Airbus A320 da Avianca

A Avianca Brasil, companhia aérea pertencente ao grupo Synergy (que também é proprietário da Avianca Colômbia e que não tem relação direta com a homônima brasileira), anunciou nesta terça-feira (11) que deu entrada no pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A razão alegada pela empresa é a ameaça de ver pelo menos 11 dos seus 55 aviões retomados pelas empresas de leasing que reclamam de atrasos no pagamento. Sem esses aviões, a Avianca teria de cancelar dezenas de voos justamente no período de alta estação quando os aeroportos estão cheios.

O pedido de concordata, quando a empresa obtém um prazo para negociar suas dívidas sem que isso implique na possibilidade de falência, ocorre um dia depois que a empresa de leasing Aircastle declarou para a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, órgão que controla companhias com ações na bolsa, que está reavendo 10 aeronaves Airbus A320-200 e um A330-200 da Avianca. O motivo mencionado é a falta de pagamentos da companhia aérea.


Além dos aviões da Aircastle outros dois A320 pertencentes à BOC Aviation também estão sendo requisitados pelo arrendatário que apelou para a Justiça brasileira para evitar que aeronaves sejam utilizadas.

Questionada, a Avianca Brasil explicou por meio de nota que “devido à resistência de arrendadores de suas aeronaves a um acordo amigável, entrou com um pedido de recuperação judicial para proteger os seus clientes e passageiros. Como primeira decisão da Justiça, teve seus pedidos garantidos, como a liberação de sua frota para o cumprimento de todos os voos programados, nos aeroportos onde opera. A companhia reforça que suas operações não serão afetadas. Os passageiros podem ter absoluta tranquilidade em fazer suas reservas e adquirir seus bilhetes, pois todas as vendas serão honradas e os voos mantidos. A Avianca Brasil continuará atendendo todos clientes, voando para todos os destinos com a qualidade e excelência pela qual é conhecida”.

Expansão e serviço elogiado

Os problemas com as aeronaves arrendadas ocorrem justamente num período em que a Avianca Brasil expandiu seus serviços e passou a voar para mais destinos no exterior. Com os widebodies A330-200, dos quais existem cinco na frota, a empresa aérea pode lançar voos para Nova York, Santiago do Chile e Miami. A companhia também é frequentemente elogiada pelo serviço de bordo e outras amenidades que a fizeram ser reconhecida como a melhor do setor no país.


No entanto, a justificativa apontada pela Avianca sobre os problemas com o leasing dos aviões foi o mesmo de suas concorrentes, os altos valores cobrados pelos combustíveis. Apesar disso, a companhia aérea, 4ª maior do país, foi a que mais cresceu em número de passageiros transportados em 2017. Enquanto o mercado como um todo cresceu 2% a Avianca avançou 18% – foram quase 1,5 milhão de passageiros a mais do que em 2016 apenas nas rotas nacionais. A participação da empresa passou de 8,6% para 10%, praticamente metade do que transportou a Azul, terceira colocada.

Atualizado às 20h40 para acrescentar a resposta da Avianca Brasil.

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O A330 da Avianca tem capacidade para transportar 238 passageiros em duas classes (Avianca)

Os cinco A330 da Avianca permitiram que a empresa voasse para destinos concorridos no exterior (Avianca)