Pucará Fénix: nova versão é projetada para missões de vigilância (FAA)

Em agosto deste ano, a Fuerza Aérea Argentina (FAA) havia anunciado que seus antigos IA-58 Pucará seriam retirados de serviço após 44 anos de carreira. Os argentinos, porém, estavam blefando: o avião veterano da Guerra das Malvinas vai renascer.

Durante a cerimônia de desativação da aeronave na base aérea de Reconquista, realizada no dia 4 de outubro, a FAA apresentou o primeiro “Pucará Fénix”, versão reformulada do clássico avião militar produzido da Argentina. Agora fora de funções de ataque, o papel da aeronave será operações de vigilância e patrulhamento de fronteiras.


A lista de novidades no Pucará Fénix é extensa. As alterações mais importantes são a troca de motores (saem os Turbomeca Astazou e entram os Pratt & Whitney Canada PT-6A-62), adoção de hélices de quatro pás (antes eram três) e um avançado “kit” de sensores de busca, incluindo uma torre de FLIR (sensor eletro-óptico/infravermelho), radar de abertura sintética, laser designador de alvos e sistema de comunicação por satélite.

A conversão do Pucará Fénix foi realizada pela FAdeA (Fábrica Argentina de Aviones), antiga FMA (Fábrica Militar de Aviones), fabricante que projetou o Pucará. O comando militar argentino ainda planeja modificar mais duas aeronaves com o novo padrão.

“As informações que o sistema (Pucará Fénix) disponibilizará para as forças armadas permitirá que, em caso de conflito ou guerra, menos aeronaves implantadas e menos partidas sejam necessárias para neutralização do mesmo objetivo, o que na etapa anterior, só era reconhecido visualmente antes de ser identificado e atacado, enfraquecendo a eficácia das ações e evitando a sinergia necessária dos sistemas”, explica a força aérea argentina, que pretende manter a nova versão do Pucará em operação por mais 15 ou 20 anos.


Veterano de guerra

O Pucará é sem dúvida o avião mais importante já construído na Argentina. Desenvolvido no final dos 1960 para combater as guerrilhas argentinas durante o regime militar no país, o bimotor de ataque voou pela primeira vez em 20 de agosto de 1969, mesma época que a Embraer dava seus primeiros passos com o Bandeirante.

Introduzido pela força aérea argentina em 1975, a aeronave logo enfrentou combates locais, enfrentando rebeldes. Mas foi na Guerra das Malvinas, em 1982, que o Pucará ficou mundialmente conhecida ao enfrentar as forças militares do Reino Unido.

Os Pucará representavam uma das principais ameaças ao desembarque das tropas britânicas (FAA)

Os Pucará representavam uma das principais ameaças ao desembarque das tropas britânicas (FAA)

O Pucará, inclusive, obteve a única vitória argentina confirmada no ar ao abater um helicóptero Scout dos fuzileiros britânicos. No fim do conflito, vencido pelo Reino Unido, nada menos que 11 aeronaves foram capturadas, parte delas enviada para o país e exposta até hoje em museu.

O Pucará começou a ser construído em série pela FMA em 1974 e a linha foi encerrada em 1999. Ao todo, foram produzidos 107 unidades. O avião argentino também foi exportado para a Colômbia, Uruguai e Sri Lanka.

Veja mais: As flechas argentinas