A COMAC já tem mais de 700 pedidos pelo C919 (VM2008)

A COMAC já tem mais de 700 pedidos pelo C919; estreia comercial do jato é prevista para 2020 (VM2008)

O jato comercial chinês Comac C919 voltou a voar nesta quinta-feira (28), precisamente 146 dias depois de seu voo inaugural, nos céus de Xangai. Segundo o fabricante, o novo teste durou 2 horas e 46 minutos, o dobro comparado ao primeiro voo do modelo realizado em maio, e a aeronave alcançou 10.000 pés (3.050 metros) de altitude.

Em declarações recentes, Wu Guanghui, diretor de design da Comac, revelou que o jato apresentou uma série de problemas após o primeiro voo. O executivo afirmou, sem dar detalhes, que as falhas não foram de responsabilidade da fabricante, dando sinais de que a culpa pela demora no desenvolvimento do avião é dos fornecedores de componentes.


A Comac trabalha para tornar o C919 operacional até 2020, prazo que dificilmente deve ser alcançado. Originalmente, no lançamento do programa em 2008, a fabricante previa a primeira entrega para 2016.

Apesar de ainda estar longe de entrar em operação, a Comac não para de acumular pedidos pelo C919. Somente neste mês, a empresa recebeu 130 encomendas pelo jato, de grupos de leasing de aeronaves da China. Ao todo, a fabricante já soma 716 ordens pelo avião, a maioria de empresas chinesas – a única exceção é a GECAS, grupo de leasing dos Estados Unidos, com um pedido firme por 10 aeronaves e opção para mais 10 unidades.

O C919 foi concebido para competir com os tradicionais Airbus A320 e Boeing 737, atualmente os jatos comerciais mais vendidos no mundo. O modelo chinês tem especificações similares às dos concorrentes ocidentes, como a autonomia para voos de 4.000 km e capacidade para até 170 passageiros (na configuração de alta densidade).

Super atrasado: o C919 foi apresentado em 2015; primeiras entregas eram previstas para 2016 (Xinhua)

Super atrasado: o C919 foi apresentado em 2015; primeiras entregas eram previstas para 2016 (Xinhua)

Foco na China


A meta da Comac com o C919 é tomar para si nas próximas duas décadas um terço do mercado chinês de jatos narrowbody (fuselagem estreita) e mais um quinto desse filão no mercado global, o que representa cerca de 2.500 aeronaves – a demanda mundial nesse período será de aproximadamente 5.600 aviões de fuselagem estreita.

O avião chinês tem a seu favor o preço mais em conta, abaixo da média de US$ 97 milhões dos tradicionais Airbus A320 e o Boeing 737, e o enorme mercado chinês, que tende a dar preferência ao modelo nacional. A disseminação mundial do C919, porém, vai exigir certificações de importantes órgãos de aviação internacionais, como a EASA, na Europa, e o FAA, nos Estados Unidos.

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