O motor número 3 na asa direita do BAe 146 será substituído por um fan elétrico (Airbus)

A Airbus recebeu nesta semana em sua fábrica em Toulouse, na França, um jato BAe 146-300 que servirá como banco de provas do projeto “E-Fan X”, cujo objetivo é desenvolver e testar as tecnologias necessárias para criar um avião com motorização híbrido-elétrica. O programa também conta com a participação da Rolls-Royce e a Siemens.

Já considerado obsoleto e pouco eficiente para atuar na aviação comercial, o BAe 146 com seus quatro motores, por outro lado, é a plataforma ideal para o projeto da Airbus e seus parceiros. Nos próximos dois anos, a aeronave vai passar por uma extensa transformação tecnológica. O pacote de modificações inclui a instalação de baterias de alta capacidade, um gerador de energia elétrica e, por fim, um dos turbofans do avião será substituído por um motor elétrico com 2 megawatts de potência (2.680 cv). O primeiro voo da aeronave reconfigurada está programado para meados de 2021.


O E-Fan X é a segunda empreitada da Airbus na “eletrificação” da aviação de asa fixa. Entre 2014 e 2017, o grupo aeroespacial europeu desenvolveu e testou com sucesso o “E-Fan”, um protótipo de avião de pequeno porte com motorização 100% elétrica. A principal realização do projeto foi a primeira travessia aérea do Canal da Mancha, entre a França e Inglaterra, com um avião elétrico.

O projeto da vez, no entanto, é muito mais complexo e pretende abrir o caminho para a introdução de aviões com motores elétricos na aviação comercial, o que exige um altíssimo nível de confiabilidade dos sistemas e segurança em voo. Ao testar o E-Fan X, a Airbus pretende estabelecer os requisitos de certificação para o desenvolvimento de aviões com motorização híbrida ou mesmo totalmente elétricos.

Desafios

O E-Fan X tem uma lista de desafios a serem superados. Esse será o primeiro programa de um avião equipado com um sistema de propulsão elétrica de alta potência, tecnologia que está sujeita a uma série intempéries, como efeitos térmicos e influência eletromagnética.

Cada empresa envolvida no projeto terá um trabalho específico na aeronave. A Airbus será responsável pela integração geral dos sistemas elétricos no protótipo, bem como o desenvolvimento da arquitetura de controle da motorização alternativa e baterias, e sua integração com os comandos de voo.

O pacote de tecnologias que serão integradas ao E-Fan X (Airbus)

A Rolls-Royce, por sua vez, vai fornecer os motores a jato, gerador elétrico e o sistema eletrônico de controle de potência. A empresa, juntamente com a Airbus, também vai trabalhar na adaptação do motor elétrico à nacele (onde o motor do avião fica fixado) na asa do BAe 146.

Por fim, a Siemens será responsável por fornecer os motores elétricos do protótipo, que parecem uma espécie de ventilador gigante (não à toa esse tipo de motor é chamado de “fan”, que inglês significa justamente “ventilador”). A empresa também vai desenvolver os sistemas de controle de potência dos propulsores e outros sistemas secundários.

Jumbolino

Aeronave comercial mais bem sucedida da indústria aeronáutica britânica, o BAe 146 já foi considerado o avião perfeito para operar em aeroportos pequenos. A principal característica do aparelho, porém, é justamente seu maior pecado nos dias atuais: a configuração com quatro motores, hoje algo impensável em aeronaves comerciais de médio porte.

O detalhe dos quatro motores também inspirou o apelido do jato, conhecido como “Jumbolino”, uma referência ao Boeing 747, o Jumbo, que também é um quadrimotor.

Entre 1983 e 2002, foram produzidos 387 unidades da série em três versões (BAe 146-100, -200 e -300). Os modelos produzidos a partir de 1992 são chamados de Avro RJ (RJ80, RJ90 e RJ100). Caminhando para seus últimos anos na aviação comercial, cerca de 90 unidades da aeronave ainda permanecem em serviço com cinco companhias aéreas.

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