O novo terminal de passageiros do aeroporto de Florianópolis: Zurich Airport pôs fim ao descaso de décadas da Infraero (Sergio Sona)

Um dos estados com maior número de turistas no Brasil, Santa Catarina foi ignorado pela Infraero durante décadas. Sua capital, Florianópolis, sofre com um dos aeroportos mais precários do país enquanto diversas cidades com tráfego aéreo bem inferior ganharam novos terminais de passageiros nos últimos anos. No entanto, foi preciso que uma concessão fosse feita pelo governo federal para que finalmente o Aeroporto Hercílio Luz, 13º em número de passageiros transportados no Brasil, ganhasse a atenção merecida.

Nas mãos da concessionária Zurich Airport desde janeiro de 2018, o aeroporto na ilha catarinense passou a receber um investimento de R$ 570 milhões justamente para tirar do papel um novo terminal construído no lado oposto do atual e com capacidade quatro vezes maior. As obras estão na fase final de acabamento e a inauguração da nova área está marcada para o dia 1º de outubro.


Os passageiros que utilizam o agora chamado Floripa Airport deverão se espantar com a mudança. De uma estrutura tímida e ultrapassada, o aeroporto passará a contar com um moderno e espaçoso terminal com capacidade para 8 milhões de passageiros por ano – contra apenas 2 milhões atualmente e que tem lidado com uma demanda de 3,7 milhões de usuários em 2018.

A primeira novidade para quem embarcar ou desembarcar no novo terminal será o uso de pontes de embarque, num total de 10 unidades. Os processos de embarque e desembarque serão feitos em pisos diferentes, assim como ocorre em Guarulhos e Galeão. Serão 13 portões de embarque, dois deles para voos internacionais e um check-in com 45 posições, além de oito esteiras de bagagens.

A nova estrutura terá 49 mil metros quadrados de área e que privilegia a iluminação e ventilação natural. O estacionamento comportará 2.580 automóveis e o terminal contará com um grande espaço de lazer e compras batizado de Boulevard 14/32 (em alusão às cabeceiras da pista principal). Com mais 10 mil metros quadrados, dos quais 3.500 m² de área comercial e 2.500 m² para eventos, o espaço contemplará diversos estabelecimentos incluindo o primeiro Starbucks fora do eixo Rio-São Paulo além de um terraço panorâmico, algo raro hoje em projetos de aeroportos.

Pista de táxi

Outra restrição de operação no Hercílio Luz, a ausência de uma pista de táxi, também será eliminada com a finalização das obras. Curiosamente, o conceito da modernização do aeroporto foi iniciado pela Infraero em 2012 e que previa um terminal mais modesto, com apenas cinco pontes de embarque e estacionamento para 1.800 veículos.

A estatal federal, no entanto, levou três anos para conseguir avançar em poucos aspectos como na terraplanagem da área do terminal e da pista de táxi, que foram concluídas pela concessionária.

O projeto da Infraero era mais tímido (Reprodução)

As obras foram iniciadas em junho de 2012, mas um ano depois pouca coisa havia avançado. Ainda assim, a Infraero prometia entregar o novo terminal em dezembro de 2014. Logo após a Copa do Mundo, o governo federal decidiu rescindir contrato com as empreiteiras que tocavam o projeto, e que estava bastante atrasado. Sem condições financeiras de retomar a obra, o governo decidiu colocar o Hercílio Luz na lista de aeroportos a serem concedidos, o que ocorreu em 2017 na 4ª rodada que incluiu também os aeroportos de Porto Alegre, Salvador e Fortaleza.

Florianópolis poderá enfim oferecer condições mais adequadas para receber inúmeros voos fretados internacionais que têm crescido nos últimos anos. Uma das próximas companhias aéreas a operar no aeroporto é a argentina Flybondi, que estreará um voo entre Buenos Aires e Florianópolis em dezembro. Agora sim com um aeroporto à altura da capital catarinense.

O novo terminal (em vermelho): capacidade vai pular de 2 milhões para 8 milhões de passageiros por ano (Reprodução/Google)

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