A318 da Avianca: Airbus pediu na Justiça devolução da aeronave

O A318 prefixo PR-AVL é um dos aviões que a Airbus quer retomar da Avianca (Joao Carlos Medau)

O calvário da Avianca Brasil ainda persiste, embalado pelas disputas entre seus credores que tentam há meses aprovar um plano de recuperação, cada vez mais improvável. Mas ao menos um desembargador da Justiça de São Paulo deu um passo no sentido de resolver parte do impasse da companhia aérea pré-falimentar. O magistrado Ricardo Negrão, da 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, intimou a OceanAir (nome real da empresa) a devolver para a Airbus sete aeronaves A318 que ainda estão com ela.

A decisão veio após outras instâncias da Justiça terem ordenado que a Avianca Brasil entregasse os jatos para o braço de arrendamento da fabricante europeia. A companhia aérea, no entanto, se negou a cumprir a ordem judicial alegando que isso impediria que ela pudesse cumprir o plano de recuperação judicial.


A Avianca Brasil deixou de voar em maio passado após a ANAC considerar que a empresa não atendia às normas de segurança mínimas. Semanas depois, a agência de aviação civil suspendeu a concessão da companhia para exploração do transporte aéreo de passageiros e carga. No fim de julho, seus slots em Congonhas foram repassados para a Azul, MAP e Passaredo.

A empresa, que operava uma frota de mais de 50 aviões em dezembro do ano passado, quando pediu recuperação judicial, voava com apenas seis aeronaves em maio, dois A319 e quatro A318. No entanto, a Avianca mantinha outros quatro A318 sem condições de voo, um deles desde 2015 (prefixo PR-ONP, estacionado em Congonhas).

A Airbus tenta retomar esses oito A318 dos quais apenas um foi enviado para a França (PR-AVJ). Dos sete restantes, quatro estariam sem condições de voar, o PR-AVL, que está no Aeroporto de São José dos Campos, o PR-ONR, em Brasília, e o PR-ONC e PR-ONI, parados em Congonhas desde que os voos da Avianca foram suspensos.

Na petição, a Airbus exige também a devolução de motores PW6000 e outros equipamentos, mas a situação desses itens é desconhecida. O A318 prefixo PR-ONO, por exemplo, foi fotografado pelo Airway neste ano sem os turbofans e com o bordo de ataque do estabilizador vertical ausente. A Avianca também mantém outros dois jatos em Congonhas em estado precário de conservação, o PR-ONR (parado desde junho de 2018) e o PR-ONH (sem voar desde fevereiro de 2017).

O A318 PR-ONO foi fotografado pelo Airway meses atrás sem os motores e parte do estabilizador vertical em São José dos Campos (Thiago Vinholes)

Prejuízo certo

Apesar da expectativa de voltarem para a Airbus, esses aviões têm demanda muito baixa por conta do custo elevado de operação e de precisarem de reformas consideráveis para voltarem a ter condições de operar. Por essa razão, parece pouco provável que a empresa pretenda oferecê-los no mercado de leasing, ao menos em sua maior parte. Ao contrário do A318, os outros aviões da Avianca tiveram boa aceitação e logo foram transferidos para outras companhias como as antigas rivais Azul e LATAM que hoje voam com modelos A320.

Confira abaixo onde estão os oito A318 da Airbus*:

Modelo Prefixo Situação Localização atual
A318 PR-ONP Estacionado desde 2015 Congonhas
A318 PR-AVJ Devolvido em agosto França
A318 PR-AVL Estacionado desde maio São José dos Campos
A318 PR-ONO Estacionado desde julho de 2017 São José dos Campos
A318 PR-ONI Estacionado desde maio Congonhas
A318 PR-ONH Estacionado desde fevereiro de 2017 Congonhas
A318 PR-ONC Estacionado desde maio Congonhas
A318 PR-ONR Estacionado desde junho de 2018 Brasília
* Segundo dados que constam do site Planespotters.

Imagem de satélite do hangar da Avianca em maio de 2019, mês em que a companhia deixou de voar (Google Earth)

Veja também: Por que o Airbus A318 foi um fracasso de vendas