Boeing 777-200 da American em Miami: retorno do terceiro voo diário para São Paulo (Venkat Mangudi)

Pode ser apenas uma enorme coincidência, mas o anúncio de que a American Airlines decidiu retomar seu terceiro voo diário entre São Paulo e Miami ocorrer poucos dias após o rompimento da parceria entre a companhia aérea e a LATAM não deixa de ser curioso. Sob o título de “American Airlines consolida liderança em Miami e amplia voos para a América Latina”, o comunicado enviado nesta segunda-feira revela que também Santiago do Chile (sede da LATAM) passará a contar com um voo adicional a partir do final de 2019.


Segundo a American, o novo voo, cujo horário e data exata de início ainda não foram revelados, estará disponível para a compra a partir do dia 7 de outubro e será operado com aviões Boeing 777-200. Esse terceiro voo era realizado até agosto do ano passado em período diurno, quando a companhia aérea decidiu reduzir sua malha no Brasil, que incluiu o fim da rota para Belo Horizonte, e a extinção dos voos entre o Rio de Janeiro e as cidades de Dallas e Nova York.

“A posição de liderança da American em Miami é algo do qual estamos extremamente orgulhosos e determinados a manter”, afirmou Vasu Raja, vice-presidente da divisão de planejamento de voos da American. “Temos um amplo leque de possibilidades partindo de nossos hubs na América Latina e estamos empolgados com a oportunidade de usar nossa rede doméstica para melhorar nossa rede internacional. Continuaremos a crescer, competir e prosperar em uma região do mundo onde temos uma longa história e um futuro promissor”, completou o executivo.

A ênfase na liderança em Miami não é à toa. A ligação entre São Paulo e Miami é hoje tarefa apenas da American Airlines e da LATAM. Como parceiras, as duas empresas ofereciam quatro voos diários em aeronaves 777 e compartilhavam conexões no hub do Aeroporto Internacional de Miami. Além delas, a Azul voa para Fort Laudardale, na mesma região, e a Avianca fazia a mesma rota até encerrar suas operações internacionais em março.

Sinal do que vem por aí


Embora seja natural que a American volte a ter três voos entre as duas cidades, agora que a LATAM fechou uma parceria estratégica com a rival Delta Air Lines é de se esperar que o clima de colaboração seja substituído pela competição à medida que a malha de voos da companhia sul-americana passe a se adequar à da nova sócia.

A Delta, no entanto, tem poucos voos a partir de Miami, parte deles para destinos já atendidos pela LATAM. Ou seja, a maior cidade da Flórida deve passar a ter um público com destino final na região em vez de ser um hub como hoje. Para aproveitar a malha da Delta, a LATAM teria de voar para Atlanta, onde a nova parceira tem sua maior operação nos EUA.

Ainda é cedo, no entanto, para compreender o impacto dessa mudança surpreendente anunciada na semana passada. O processo deverá levar bastante tempo e as empresas envolvidas já garantiram que honrarão antigos compromissos durante a transição.

A350 da LATAM em Miami: ex-parceira acirra competição pela rota (Miami Airport)

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