, Ohio, EUA (https://goo.gl/maps/DdYC1c822Zx)

A base aérea de Wright Patterson em Ohio é gigantesca. Possui quase 30 mil pessoas trabalhando além de familiares dos militares nas redondezas. Ou seja, ao contrário de outros endereços misteriosos localizados em lugares ermos, a base fica numa região povoada. No entanto, é nela que residem algumas das teorias conspiratórias mais antigas. Uma delas indica que a força aérea dos EUA (USAF) teria levado o óvni supostamente acidentado em Roswell em 1947 para lá. O local que foi usado para analisar o material é chamado de Hangar 18 e os corpos dos alienígenas estariam armazenados na ‘sala azul’, de acordo com essas teorias.

Wright Patterson, no entanto, tem uma ligação real com objetos voadores não identificados: foi nessa base que a força aérea americana desenvolveu os projetos ‘Sinais‘ e ‘Livro Azul‘ que investigaram os fenômenos aéreos não explicados que surgiram a partir da década de 1940. Obviamente, a conclusão oficial foi de que não se tratavam de alienígenas.

Um avião não-tripulado misterioso fotografado em ‘Plant 42’: base aérea é a fábrica de aviões secretos americanos (Reprodução)

Plant 42, Palmdale, Califórnia, EUA (https://goo.gl/maps/uhKbZP9pVDL2)

Nem todas as bases secretas “oficiais” ficam em áreas remotas. Um endereço é especialmente curioso nos EUA. Trata-se da “Fábrica 42”, uma base aérea em Palmdale, próxima a Los Angeles, e que é responsável pela construção da maior parte dos aviões avançados americanos.

As próprias fabricantes utilizam até hoje instalações no local para finalizar seus projetos como a Northrop Grumman e a Skunk Works, braço de projetos avançados da Lockheed Martin que criou célebres aviões como o caça F-117A e avião-espião SR-71 Blackbird.

Existe até um ditado a respeito dela: “O que voa na Área 51 é construído na Fábrica 42”.

Área 51, Nevada, EUA (https://goo.gl/maps/4xY7mYVpV2n)

É, de longe, o lugar que mais intriga os adeptos das teorias conspiratórias e não sem razão. Seu espaço aéreo é proibido, seus limites impedem que se fotografe ou filme a base com detalhes e tentar invadir seu perímetro pode significar sua morte – o governo tem autorização para atirar para matar, se necessário. Também chamada de Groom Lake (Lago Groom) ou Homey Port, a famosa Área 51 passou despercebida do público até que imagens de satélites a identificaram em meio ao estado de Nevada. O governo americano nem a reconhecia, mas hoje sabe-se que ela faz parte da base aérea de Edwards, onde vários testes de aviões avançados foram realizados após a Segunda Guerra.

Apenas em 2013 a CIA a reconheceu, mas seu propósito nunca foi esclarecido. É certo que o desenvolvimento de aviões secretos como o U-2, SR-71 e F-117A estiveram entre os objetivos principais, porém, tamanho mistério alimentou teorias sobre óvnis capturados e estudados em suas instalações, fato sempre negado pelo governo.

Para muitos ufólogos, a Área 51 tem como principal tarefa a engenharia reversa de naves capturadas na tentativa de adquirir conhecimento tecnológico. Para isso, acredita-se que a base não seja exatamente o local dessas atividades sigilosas e sim uma estrutura subterrânea ao sul chamada de S4, onde seriam realizados os estudos mais complexos. O americano Robert Lazar revelou ter trabalhado nessa área secreta no final dos anos 1980, onde afirmou ter visto vários discos voadores, criados por humanos e alienígenas, e que trabalhou na identificação das tecnologias usadas por eles – fatos desmentidos pelas autoridades.

Para evitar possíveis vazamentos e controlar a segurança da base, o governo mantém uma frota de jatos 737 que levam os funcionários do complexo a partir de Las Vegas em aviões sem identificação. Não é à toa que o local entrou no imaginário popular.

Foguete e cachorros usados nos primeiros lançamentos ao espaço dos russos: Área 51 soviética? (Ministério da Defesa da Rússia)

Base subterrânea de Zhitkur, Rússia (https://goo.gl/maps/Nq3CGUsJJUv)

Uma das mais misteriosas bases do mundo, considerada a “Área 51 soviética”, Zhitkur teria surgido por conta da pesquisa espacial, mas os boatos mais frequentes a associam a contatos alienígenas. Para evitar olhares curiosos, o governo soviético teria destruído uma cidade próxima.

A base subterrânea estaria localizada dentro dos limites de Kapustin Yar, a primeira instalação espacial soviética que surgiu logo após a Segunda Guerra e serviu como local de testes de tecnologia adquirida com o fim da Alemanha nazista. Foi de lá que partiram os foguetes que levaram os primeiros satélites Sputnik ao espaço.

Desde sua criação, há relatos de óvnis circundando a região e o ufólogos garantem que a antiga União Soviética derrubou ao menos um deles, que teria sido analisado em Zhitkur. O local ainda é responsável por lançamentos de mísseis balísticos, mas nada foi confirmado a respeito das instalações subterrâneas, embora supostas fotos do interior dela circulem em sites de ufologia.

Estação de Montauk, Long Island, EUA (https://goo.gl/maps/1e2KcXafGEF2)

É uma das teorias mais incríveis e ao mesmo tempo inverossímeis já divulgadas. Batizado com o nome Projeto Montauk seria uma série de experimentos do governo americano realizada em Camp Hero, mais tarde renomeada como a estação Montauk da força aérea. A base fica localizada no extremo leste de Long Island no estado de Nova York e lá teriam sido feito experiências com viagem ao tempo, teletransporte, entre outros.

O mais famoso caso seria o Experimento Filadélfia, conduzido pela marinha dos EUA com o destróier USS Eldridge em 1943 que teria feito o navio desaparecer graças a uma tecnologia baseada na teoria de “Campo Unificado” desenvolvida por Albert Einstein. Diz-se que destróier teria sido visto em alto-mar há centenas de quilômetros dali por algum tempo.

A história, se nunca chegou a ter alguma evidência de existir, serviu como inspiração para um filme, o “Projeto Filadélfia”, de 1984. Outra produção mais recente é apontada como inspirada na história, a famosa série Stranger Things, da Netflix, e que fez enorme sucesso com teorias conspiratórias a respeito de experiências de controle da mente.

Base subterrânea de Dulce, Novo México, EUA (https://goo.gl/maps/oxi4foKhQUs)

Perto das histórias a respeito de Dulce, a Área 51 parece apenas um conto de fadas. Supostamente localizada próxima a cidade do mesmo nome, ao norte do estado do Novo México, quase na fronteira com o Colorado, a hipotética base secreta veio à tona no final da década de 1970 quando um ufólogo Paul Bennewitz (1927-2003) dizia ter identificado comunicações entre alienígenas e militares americanos na região.

As evidências estariam em gado mutilado na região e nos constantes avistamentos não identificados. A alegada base seria um complexo subterrâneo com sete andares onde o governo americano faria experiências com híbridos de humanos com animais e alienígenas e humanos.

As histórias a respeito de Dulce beiram o nonsense: de batalhas entre ETs e soldados a contatos de 3º grau com alienígenas ‘mal cheirosos’. Até mesmo a localização da ‘base’ é curiosa: ficaria no subsolo de uma usina de energia de carvão mineral. Bennewitz foi considerado paranoico até por outros ufólogos, mas o autor do livro “Keep Out” acrescentou algumas informações um tanto curiosas sobre o assunto.

Nick Rendfern disse numa entrevista há alguns anos que o FBI havia liberado informações a respeito dessas mutilações de gado que eram secretas desde então. A poucos quilômetros do local onde se alega existir a base, o governo americano teria detonado um artefato nuclear de 29 quilotons em 1967 a cerca de 750 metros abaixo do solo com o intuito de liberar gás natural para produção. Segundo ele, por esse motivo ninguém na região pode escavar o subsolo sem autorização.

Território Apache próximo a Dulce: suposta base subterrânea e histórias sobre mutilação de gado (Christopher Nicol)

Difícil afirmar o que é possível acreditar em tantas informações espetaculares, mas o manto de mistério que os governos desses países criam em torno desses locais só faz aumentar as especulações sobre o que realmente acontece dentro deles. Para autor do livro sobre esses assuntos, “se discos voadores e alienígenas mortos estão sendo escondidos secretamente, se houver forças sombrias que manipulam o tempo para fins nefastos, se microbiologistas estão sendo sistematicamente assassinados e se, bem, a lista é longa, então precisamos saber!”, exige Rendfern.

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