Saguão de check-in: área muito mais ampla (Felipe Carneiro)

O pesadelo dos passageiros que voam de e para Florianópolis por via aérea acabou na madrugada desta terça-feira, 1ª de outubro. Nessa data, o velho e precário terminal de passageiros construído pela Infraero foi definitivamente aposentado e em seu lugar um vultoso e moderno terminal do outro lado do aeroporto passou a receber horas depois as aeronaves com destino à capital catarinense.

A Floripa Airport, concessionária que administra o aeroporto desde 2018, fez questão de movimentar o novo local mesmo antes da sua abertura. Foram vários eventos para que o público e imprensa local conhecessem seus planos e características, um projeto que culminou com a inauguração do terminal no sábado, 28 de setembro, com a presença do Ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. No dia seguinte foi a vez de a população conhecer a nova estrutura que inclui um boulevard na entrada do terminal.


O grande momento, no entanto, ocorreu mesmo na madrugada de terça-feira quando o primeiro voo vindo de Guarulhos, um A320 da LATAM, pousou às 4 horas e seus passageiros puderam desembarcar no novo terminal. Pouco mais de três horas depois que um voo da Azul proveniente de Viracopos encerrava as operações no terminal original. Já nas primeiras horas as dez pontes de embarque encontravam-se ocupadas por jatos da LATAM, Gol e Azul, demonstrando em pouco tempo a carência que Florianópolis possuía em seu aeroporto até então.

De acordo com a Floripa Airport, todos os 81 voos programados para esta terça-feira utilizaram as pontes de embarque, um conforto que apenas a capital de Santa Catarina não possuía entre todas as cidades que possuem aeroportos que movimentam mais de 3 milhões de passageiros por ano. Nesse primeiro dia de operação, passaram pelo terminal 10 mil passageiros com índice de pontualidade de 81% e nenhum voo cancelado, afirmou a concessionária.

Um dos desafios da mudança foi a transferência de pátio das dez aeronaves e também de 300 funcionários que assumiram suas funções no novo prédio. Além dos passageiros, o novo terminal também atraiu curiosos e o terraço panorâmico, espaço hoje exclusivo entre os aeroportos brasileiros, recebeu 240 pessoas entre a tarde e a noite do dia 1º.

Bolinho de presente

CEO da Floripa Airport, o suíço Tobias Markert tem marcado sua gestão à frente da empresa pelo entusiasmo desde o primeiro dia da concessão. O executivo participou de diversas ações que marcaram a construção do novo terminal e não seria diferente no primeiro dia de operação. Passageiros que chegaram pela manhã ao novo aeroporto receberam de Markert cupcakes para comemorar a inauguração.

Agora, a tarefa da administração do aeroporto, cuja proprietária é a Zurich Airport, é atrair mais voos e companhias aéreas. Uma das estreias já tem até data, a argentina Flybondi, que passará a voar entre Florianópolis e Buenos Aires em dezembro. A chilena Sky também anunciou que retomará os voos sazonais durante o verão, mas a capital de Santa Catarina enfim poderá explorar seu potencial turístico com a expansão do aeroporto, que em 2018 movimentou 3,7 milhões de passageiros no ano passado. Com a abertura da pista de táxi, o número de operações também será ampliado significativamente, facilitando a oferta de voos.

Vinícius de Lucca Filho, superintendente de turismo de Florianópolis, declarou à imprensa local que a meta é atrair as companhias aérea Copa e TAP nos próximos anos. Segundo ele, hoje há uma demanda semanal de 250 passageiros para Portugal, que utilizam voos operados em Guarulhos, Galeão e Fortaleza, e que poderão ser atendidos a partir de 2021.

Tobias Markert, CEO da Floripa Airport, entrega cupcake para os primeiros passageiros (Felipe Carneiro)

Injustiça da Infraero

Até esta segunda-feira, o Aeroporto de Florianópolis mantinha um “recorde” triste, o de ser o terminal mais relegado pela Infraero em toda a sua história. A estatal federal ignorou veladamente o potencial turístico da capital catarinense por décadas, postergando melhorias óbvias com a pista de táxi e ampliação de um mísero terminal de passageiros.

Enquanto fazia melhorias cosméticas no Hercílio Luz, a Infraero investia em terminais pomposos e com pontes de embarque em aeroportos com movimento menor que Florianópolis. A lista é grande e inclui Maceió, Cuiabá, São Luís, Vitória e Goiânia, essa última que recebeu um novo terminal há pouco tempo. Nesse meio tempo, Palmas, capital do Tocantins e cujo movimento é irrisório, teve direito a um aeroporto com pontes de embarque e Natal ganhou até mesmo um novíssimo aeroporto, São Gonçalo do Amarante, o primeiro a ser concedido à iniciativa privada.

Até 2047 pelo menos, quando vence a concessão, o fantasma do abandono estatal estará afastado. Espera-se.

Visão noturna do novo aeroporto (Felipe Carneiro)

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