A Air France recebeu seu primeiro A380 em 2009 (Airbus)

Depois de anunciar em novembro do ano passado que reduziria pela metade sua frota de jatos Airbus A380, a Air France agora quer se livrar de todos os modelos do “superjumbo” em seu inventário até 2024. A suposta decisão da empresa foi relatada pelo jornal francês La Tribune nesta semana. A companhia, no entanto, não comentou sobre o assunto.

De acordo com a publicação, a Air France está decidida em retirar seus A380 de serviço devido aos altos custos operacionais da aeronave. Além disso, como cita o jornal, a empresa vem tendo dificuldades para alcançar bons índices de ocupação com o avião, que na configuração da companhia francesa é capaz de receber até 516 passageiros. Além disso, o quadrirreator da Airbus requer aeroportos especiais, com pistas longas e portões de embarque e desembarque estendidos, o que limita seus locais de operação.


A Air France opera atualmente 10 unidades do A380, sendo que cinco dessas aeronaves são alugadas e não terão seus contratos estendidos. A retirada dos aviões arrendados deve acontecer entre 2019 e 2021. Entre os cinco modelos que pertencem a companhia, ao menos três deles terão suas cabines de passageiros renovadas a partir de 2020. Esse plano, porém, pode acabar cancelado, como indica o jornal francês, acrescentando que a decisão final deve ser anunciada em outubro.

Os A380 da Air France tem uma configuração de cabine já considerada obsoleta, sem muitas das conveniências modernas já presentes em modelos usados por companhias “premium”, como é o caso da Emirates e Singapore Airlines. Os aviões dessas empresas têm, por exemplo, suítes privadas, assentos que viram camas na classe executiva e tomadas de energia em todos os assentos.

Como se não bastasse os altos custos e as dificuldades operacionais do A380, a Air France também enfrenta problemas técnicos com a aeronave. Um membro da diretoria superior da empresa francesa revelou à publicação que “uma aeronave fica no chão toda semana” e a companhia não pode esperar para encontrar um substituto adequado.

De acordo com a publicação, os aviões preferidos pela Air France para substituir os A380 são o Boeing 787 e o Airbus A330-900neo. A empresa também considera adquirir os novos 777X ou o A350-1000. Tais opções também agradam Ben Smith, CEO do grupo Air France-KLM, que prefere aeronaves menores que gerem maior rendimento.

Companhias começam a abandonar o A380

Desenvolvido com grandes expectativas, o A380 rapidamente se tornou uma decepção. Sem expectativa de receber novos pedidos, a Airbus anunciou que a produção do maior avião comercial de todos os tempos será encerrada em 2021.

Os primeiros A380 que entraram em operação há apenas 12 anos com a companhia Singapore Airlines já estão sendo desmontados. Outras empresas também estão tomando medidas para remover a aeronave gigante de suas frotas.

O primeiro A380 a estrear voos comerciais está estacionado na França, à espera de um novo operador (Tarmac Aerosave)

Considerados novos, os primeiros A380 produzidos pela Airbus já estão sendo sucateados (Tarmac Aerosave)

A Emirates, maior operador do A380 com mais de 100 unidade em serviço, deve utilizar o quadrirreator somente até o início de década de 2030.

No início deste ano, a Lufthansa anunciou a venda de seis A380 de volta à Airbus, alegando falta de rentabilidade com as aeronaves.

A Qantas, da Austrália, cancelou seus pedidos finais pela aeronave em fevereiro deste ano, decidindo manter sua frota com apenas 12 aparelhos. A médio prazo, a empresa australiana já confirmou que vai trocar seus quadrirreatores pelo Boeing 787.

A Qatar Airways, um dos principais concorrentes da Emirates com um modelo de operação semelhante, vai trocar seus A380 pelo novo Boeing 777X a partir de 2024. A empresa aérea do Catar encomendou 60 unidades do novo 777, que é mais eficiente e tem maior autonomia.

O A380 tem autonomia para voar cerca de 15.000 km (Airbus)

A empresa de wet-lease HiFly foi a única do mundo a adquirir um A380 usado (Airbus)

Outro ponto que preocupa é o fato do mercado de segunda mão para o avião gigante da Airbus praticamente não existir, ao contrário do que acontece com o Boeing 747, que ganha sobrevida convertido para o segmento de carga.

Até hoje apenas um A380 usado ganhou um novo destino, com a empresa de wet-lease HiFly, de Portugal. Portanto, é quase certo que todos os modelos tenham o mesmo destino: virar sucata.

Veja mais: Airbus A380 estreia na Venezuela