O Harbin Y-12 voa a velocidade de cruzeiro de 250 km/h e tem autonomia de 1.300 km (Divulgação)

O Harbin Y-12 voa a velocidade de cruzeiro de 250 km/h e tem autonomia de 1.300 km (Divulgação)

Preparado para voar pelo Brasil a bordo de um avião fabricado na China? “Posso te contar por experiência própria: voar em um avião chinês ou ocidental é a mesma coisa. A grande diferença é para quem compra esse tipo de aeronave, que é mais barata e tem um custo operacional mais baixo”, garantiu Jorge Santos, sócio-diretor da importadora JCranes, representante do grupo Aviation Industry Corporation of China (AVIC) no mercado brasileiro, em entrevista ao Airway.

A importadora planeja trazer em breve para o Brasil o bimotor turbo-hélice Y-12E, produzido pela Harbin Aircraft, uma das divisões da AVIC e ex-parceira da Embraer na China. “É um avião com grandes capacidades e que pode servir muito bem na aviação regional brasileira”, contou Santos. O avião chinês pode transportar até 18 passageiros ou cerca de 3.000 kg de carga e “consome só um pouco mais de combustível que o Caravan”, acrescentou o importador, se referindo ao famoso avião da Cessna, que é monomotor.


O Y-12 estreou no mercado em 1985 e desde então foram entregues 226 unidades, hoje operadas em 30 países por clientes civis e militares, como as forças aéreas do Paraguai, Peru e Guiana, citando apenas alguns exemplos na América do Sul.

Santos confirmou que o processo de homologação da aeronave com a ANAC começou em fevereiro deste ano, processo que normalmente leva um ano para ser concluído. “A certificação deve ser concluída no final deste ano ou no início de 2019. Com a homologação finalizada podemos trazer um avião de demonstração e voar pelo Brasil”, contou o diretor da JCranes, que ainda não definiu uma data para a chegada do avião ao país.

E a desconfiança do brasileiro, como fica?

Ao ser questionado sobre como a empresa pretende lidar com a desconfiança do brasileiro com produtos chinês, Santos foi enfático: “muita gente aqui no Brasil ainda tem esse pensamento sobre produtos chineses, mas isso só acontece por falta de conhecimento. Os chineses já estão presentes em diversos setores no Brasil, como em serviços de construção civil e fornecimento de maquinário industrial, todos de ótima qualidade. O tempo vai mostrar que isso também vale para os aviões. Depois que um cliente comprar e ver os benefícios que ele oferece, surgirão mais interessados.”

A versão de exportação do Y-12 é chamada pelo fabricante de "Twin Panda" (Divulgação)

A versão de exportação do Y-12 é chamada pelo fabricante de “Twin Panda” (Divulgação)

A importadora também tem uma estratégia para lidar com a falta de clientes na aviação regional, segmento ainda pouco disseminado no Brasil, apesar da enorme extensão territorial. “Se não surgir nenhuma empresa interessada em comprar o avião no Brasil podemos trazer investidores estrangeiros para o país e montar essas empresas”, afirmou Santos.

O segmento de transporte de cargas no Brasil é outro alvo do Y-12. “Já iniciamos conversas com empresas desse setor, como a DHL e a Fedex”, revelou o diretor da importadora.

O Y-12 é avaliado em cerca de US$ 5 milhões (R$ 20,3 milhões), cifra que não chega nem na metade do valor de aeronaves ocidentais com performances semelhantes, como o DHC-6 Twin Otter e o Dornier Do 226. Todas essas aeronaves ainda têm em comum a capacidade de operar em condições severas, como aeródromos sem pistas pavimentadas.

O Y-12 pode transportar até 18 passageiros (Business Aviation)

O Y-12 pode transportar até 18 passageiros (Business Aviation)

Fábrica no Brasil

Os planos da AVIC ainda incluem a construção de uma fábrica no Brasil. “Ainda estamos pesquisando um local para essa instalação. Alguns dos locais que já observamos foram Goiânia e o interior de São Paulo. Esse plano, porém, depende de uma melhora na economia brasileira. Se continuar como está é inviável”, contou Santos.

Assim como outros fabricantes de aeronaves presentes no Brasil, a representante da AVIC também está de olho na tão esperada recuperação da aviação geral brasileira, hoje com uma frota bastante envelhecida (quase metade dos mais de 11.000 aviões dessa categoria no país tem mais de 30 anos). Somente na categoria dos bimotores, na qual o Y-12 concorre, o diretor da importadora disse que há uma expectativa de vender mais de 200 aviões nos próximos anos. Resta saber de qual parte do mundo eles virão…

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