O FA-50, versão de combate do treinador avançado sul-coreano: Argentina pode comprar 10 caças para sua defesa aérea (ROKAF)

A Argentina pode estar próxima de preencher uma lacuna em sua defesa aérea que está vazia desde o final de 2015 quando aposentou seus Dassault Mirage III. O presidente do país, Mauricio Macri, estaria em negociações adiantadas com seu colega sul-coreano Moon Jaen-in para a compra de 10 caças leves FA-50 Fighting Eagle, fabricados pela Korea Aerospace Industries.

De acordo com a imprensa argentina, o negócio, de cerca de US$ 200 milhões (R$ 750 milhões) inclui um simulador e armamento além dos 10 caças. Os dois primeiros aviões seriam entregues ainda em 2019 para substituir os aviões subsônicos de ataque McDonnell Douglas A-4AR Skyhawk, hoje utilizados na função por falta de opções.


A FAA (Fuerza Aerea de Argentina), no entanto, também é cortejada pela italiana Leonardo, que tenta convencê-la a comprar o rival M-346FA. Em comum tanto o FA-50 quanto o M346 foram desenhados como treinadores avançados com capacidade supersônica. Mas seus fabricantes vislumbram oportunidades de negociá-los em versões de combate leve.

Derivado do F-16

O avião sul-coreano, inclusive, é derivado do caça F-16, da Lockheed Martin, que participou do projeto original, voltado ao treinamento avançado. Ele possui vários componentes em comum com o jato norte-americano e é possível notar sua semelhança sobretudo na cauda. O FA-50 utiliza um motor GE F404 feito sob licença pela Samsung. Trata-se do mesmo turbofan com pós-combustor utilizado pelo F/A-18, rival do F-16.

O FA-50 foi desenvolvido na Coreia do Sul com a ajuda da Lockheed Martin (KAI)

Seus sistemas são bastante avançados e incluem fly-by-wire, conceito HOTAS, HUD de largo campo de visão, sistema de navegação inercial e radar pulso doppler.


O FA-50 é a variante de combate leve com dois assentos já que a KAI chegou a propor um caça monoposto, mas ele não chegou a ser construído. Entre os armamentos que pode transportar estão o míssil ar-ar AIM-9 Sidewinder, bombas inteligentes e mísseis ar-terra, além de um canhão interno de 20 mm.

Sua velocidade máxima, de Mach 1.5 (1.852 km/h ao nível do mar), não se equipara a do Mirage, porém, é um caça mais adequado para a realidade argentina, que hoje vive uma crise econômica prolongada.

O país, que já teve uma força aérea melhor equipada no passado, atualmente possui apenas cerca de 20 A-4AR na função de combate aéreo, a qual não são apropriados, além de alguns treinadores IA-63 Pampa, fabricados na Argentina. A grande questão é obter um financiamento para adquirir os novos aviões diante da falta de crédito do país.

O italiano M-346FA também disputa o interesse da Argentina (Leonardo)

Preço em conta

Apesar disso, trata-se de um negócio bem mais barato do que o programa F-X2 brasileiro, embora não se compare em capacidade bélica e tecnologia. Enquanto cada caça brasileiro Saab Gripen E/F custou o equivalente a US$ 150 milhões em valores de 2014 a Argentina pagaria apenas US$ 20 milhões por cada FA-50.

Sem dúvida alguma, não é a aeronave que nosso vizinho ambiciona ter para ser seu vetor de defesa aérea, mas trata-se de uma situação bastante melhor do que colocar os antigos A-4 nessa importante função.

As negociações com a KAI são antigas, tendo sido iniciadas em 2016, assim como outras sondagens que mostram como o assunto é incômodo internamente – até mesmo os caças sino-paquistanes JF-17 chegaram a ser cogitados assim como Mirages F1 usados. Ainda de acordo com jornalistas argentinos, o governo Macri faz silêncio sobre o assunto, mas em ano de eleições em que o atual presidente tentará a reeleição, trata-se de um tema sensível aos eleitores.

Os aviões de ataque A-4AR Skyhawk assumiram a defesa aérea argentina por falta de opções (Chris Lofting/Wikimedia)

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