O jato argentino de treinamento IA-63 Pampa: na mira do L-159 (Esteban Vermaasen)

O ministério da defesa da Argentina avançou neste mês com as negociações para a venda de seis aeronaves IA-63 Pampa III para força aérea do Paraguai e outros dois modelos iguais para a Guatemala, reportou o site de notícias argentino Infobae. O acordo com as nações latino-americanas pode render a fabricante da aeronave, a FAdeA, cerca de US$ 130 milhões.

Segundo fontes do ministério argentino ouvidos pela publicação, uma delegação argentina se reuniu com autoridade militares paraguaias no final de abril para negociar o acordo. “Foi uma reunião em que houve muito harmonia e predisposição do Paraguai para avançar na compra de seis aviões Pampa”, confirmou um alto funcionário do ministério da defesa argentino ao site.


A negociação de seis aviões Pampa ao Paraguai é avaliada em US$ 110 milhões. A proposta da Argentina aos paraguaios ainda deve incluir contratos separados para o treinamento de pilotos e gerenciamento das aeronaves.

Ao mesmo tempo, as fontes ouvidas pela publicação ainda ressaltaram que houve “importantes avanços” no contrato com a força aérea da Guatemala para de duas aeronaves, ao custo de US$ 25 milhões, que poderão se entregues antes do final deste ano.

Essas negociações com a Guatemala foram iniciadas em 2018 e os gastos com as aeronaves já estão previstos no orçamento militar do país da América Central.

Os acordos com o Paraguai e Guatemala vem avançando ao mesmo tempo em que a Argentina vem promovendo a FAdeA no mercado externo. Além desses países, o jato argentino também é oferecido às forças armadas de Bolívia, Uruguai, México, Peru, Equador, Honduras, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.


Flecha argentina

O Pampa é o filho mais novo de uma antiga linhagem de caças a jato fabricados pelos argentinos – a Argentina foi um dos países pioneiros na construção de jatos.

A aeronave foi desenvolvida entre o final dos anos 70 e início dos 80 para atender um pedido da Fuerza Aérea Argentina (FAA) para um novo avião de treinamento avançado. O primeiro protótipo voou em 6 de outubro de 1984.

O presidente Mauricio Macri vem promovendo o Pampa em suas viagens diplomáticas (Casa Rosada)

O avião foi desenvolvido originalmente pela FMA (Fábrica Militar de Aviones), criada pelo governo da Argentina, e posteriormente renomeada como FAdeA (Fábrica Argentina de Aviones). A fabricante argentina ainda teve ajuda da alemã Dornier no início do projeto. Não por acaso, o design do Pampa tem forte influência do Alpha Jet e parece uma versão reduzida do jato anglo-francês.

A demora na introdução da aeronave e a continuação de seu desenvolvimento, porém, são grandes manchas na carreira do Pampa. Programas de modernização e sua implementação na FAA sempre atrasaram ou foram cancelados. Em mais de três décadas de produção, menos de 30 aviões foram entregues.

Todos os Pampa ficam baseados na base da FAA em Mendoza, onde operam como aviões de treinamento avançado. O jato argentino também tem certa capacidade de combate, com opções de ser armado com um canhão de 30 mm, bombas e foguetes.

O 'Pampa', produzido pela FMA, entrou em operação na Argentina em 1988 (FAA)

O Pampa entrou em operação na Argentina em 1988; jato é avaliado em US$ 12 milhões (FAA)

Nos anos 90, o Pampa viveu um de seus maiores momentos de evidência quando concorreu no programa de aeronaves de treinamento primário da força aérea dos Estados Unidos. Nessa época, a ainda FMA era controlada em forma de concessão pela Lockheed Martin. O grupo entrou na disputa com o Pampa 2000, mas o avião argentino perdeu para o turbo-hélice T-6 Texan II, da Beechcraft.

A versão mais recente da aeronave, o Pampa III, pode utilizar praticamente todo o leque de armas do A-4AR, versão argentina do veterano caça-bombardeiro A-4 Skyhawk. As duas aeronaves compartilham o mesmo software de armamentos. As duas primeiras unidades do novo Pampa foram entregues em fevereiro deste ano.

Veja mais: Argentina recebe caças navais Super Étendard comprados da França