O A321XLR nas cores da American Airlines: versão de ultra longo alcance somou mais de 200 unidades encomendadas em Le Bourget (Airbus)

A Airbus já estudava uma versão de maior alcance do A321neo há algum tempo, mas talvez não imaginasse que ela pudesse ter uma recepção tão positiva como está acontecendo no Paris Air Show deste ano. Em três dias de evento, o A321XLR já acumula mais de 200 unidades encomendadas, parte delas, é verdade, convertida de pedidos anteriores.

O jato com o maior alcance já pensado para um birreator de um corredor (e praticamente a mesma autonomia do Boeing 747 quando foi lançado há 50 anos) foi a primeira grande notícia em Le Bourget logo na abertura da feira. Ao confirmar a versão, a Airbus divulgou apenas que a companhia de leasing Air Lease Corporation havia fechado negócio para 27 unidades como parte de um pedido que incluiu outras aeronaves. No entanto, pouco tempo depois a MEA, do Líbano, tornou-se a cliente lançadora do modelo com a aquisição de apenas quatro unidades. E assim o primeiro dia foi encerrado.


Na terça-feira, a fabricante europeia começou a colocar suas cartas na mesa. A Cebu Pacific, companhia low cost das Filipinas, incluiu o novo jato em seu acordo prévio e que ainda terá um contrato assinado. Dos 36 aviões previstos, 10 foram do A321XLR. Logo em seguida foi a vez da Saudi Arabian Airlines decidir ampliar uma encomenda original de 35 unidades da família A320neo para incluir 15 A321XLR, entre outros aviões.

Mas a encomenda mais simbólica do segundo dia do Paris Air Show foi do grupo IAG, dono de companhias como a British Airways e Iberia. O CEO da empresa já havia “cantado a bola” nos últimos dias quando disse que o novo Airbus seria uma boa adição para as empresas da holding. Dito e feito: a empresa confirmou a aquisição de 14 A321 de ultra longo alcance, oito deles para a Iberia e seis para a irlandesa Aer Lingus.

Os pedidos do A321XLR em Le Bourget (clique na imagem para ampliar)

Golpe na concorrente

Foi o terceiro dia da feira, no entanto, que fez os pedidos mais que dobrarem. A australiana Qantas abriu a manhã em Le Bourget com um pedido de 36 unidades sendo 26 delas conversões de uma encomenda anterior. A companhia aérea usará o jato no Pacífico Sul e Ásia em conjunto com sua subsidiária Jetstar.


Horas mais tarde, o fundo de investimentos Indigo Partners fechou um acordo com a Airbus para adquirir 50 A321XLR, 32 deles como uma nova encomenda e o restante convertidos de um pedido anterior da família A320neo. A Indigo controla quatro companhias aéreas e destinará os jatos para três delas, incluindo a chilena JetSMART, a primeira empresa na América do Sul que contará com o avião. Serão 12 unidades para empresa chilena, 20 para húngara WizzAir e 18 para a americana Frontier Airlines.

A MEA é a cliente lançadora do A321XLR com quatro aviões encomendados (Airbus)

No meio da tarde veio o golpe de misericórdia na Boeing. A American Airlines confirmou os rumores de que encomendaria o A321XLR e fechou um acordo com a Airbus para ter 50 unidades, 20 delas adicionais e 30 de posições existentes anteriormente. Na gigante americana, o Airbus tomará o lugar do Boeing 757, que hoje reúne 34 aeronaves, mas também ampliará a capacidade da empresa de voar para destinos internacionais com tráfego que não justificam um widebody, além das concorridas rotas internas de longo percurso como Los Angeles-Nova York ou Chicago-San Francisco, por exemplo.

Sem rivais por um bom tempo

Os números são um indício otimista para o fabricante europeu que poderá aproveitar o fato de não ter um concorrente à altura por vários anos. O modelo mais próximo do A321XLR é o 737 MAX 10, maior versão do jato da Boeing, mas que ainda está distante do primeiro voo.

O 737 MAX 10 é o avião que mais se aproxima do que faz o A321XLR, mas mesmo assim não rivaliza com o Airbus (Boeing)

Mas mesmo que estivesse pronto, o 737 MAX 10 não seria capaz de rivalizar com o Airbus. Enquanto o A321XLR pode voar 8.700 km, o MAX 10 tem alcance estimado de apenas 6.110 km – e levando menos passageiros.

O jato que um dia poderá incomodar o A321XLR ainda não recebeu luz verde da Boeing para virar realidade. É o NMA, vulgo 797, um pequeno widebody cuja as especificações ainda não foram definidas. O horizonte desse avião, no entanto, está distante: a fabricante americana fala em 2025, mas com a demora em lançá-lo é pouco provável que ele chegue ao mercado nessa época, quando o Airbus já estará voando há pelo menos dois anos.

A chilena JetSmart será a primeira cliente do A321XLR na América do Sul (Airbus)

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