Chegada do primeiro EMB 120 Brasilia à Skywest, em 1986

Chegada do primeiro EMB 120 Brasilia à Skywest, em 1986

Muito antes de ser privatizada e virar uma gigante aeroespacial, a Embraer dava os primeiros passos para tornar-se uma das mais importantes competidoras do mercado de aviação regional. Foi no início da década de 80 que a empresa, então parte do Ministério da Aeronáutica, decidiu aproveitar o sucesso do Bandeirante como avião regional. Dessa experiência nasceu o Brasilia, o primeiro avião de passageiros projetado para atender o mercado.

O alvo primordial eram as companhias regionais americanas, associadas às grandes empresas aéreas como American Airlines, United e Delta. E foi com uma delas que o EMB 120 (designação do Brasília) estreou mundialmente em setembro de 1985. A ASA (Atlantic Southesat Airlines) foi a primeira operada do turboélice pressurizado de 30 passageiros.


Coincidentemente, exatos 30 anos depois da sua estreia, o Brasilia acaba de sair de cena entre essas empresas regionais de grande porte. No início de maio, o último exemplar do aparelho, pertecente à Skywest (co-ligada à United), decolou da cidade de Santa Maria, na California, para Los Angeles, encerrando sua longa carreira. Agora, o EMB 120 continua a voar no país apenas em empresas menores independentes.

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Embraer EMB 120 Brasilia

Embraer EMB 120 Brasilia

Mais veloz turboélice

Na época em que chegou ao mercado, o Embraer não era o maior nem o mais tradicional. A holandesa Fokker oferecia o F-27, um turboélice de asas altas, e o F-28, um dos primeiros jatos do gênero, e outras companhias exploravam com pouco sucesso o segmento, como a DeHavilland of Canada.

Mas foi questão de tempo para que várias fabricantes enxergassem o filão que se transformava a aviação regional. A própria Fokker logo sacou o Fokker 50 com maior capacidade, conforto e potência. Os canadenses, por outro lado, lançaram o Dash-8, outro ‘asa alta’, e os suecos da Saab estrearam com o 340, que era pouco maior que o Brasília.

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Mais bem sucedido deles, no entanto, foi o ATR-42 ( e sua versão maior, o ATR-72). Desenvolvido em conjunto por italianos e franceses, o turboélice continua em produção até hoje.

O Brasilia, por sua vez, não era tão grande quanto eles e também era quase um estreante já que os Bandeirante que voavam como aviões regionais não chegavam a formar uma frota imensa. Mas ele compensou isso com uma velocidade elevada, fruto do belo trabalho aerodinâmico da empresa. Era silencioso e trazia um diferencial para os pilotos, o manche ‘asa de gaivota’, como no Concorde.

Embraer EMB 120 Brasília é aposentado nos EUA

Acidentes

A carreira do EMB-120, apesar de longa, teve alguns contratempos. O avião brasileiro sofreu 21 acidentes, 14 deles com vítimas fatais. O primeiro ocorreu próximo da Embraer, em São José dos Campos, em 1986, um ano após a primeira entrega. O mais recente é de 2013 com um aparelho que voava na Nigéria.

No total, a Embraer produziu 356 Brasilias. Segundo o site Air Fleets, 46% ainda está em operação. Para efeito de comparação, o ATR-42/72 tem até o momento mais de 1,2 mil aeronaves entregues sendo que 78% está operacional. No entanto, diferentemente do avião ítalo-francês, o Brasilia deu origem a uma família que literalmente revolucionou o mercado regional e consolidou a Embraer como a maior fabricante de aviões desse segmento no mundo.

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A apresentação do EMB 120 Brasilia em julho de 1983

A apresentação do EMB 120 Brasilia em julho de 1983