Para levar mais passageiros, a Airbus precisou reprojetar as saídas de emergência no A321 ACF (Airbus)

Para levar mais passageiros, a Airbus precisou redesenhar as saídas de emergência no A321 ACF (Airbus)

A Airbus apresentou na última sexta-feira (5) o primeiro A321neo na configuração ACF (Airbus Cabin Flex) em suas instalações em Hamburgo, na Alemanha. A nova versão do maior jato da família A320neo pode transportar até 240 passageiros, uma capacidade ainda sem paralelo na categoria das aeronaves de um corredor (narrow-body). Segundo o fabricante, o primeiro voo do modelo está agendado para as próximas semanas. Já sua estreia comercial é esperada para o meio deste ano.

O “truque” da Airbus para aumentar a capacidade de passageiros no A321neo ACF, que mantém as mesmas dimensões do A321 convencional mas com 20 assentos extras, será a utilização de poltronas menores e distribuídos em mais fileiras de classe única pela cabine: 37 fileiras de assentos do A321neo com configuração típica para 220 assentos, contra 41 do modelo com o layout ACF, de maior densidade.



Embarcar 240 passageiros em um avião comercial de 44,5 metros de comprimento, porém, não é uma tarefa de apenas acrescentar mais bancos na cabine. Para permitir uma melhor movimentação dos ocupantes pelo interior da aeronave, sobretudo em direção às saídas de emergência, a Airbus modificou parte do design da fuselagem do A321.

O modelo ACF teve um par de portas retirado (as portas logo à frente das asas) e as portas que ficavam logo atrás das asas foram “empurradas” mais para trás. A galley na parte traseira também é bastante reduzida e o avião perde um de seus três toaletes. Outra alteração no projeto foi a inclusão de portas de emergência na fuselagem, item que o A321 ainda não possuía.

Diferentemente dos outros jatos da família A320, o modelo A321 foi projetado, para em caso de emergências, evacuar os passageiros pelos quatro pares de portas de embarque e desembarque. O modelo ACF agora cumpre essa função com três pares de portas e quatro saídas de emergência específicas na parte central da aeronave.

Comparação do A321 com a cabine convencional e o A321 ACF, com mais 20 assentos e portas reposicionadas (Airbus)

Comparação do A321 com a cabine convencional e o A321 ACF, com mais 20 assentos e portas reposicionadas (Airbus)

Como explicou o grupo europeu, o A321neo ACF será oferecido a princípio como “opção” aos clientes e, a partir de 2020, se tornará o padrão para todos os A321neo. A Airbus ainda antecipou que a nova versão ACF servirá de base para uma variante de longo alcance, o A321LR (Long Range), que será capaz de realizar voos intercontinentais de até 7.400 km. A primeira do A321LR está programada para o quarto trimestre de 2018.

Cheiro de novo mercado

Ao aumentar a capacidade do A321, que já é o maior avião da categoria, a Airbus passa a disputar uma nova demanda que vem surgindo no mercado. Companhias aéreas estão se interessando por jatos pequenos com bons números de autonomia e média capacidade de passageiros, entre 200 e 240 passageiros. Esses aviões podem ser operados, por exemplo, em trechos domésticos movimentados ou mesmo voos internacionais de baixo custo de médio alcance.

O novo 737 MAX 10 chegará ao mercado em 2020 (Boeing)

O novo 737 MAX 10 chegará ao mercado em 2020 (Boeing)

A Airbus, no entanto, ainda não revelou se existem interessados pelo novo A321 ACF. A Boeing, por outro lado, tem uma boa dimensão do potencial desse segmento: a fabricante dos Estados Unidos tem mais de 260 pedidos pelo 737 MAX 10, com capacidade para 230 passageiros.

A nova versão MAX 10 de nova geração, o maior 737 em mais de 50 anos anos de história da série, com 43,8 metros de comprimento, está programada para estrear no mercado em meados de 2020. O A321 ACF, pelo andar da produção, deve voar antes do concorrente da Boeing.

Avião único no mercado

O A321 é atualmente o único avião comercial em produção da categoria narrowbody capaz de transportar mais de 220 passageiros. No passado, esse nicho já foi explorado pela Boeing com o 757, produzido entre 1982 e 2004. O maior jato da família A320 chegou ao mercado em 1994, um ano após seu voo inaugural.

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A versão ACF conterá as maiores mudanças da parte estrutural do A321 em mais de 20 anos de produção da aeronave. A seção da fuselagem projetada com as portas reposicionadas e o acréscimo de saídas de emergência, é produzida pela Premium Aerotec, empresa da Alemanha que fornece componentes estruturais ao grupo europeu.

Airbus A321 x Boeing 767

O A321 ACF leva mais passageiros que jatos de categorias superiores, como o Boeing 767 – os modelos operados pela Latam levam 220 ocupantes em duas classes. Mas isso não significa que os dois aviões disputem o mesmo mercado.

O 767, hoje considerado um widebody (fuselagem larga) pequeno (mede até 61 metros), trabalha em outros segmentos da aviação comercial, sobretudo em voos de médio e longo alcance, com autonomia que pode passar de 10.00 km (na versão 767-400LR). A fuselagem mais larga também permite oferecer mais conforto aos ocupantes ou, dependendo da configuração da cabine, acomodar mais de 300 passageiros.

Na aviação comercial internacional, jatos como o A321 ou mesmo o Boeing 737 operam grande parte de seus voos internacionais em rotas de curto alcance. Quando competem em trechos mais longos, tradicionalmente servidos por aeronaves de maior porte, essas aeronaves servem como uma alternativa de baixo custo.

O Airbus A321neo convencional tem capacidade para transportar até 220 passageiros (Airbus)

O Airbus A321neo convencional tem capacidade para transportar até 220 passageiros (Airbus)

As versões mais recentes dos jatos médios da Airbus e Boeing, que consomem menos combustível, já estão operando em voos internacionais de baixo custo e com a possibilidade de alcançar novos destinos. A Norwegian Air, empresa da Noruega e uma das maiores low-cost da Europa, voa com o 737 MAX 8 entre a Escócia e os EUA. A  WOW Air, da Islândia, usa o A320neo em rotas a partir da capital Reykjavík em direção aos EUA.

A Gol também já voou com seus 737-800 para Miami, partindo de São Paulo. A viagem, no entanto, exigia uma parada de reabastecimento em Santo Domingo, na República Dominicana.

O trecho da empresa brasileira para os EUA foi desativado em 2015, mas recentemente executivos da Gol revelaram que consideram reativar a rota para o Miami após a entregas de seus primeiro 737 MAX, esperadas para 2018. Não só isso, com a nova aeronave, consumindo menos combustível, o voo poderá ser realizado sem precisar de escalas.

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