Balão na mira: o Ballon Kanone foi a primeira arma anti-aérea da história (Domínio Público)

Balão na mira: o Ballon Kanone foi a primeira arma anti-aérea da história (Domínio Público)

Na primeira aplicação em massa dos aviões como instrumento militar, na Primeira Guerra Mundial, os lados em conflito sempre buscaram formas de derrubá-los. O mesmo também aconteceu com os balões, que estiveram sob a mira do “Ballon Kanone”, considerada a primeira arma anti-aérea da história.

No passado, o balão já foi uma “arma”. No decorrer da Guerra Franco-Prussiana, entre 1880 e 1881, os balões de hidrogênio eram os olhos do exército do antigo Império da França contra as tropas do Reino da Prússia, que havia cercado Paris.


Já ciente dos balões, utilizados pelos militares franceses há a quase 100 anos naquela época, a Prússia criou uma arma “anti-balão”, o “Ballon Kanone”, como foi chamado na França.

A arma era um canhão de 37 mm com mira telescópica fixado em um pedestal móvel, montado em uma carruagem. Puxada por cavalos, a plataforma com a arma podia ser rapidamente posicionada no campo e abrir fogo contra os balões franceses.

Relatos antigos falam sobre cinco balões franceses capturados pelos prussianos e outros três foram declarados desaparecidos. Porém, nunca foi confirmado se os objetos foram de fato abatidos pelo Ballon Kanone.

Balão de fuga

Durante o conflito contra Prússia, os franceses transportaram cerca de 160 passageiros e 2.500 cartas em 66 voos para fora do cerco em Paris, criando uma das primeiras linhas de comunicação e abastecimento aéreo, com cidades do interior.

A tela "Armand-Barbès", de Jules Didier e Jacques Guiaud, representa a "fuga" de Léon Gambett (Museu Carnavalet)

A tela “Armand-Barbès”, de Jules Didier e Jacques Guiaud, representa a “fuga” de Léon Gambett (Museu Carnavalet)

Grande parte dos ocupantes que viajavam nos cestos eram membros do alto escalão do governo, como o primeiro ministro francês na época, que fugiu para Tour de balão, onde tentou organizar em vão um novo exército. Em maio de 1981, a aliança formada pela Prússia e a antiga Confederação da Alemanha do Norte derrubou Napoleão III e decretou o final do sistema de governo monárquico na França.

Dois modelos originais do Ballon Kanone estão preservados na Alemanha. Um está exposto no Museu de História Militar de Dresden, e outro no “Deutsches Historisches”, em Berlim.

Balões na Guerra do Paraguai

Na Guerra do Paraguai (1865-1870), o exército brasileiro lutou em campos de batalha em grandes planícies, o que dificultava a visualização das posições paraguaias, entrincheiradas ao longo no terreno. Para obter alguma vantagem, as tropas brasileiras montavam “mangrulhos”, torres improvisadas construídas com madeira que alcançam no máximo 15 metros de altura. Mas o alcance era limitado.

Durante o conflito, o Marechal Duque de Caxias, comandante do exército brasileiro na segunda metade do conflito, pediu o auxílio de balões de observação. Aerostatos inflados com hidrogênio haviam sido aplicados com grandes resultados durante a Guerra de Secessão, nos Estados Unidos, entre 1861 e 1865. Os aparelhos eram operados pelas tropas de Abraham Lincoln para encontrar posições dos “Estados Confederados”.

Pintura sobre o primeiro voo de um balão na Guerra do Paraguai, em 25 setembro de 1867, em Tuiu- Cuê (Domínio Público)

Pintura sobre o primeiro voo de um balão na Guerra do Paraguai, em 25 setembro de 1867, em Tuiu- Cuê (Domínio Público)

Primeiro, em 1866, o comando nacional planejou construir seu próprio balão. O projeto contou com a ajuda do norte-americano Thadeu S. Lowe, criador de diversos balões utilizados na Guerra de Secessão. Mas ele não funcionou. No ano seguinte o Brasil importou dois aerostatos e outros dois geradores de hidrogênio, dos EUA.

O comando brasileiro também contratou dois balonistas “veteranos”, os irmãos americanos James e Ezra Allen, que participam na guerra civil nos EUA.

Ao todo, os balões brasileiros realizaram 20 “ascensões” na Guerra do Paraguai e a maior delas alcançou 140 metros. Os balões de reconhecimento militar, que ficavam presos por cordas no solo, ajudaram a revelar tropas do ditador Solano Lopez nas famosas batalhas de Humaitá e Curupaiti, entre outras ações, vencidas pela Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai.

Fonte: Historical Fire Arms

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