Entre as décadas de 1970 e 1980, o Kfir foi o principal caça de Israel (Foto - IAF)

Entre as décadas de 1970 e 1980, o Kfir foi o principal caça de Israel (Foto – IAF)

A combalida Força Aérea Argentina (FAA) poderá em breve receber um reforço importante de aeronaves. Segundo o site Flightglobal, o governo de Buenos Aires finalizou um longo período de “avaliação preliminar” para compra de um lote de caças Kfir, fabricados pela Israel Aerospace Industries (IAI). A Argentina planeja adquirir cerca de 18 aparelhos.

O caça analisado pelos militares argentinos é o Kfir “Block 60”, versão que foi usada pela força aérea de Israel entre 1975 e 1994. São portanto, aeronaves de segunda mão. Alguns desses aviões, no entanto, estão sendo oferecidos com motores revisados, ao passo que outros ainda precisariam passar por esse processo de atualização para prolongar sua vida útil.


Os Kfir oferecidos a Argentina ainda possuem radar de varredura eletrônica, que pode acompanhar até 64 alvos em terra ou no ar simultaneamente. O equipamento ainda possui sistema “aberto”, permitindo que o cliente possa desenvolver e integrar novas funcionalidades.

Como relata a página, a Argentina apresentou uma lista de modificações técnicas para as aeronaves que pretende adquirir. A negociação, no entanto, ainda não foi concluída.

A FAA ainda possui uma frota com 11 caças Kfir de primeira geração (conhecidos como Nesher), alguns veteranos da Guerra das Malvinas, de 1982. Essas aeronaves, no entanto, estão em condições precárias e raramente voam.

Kfir, o protetor de Israel


Em 1967, logo após a Guerra dos Seis Dias, Israel enfrentou um embargo de vendas de armas imposto pela França, que era sua tradicional fornecedora de material bélico. Cercado de ameaças e precisando reforças seu arsenal, o país decidiu desenvolver de forma independente seu próprio caça-bombardeiro.

O Kfir é uma transformação radical (e até mais avançada) do caça francês Dassault Mirage III/5. Seu desenvolvimento começou de forma secreta e em várias fases Israel conseguiu desenhos de projetos de sistemas e motores por meio de ações de espionagem.

A aeronave da IAI foi uma das mais letais em conflitos que aconteceram na década de 1970 e 1980, em especial da Guerra do Yom Kippur, quando os Kfir abateram mais de 100 aviões do Iraque, Síria e Egito, praticamente aniquilando as forças aéreas desses países por quase uma década.

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A Força Aérea da Colômbia é outro usuário do caça israelense (Foto - FAC)

A Força Aérea da Colômbia é outro usuário do caça israelense (Foto – FAC)

Apesar de seus quase 50 anos de idade, o Kfir continua sendo um dos caças mais eficazes da atualidade. A aeronave pode voar a velocidade máxima de 2.440 km/h e tem alcance de 800 km com uma carga bélica (entre mísseis, bombas e foguetes) de 6.085 kg. Além da Argentina, o caça israelense também é utilizado na Colômbia, Equador e Sri Lanka.

O F-5 da FAB perde para o Kfir em questões de velocidade e carga bélica (Foto - FAB)

O F-5 da FAB perde para o Kfir em questões de velocidade e carga bélica (Foto – FAB)

Brasil fica para trás

Caso a compra dos caças Kfir seja de fato concretiza em breve, a Força Aérea Argentina terá um caça-bombardeiro com maior capacidade em relação ao Nortrop F-5, que é atualmente a única aeronave supersônica da Força Aérea Brasileira (FAB), capaz de atingir cerca de 1.700 km/h. Além disso, o principal caça do Brasil leva apenas a metade da carga bélica do Kfir.

Os novos caças da FAB, o Saab Gripen NG, têm previsão de entrega somente para 2019. O contrato, que ainda não foi assinado, prevê a compra de 36 aeronaves de última geração.