A318 da Avianca: Airbus pediu na Justiça devolução da aeronave

A318 da Avianca: Airbus pediu na Justiça devolução da aeronave (Joao Carlos Medau)

Se conseguiu manter-se em pé até a data do leilão até então previsto para esta terça-feira (7) e suspenso por um credor na Justiça, a Avianca Brasil agora enfrenta seu mais novo problema: a devolução dos seis aviões restantes que continuam a voar com ela. São quatro Airbus A318, o menor modelo da família A320, e dois A319 que sobraram após uma massiva debandada em sua frota nas últimas semanas.

Os quatro A318 pertencem ao braço de leasing da Airbus que entrou com um pedido no Tribunal de Justiça de São Paulo nesta semana para reavê-los. O processo, que tem tramitação prioritária e valor de R$ 3,5 milhões, está nas mãos da juíza Paula Formoso que até esta quarta-feira ainda não havia emitido nenhum parecer. Após a suspensão do leilão, requisitada pela empresa Swissport no dia 6, as chances de os credores da Avianca receberem algum valor ficou praticamente impossível. O argumento da também credora é que os slots (autorizações de pouso e decolagem em aeroportos mais movimentados) é ilegal já que se trata de uma concessão do governo – sem aviões próprios, os slots de voos eram praticamente o único “ativo” da companhia aérea.


Enquanto aguarda a decisão da Justiça, a Avianca pode perder seus outros dois aviões, pertencentes às empresas Aircol e Jackson Square Aviation. Segundo um relatório que acompanha diariamente a disponibilidade de aeronaves comerciais, o My Air Trade, os jatos A319 de prefixos PR-AVB e PR-AVD devem ser devolvidos aos arrendadores em breve: “provável devolução ao locador em breve (a partir de maio de 2019)” diz a descrição de ambos.

Aviões repassados para as concorrentes

Desde que entrou com pedido de recuperação judicial em dezembro de 2018, a frota da Avianca despencou de mais de 50 aviões para apenas seis aeronaves. Até então, a companhia aérea empreendia um plano de expansão ousado que incluía aviões modernos como o A320neo e a estreia em rotas intercontinentais como Nova York e Miami. Mas foi justamente após entrar na disputa do mercado internacional que a companhia passou a apresentar problemas financeiros.

A Avianca Brasil agora opera o A330 em versões de passageiros e carga (Avianca)

A expansão internacional culminou com o início dos problemas financeiros (Avianca)

Com um custo de operação mais alto que suas concorrentes, a Avianca também não tinha o hábito de se proteger das oscilações do dólar e do preço do querosene, por exemplo, algo mandatório diante do impacto que eles têm nos custos de operação. Quando o pagamento do aluguel de suas aeronaves começou a atrasar e sem gerar caixa suficiente para mantê-los a companhia apelou para a recuperação judicial a fim de ganhar tempo para uma possível injeção de recursos. Mas nada disso ocorreu. Pelo contrário, outras companhias ligadas ao grupo Synergy como a operação argentina e mesmo a Avianca original, da Colômbia, passaram a apresentar dificuldades também.


Largada à própria sorte, a Avianca Brasil, na verdade, OceanAir, tentou com a criação das UPI (Unidades Produtivas Isoladas) sua última cartada. Mas a disputa pelos slots por LATAM, Gol e Azul e os desentendimentos entre os credores culminaram por emperrar o processo. Enquanto isso, seus aviões alugados acabaram parando em grande parte nas rivais LATAM e Azul. Tudo leva a crer que o Brasil terá em breve mais uma entre tantas companhias aéreas falidas.

Parte dos A320 que voaram pela Avianca estão com suas concorrentes LATAM e Azul

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