O A350 tem alcance de 15.300 km (Airbus)

A diferença entre a Airbus e a Boeing em 2018 foi de apenas 6 aeronaves (Airbus)

Assim como a Boeing, que registrou um novo recorde de entregas em 2018, a Airbus também alcançou uma marca recordista no ano passado, com 800 aeronaves entregues para 93 clientes. E foi por pouco: a diferença entre as fabricantes foi de apenas 6 aviões. Esse foi o 16° ano seguido que o grupo Airbus aumentou o número de entregas de aeronaves comerciais.

O resultado de entregas da Airbus em 2018 foi 11% superior ao desempenho do ano retrasado, quando a fabricante entregou 718 aeronaves. O número de encomendas também foi significativo, com 747 pedidos, mas não superou nem de perto o volume de 2017, quando o grupo recebeu 1.109 ordens por novos jatos – mas ainda distante dos 1.456 pedidos registrados em 2014 (a Boeing também registrou um recorde de encomendas em 2014, com 1.432 pedidos).


O desempenho parelho entre a Airbus e a Boeing pode ganhar um novo panorama nos próximos anos, com uma possível vantagem para o grupo europeu, ao menos de início. A integração da família A220 (ex-Borbardier CSeries) no quadro de entregas da Airbus pode fazer a diferença já em 2020. O número de encomendas da série fabricada no Canadá disparou após a mudança de comando e soma 480 encomendas. A diferença no próximo ano vai depender de quem vai conseguir fabricar mais aviões.

Esse mesmo efeito pode acontecer com os jatos da Embraer caso a negociação com a Boeing seja concretizada. A transferência do comando da divisão de aviões comerciais da fabricante brasileira para o grupo norte-americano ainda depende da aprovação de Brasília. Os modelos E-Jets, concorrente do A220, registraram 251 pedidos até o terceiro semestre de 2017 – a negociação prevê a incorporação dos jatos da Embraer ao quadro de lucros da Boeing somente em 2020.

O A220-300 deve ser um dos destaques da Airbus do Farnborough AirShow neste mês (Airbus)

Era Bombardier CSeries, agora é Airbus A220. E também aumenta o total de entregas da Airbus (Airbus)

“Apesar dos desafios operacionais significativos, a Airbus continuou seu crescimento de produção e entregou um número recorde de aeronaves em 2018. Saúdo nossas equipes em todo o mundo que trabalharam até o final do ano para cumprir nossos compromissos”, disse Guillaume Faury, presidente da Airbus Avião Comercial. “Estou igualmente satisfeito com a entrada saudável de pedidos, pois mostra a força subjacente do mercado de aeronaves comerciais e a confiança que nossos clientes depositam em nós. A minha gratidão vai para todos eles pelo seu apoio contínuo.”

A Airbus soma mais pedidos que a Boeing, com um total de 7.555 aeronaves contra 5.849 da fabricante americana. A principal categoria de disputa entre as fabricantes é a dos jatos de um corredor, onde reinam os tradicionais A320 e 737. A Airbus também leva vantagem nesse segmento com mais de 5.900 pedidos pelo A320 – o 737 também ficou atrás do A320 em 2018, com 580 aviões entregues e 4.654 pedidos.


Em 2018, a Airbus entregou 626 jatos da família A320, hoje finalizados na França, Alemanha, China e EUA. Deste volume, mais da metade, 386 aeronaves, foram da série NEO, com mudanças aerodinâmicas e motores mais avançados. Já a versão mais pedida foi o A320, com 417 exemplares entregues, enquanto o modelo A321 somou 201 unidades o A319 apenas 8 aparelhos, numero que pode aumentar em breve com a chegada do ano A319neo.

(Azul)

O A320 é um dos principais aviões comerciais em operação no Brasil (Azul)

Widebodies

A Airbus ficou atrás da Boeing da disputa no mercado dos jatos comerciais de grande porte. Somando as entregas dos modelos A330, A350 e o A380, o grupo europeu entregou 154 aeronaves, enquanto a Boeing despachou 226 aeronaves – a fabricante americana tem o 767, 777 e o 787, o jato mais vendido nesse mercado em 2018, com 141 novas unidades.

O avião de grande porte da Airbus melhor colocado em 2018 foi o A350, com 93 entregas. Já o A330, agora também disponível nas versões A330neo, somou 49 entregas e o gigante A380, que enfrenta dura resistência no mercado, ainda conseguiu somar 12 unidades, seis a mais que o Boeing 747.

Os A380 da ANA poderão transportar até 520 passageiros (Airbus)

Devagar e sempre: a companhia japonesa ANA será o próximo e raro cliente do A380 (Airbus)

Mudança no mercado

O grupo europeu foi o “dono” do mercado de aviação comercial entre 2003 e 2011, mas depois disso só deu Boeing. Para continuarem crescendo as duas empresas estão investindo em plantas no exterior, sobretudo na China, e agora nesta nova fase começam a apostar na categoria de menor densidade da aviação regional, que tem grande expectativa de alta nos próximos anos, novamente com ajuda do impulso chinês. É nessa faixa que voam o Airbus A220 e os E-Jets da Embraer, hoje os mais vendidos no segmento.

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