Tecnologias desenvolvidas pela Boeing no Brasil serão aplicadas em futuras atualizações de seus produtos, como o 787 (Boeing)

A medida do FAA afeta 14 jatos Boeing 787 registrados nos EUA  (Boeing)

O FAA, agência de administração de aviação civil dos Estados Unidos, emitiu nesta semana uma “diretiva de aeronavegabilidade” para os jatos Boeing 787-8 e 787-9 limitando a distância que algumas das aeronaves podem voar de um “aeroporto diversionário”. Esses são pontos já definidos em todos os planos de voo e preveem onde o avião pode pousar (ou divergir) no caso de alguma adversidade alterar o destino original da viagem.

A medida vale apenas para os 787 Dreamliner equipados com motores turbofan Rolls-Royce da série Trent 1000. De acordo com o FAA, a diretiva afeta 14 aeronaves registradas nos EUA. A decisão do órgão americano é semelhante a ação tomada pela agência europeia de aviação (EASA), que limitou a operação de voos longos sem cobertura de aeroportos para cerca de 350 motores.



Antes desta diretiva, um 787 com motor RR era autorizado a voar até 330 minutos de voo de um aeroporto diversionário. Com a medida, o limite baixou para 140 minutos.

Como o Boeing 787 é um avião com dois motores projetado para percorrer longas distâncias, o FAA (e outras agência reguladoras de aviação pelo mundo) exige que ele atenda aos requisitos de “Operações de Bimotores de Alcance Estendido” (ETOPS). Essa certificação determina quanto tempo a aeronave pode voar com apenas um único motor no caso do outro falhar.

Segundo o FAA, houve uma “série de falhas” com esses motores no último ano. O motor Rolls-Royce usado no 787 pode apresentar problemas nas lâminas do estágio 2 do compressor de pressão intermediária, causado por vibração excessiva. A agência explica que as vibrações podem resultar em “danos acumulados por fadiga que podem causar falha da lâmina e consequente desligamento do motor”.

Apesar do pouco impacto no mercado americano, a medida do FAA afeta os aviões equipados com motores Rolls-Royce de outros países que voam para os EUA. Cerca de 25% das empresas que operam o 787 usam motores da fabricante britânica, enquanto os demais são impulsionados por turbofans General Electric, produzidos nos EUA.

Algumas das companhias aéreas que voam o 787 com motores Rolls-Royce são a ANA, Air New Zealand, British Airways e a Latam Airlines. Nos EUA, os principais operadores do Dreamliner, a American Airlines e United, utilizam propulsores General Electric.

Cada motor RR Trent 1000 do Boeing 787 custa mais de US$ 40 milhões (Divulgação)

A diretiva do FAA não impede que o 787 faça voos longos, mas para isso a aeronave precisa alterar sua rota reduzindo a distância de aeroportos onde possa pousar no caso de alguma falha de um dos motores. Essa mudança, porém, pode aumentar o tempo de viagem e, consequentemente, o consumo de combustível do avião, interferindo no rendimento financeiro e operacional das companhias. O bimotor da Boeing pode percorrer mais de 14.000 km.

A Rolls-Royce ainda não tem uma solução definitiva para o problema que pode afetar o motor Trent 1000. Por isso, a medida do FAA também exige que os motores do 787 envolvidos na ação passem por mais inspeções, agora a cada 80 voos. Os modelos com motores GE são inspecionados a cada 200 voos.

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