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Os últimos H-1H da FAB eram operados pelo Esquadrão Pelicano, baseado em Campo Grande (FAB)

Um dos helicópteros militares mais icônicos da aviação militar, o H-1H Iroquois encerrou suas atividades na Força Aérea Brasileira (FAB) após 51 anos de operações no país. A aeronave FAB 8703, representando todos os H-1H da FAB, participou da cerimônia de último corte de motor nessa segunda-feira (22/10), em Campo Grande (MS), terminando um ciclo iniciado em junho de 1967.

A cerimônia contou a presença do comandante da Força Aérea Brasileira, Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, e antigos tripulantes do helicóptero, que no Brasil apelidaram a aeronave como “Sapão” e “Hzão”. A FAB operou 68 exemplares, adquiridos em cinco lotes distintos, entre 1967 e 1997.



Atualmente apenas dois H-1H, o FAB 8684 e o FAB 8703, permaneciam em atividade, ambos baseados no Esquadrão Pelicano, unidade que deu início às atividades da aeronave multimissão.

“Todos que um dia tripularam essa máquina, certamente guardam em suas memórias pequenas parcelas, das milhares de emocionantes histórias, das quais este ícone da aviação participou. Esse guerreiro presenciou a coragem e a abnegação de várias gerações de tripulantes. Homens de valor que deixaram guardados no interior dessa aeronave um pouco dos melhores sentimentos que um ser humano pode apresentar”, disse o comandante da Força Aérea Brasileira.

Piloto mais antigo do H-1H na ativa, o Tenente-Brigadeiro do Ar William de Oliveira Barros, foi um dos tripulantes homenageados durante a desativação da aeronave. “Um helicóptero lendário e muito importante para a FAB. Muitas gerações de tripulantes, mecânicos, pilotos, homens de resgate passaram por este helicóptero. Alguns diriam que a máquina não consegue se expressar e não tem sentimentos, mas se o H-1H pudesse se expressar hoje, ele diria que está muito satisfeito e muito feliz”, afirmou.

Outro homenageado foi o Tenente Coronel Médico reformado Rubens Marques dos Santos, o homem de resgate da primeira missão o operacional do H-1H no Brasil, e o tripulante com mais horas de voo no “Sapão” (6.500 horas), o Suboficial da reserva Cláudio Nunes de Almeida Júnior.

Da Guerra do Vietnã para o Brasil

Sempre lembrado por sua participação massiva na Guerra do Vietnã com as forças armadas dos Estados Unidos, o Bell H-1 Iroquois, chamados pelos americanos de “Huey”, é um dos helicópteros mais vendidos de todos os tempos, com cerca de 16.000 unidades produzidas entre 1956 e 1987.

No Brasil, a principal função do H-1 foram missões de resgate realizadas nos últimos 50 anos por todo o país e também no exterior. Os helicópteros da FAB foram utilizados em resgates no terremoto no Peru, em 1970, onde foram evacuados 577 desabrigados e 211 feridos. O Iroquois também resgatou civis no incêndio do Edifício Joelma, em 1974, entre outra missões importantes, como o resgate de vítimas do acidente Gol 1907, em 2006.

(Sérgio Jorge)

Os H-1 da FAB ajudaram no resgate do incêndio do edifício Joelma, em São Paulo, em 1974 (Sérgio Jorge)

As aeronaves também tiveram longa carreira no Brasil em missões de busca e salvamento (SAR), emprego armado, operações de vacinação no interior da Amazônia, demarcações de fronteira, apoios à Polícia Federal, entre outras tarefas.

Com a aposentaria dos antigos “Sapões”, o principal helicóptero multimissão da FAB passa a ser o modelo Sikorsky H-60L Blackhawk, hoje umas das principais aeronaves dessa categoria.

A carreira do Iroquois, apesar de encerrada no Brasil, ainda está da longe de terminar pelo mundo. O helicóptero ainda segue voando com as forças armadas e de segurança em mais de 20 países (das mais de 40 nações que compraram o H-1), incluindo nos EUA, que prepara sua aposentaria para os próximos anos.

Com a aposentadoria dos H-1, os principal helicóptero multimissão da FAB agora é o Blackhawk (FAB)

Com a aposentadoria dos H-1, os principal helicóptero multimissão da FAB agora é o Blackhawk (FAB)

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