Com a chegada das Festas Juninas o número de balões no céu aumenta

Com a chegada das Festas Juninas o número de balões no céu aumenta

Com início das festas juninas aumenta significativamente o número de soltura de balões, segundo alerta todo ano o CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Além do risco óbvio de colisões com aeronaves, há também outras complicações como desvios em rotas aéreas e necessidade de procedimentos de arremetida, quando o avião aborta o pouso e volta a subir. São transtornos que causam atrasos e prejuízos para as companhias aéreas ou de qualquer outro avião no caminho obstruído por um balão.

Um balão típico dessa época, chamado de “Pião”, pode medir até 18 metros de altura e pesar quase 20 kg. Alguns carregam até botijões de gás, que servem para alimentar a “tocha” que faz o objeto voar. Além de atrapalharem o tráfego aéreo, os balões também podem causar incêndios nos lugares aonde caem.


“Além do balão já representar um grande risco outra parte perigosa são as faixas que eles carregam. Elas podem cobrir a visão dos pilotos e anular a ação de equipamentos, como os pitots (que calculam a velocidade do avião)”, conta o Comandante Paulo Roberto Alonso, consultor técnico da ABEAR (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) e ex-piloto da Força Aérea Brasileira.

Balões “invisíveis”

A detecção dos balões no céu é feita no olho. “Os radares das aeronaves e em solo não conseguem detectar os balões. O material usado na construção do artefato é muito fino e por isso não reflete de volta as ondas de radar”, explica Alonso. “Toda a movimentação dos balões é acompanhada a partir de avistamentos e dependendo de suas posições pode haver alterações no tráfego aéreo”, revela.

Com a chegada das festas juninas o número de balões no céu aumenta significativamente

Com a chegada das festas juninas o número de balões no céu aumenta significativamente

No Brasil nunca foi registrada uma colisão direta de uma aeronave contra um balão. Em 2011, porém, um Airbus A319 da TAM chocou-se contra a faixa que era carregada por um balão momentos após decolar do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O avião não sofreu danos estruturais, mas perdeu a ação dos pitots, ficando sem referência de velocidade. Mesmo sem o equipamento, a tripulação conseguiu seguir até o destino final em Confins (MG) com auxílio de operadores em terra.

Veja mais: Conheça as maiores companhias de baixo custo do mundo

“Na maioria dos casos os pilotos conseguem desviar dos balões com antecedência, após receberem relatos da torre ou de outros aviões na região”, conta o consultor da ABEAR. Nesses casos os passageiros podem nem perceber o pequeno desvio do avião, mas se for necessário a tripulação pode ser obrigada a realizar uma manobra evasiva brusca. “Em casos assim o piloto é treinado para realizar a manobra com segurança para a aeronave e os passageiros”, tranquiliza Alonso.

Airbus da TAM passa perto de um balão. Colisão pode derrubar a aeronave

Airbus da TAM passa perto de um balão. Colisão pode derrubar a aeronave

Balões criminosos

Soltar balão (do tipo artesanal) é crime federal e não existe nenhuma exceção na legislação. Quem soltar um balão pode responder por dois delitos: “crime ambiental”, devido ao risco de incêndios em florestas, e de “crime perigo”, ao colocar em risco a segurança de meios de transporte. A pena pode passar de 12 anos de cadeia.

Em 2014 o CENIPA contabilizou 335 denúncias sobre balões, que podem incluir desde o simples avistamento, até a realização de manobras evasivas ou incidentes. Neste ano já são 123 reportes.

São Paulo e Rio de Janeiro, por concentrarem boa parte do tráfego aéreo brasileiro, mas também por possuírem grupos baloeiros ativos, tradicionalmente registram mais ocorrências.