Uma das raras fotos do Bandeirulha com pintura das forças da Argentina

Uma das raras fotos do Bandeirulha com pintura das forças da Argentina

Aviões da Embraer voam pelo mundo inteiro transportando passageiros de um ponto ao outro e estão presentes em forças aéreas de diversos países. No entanto, poucos dispararam suas armas. Em 2007 e 2008, aeronaves EMB-314 Super Tucano da Força Aérea da Colômbia atacaram posições e acampamentos das FARC com bombas de queda livre. Recentemente, o turbo-hélice de ataque fabricado no Brasil também entrou em combate no Afeganistão. Mas essas não foram as primeiras operações militares que os aviões da Embraer executaram.

O P-95, o Bandeirulha, versão militar do EMB-111 Bandeirante, participou de ações na Guerra das Malvinas, em 1982, reforçando a Fuerza Aérea Argentina. Embora não tenha disparado nenhuma arma (o aparelho tampouco carregava armas), esse pode ser considerado o “batismo de fogo” de um avião fabricado pela Embraer.



Ao combate

Enquanto as bombas ainda explodiam nas Malvinas, os aviões S-2E Tracker e P-2 Neptune da Armada Argentina efetuavam os trabalhos de patrulhamento aéreo em busca dos navios da marinha britânica. E não eram poucos.

Ao todo, a Inglaterra moveu quase 2/3 de sua marinha em direção ao Atlântico Sul para retomar as ilhas. A força era composta por navios militares, submarinos (incluindo aparelhos com propulsão nuclear), quase uma centena de embarcações de transporte e reabastecimento e dois porta-aviões carregados com aviões de decolagem vertical Harrier, além de dezenas de helicópteros.

A esquadrilha argentina de exploração marítima possuía apenas dois P-2 Neptune (um modelo saiu de operação durante o conflito) e quatro S-2E Tracker, da Armada Argentina, que podiam operar a partir do porta-aviões 25 de Mayo.

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Grumman S-2E Tracker

Grumman S-2E Tracker

Passado um mês de conflito, as forças argentinas começavam a sofrer suas primeiras quedas ao passo que os ingleses ficavam cada vez mais próximos de recuperar as ilhas. Proibida de comprar armamentos, devido ao embargo internacional imposto pela OTAN já no final da década de 1970, a Argentina apelou para fontes clandestinas para adquirir mais armamentos e nesse meio tempo também conseguiu alugar dois P-95 e 11 jatos Xavantes da FAB.

Os P-95 operam por mais de 200 horas na Guerra das Malvinas

Os P-95 operam por mais de 200 horas na Guerra das Malvinas

O Bandeirulha entrou em ação no auge da Guerra da Guerra das Malvinas, em maio de 1982. Os modelos foram pintados segundo as cores do Esquadrão de Vigilância e Patrulhamento Marítimo da Força Aérea Argentina, com uma camuflagem cinza escuro e novas matrículas. Operando a partir da Base Aérea Militar Rio Gallegos, cerca de 2.000 km de Buenos Aires, as duas aeronaves intercalaram turnos de patrulhamento com o único Neptune que ainda voava.

Inglaterra reclama

Os ingleses reclamaram do “aluguel” dos aviões e chamaram o embaixador do Brasil em Londres, Roberto Campos, para prestar explicações. Diplomático, Campos reafirmou a posição de neutralidade do Brasil durante o conflito e ofereceu emprestar dois P-95 e 11 de Xavantes aos britânicos, caso também fossem requisitados.

Publicações inglesas sempre comentam sobre o assunto com tom de desconfiança. Um dos pontos mais polêmicos é de que os Bandeirulhas usados nas Malvinas foram operados por tripulantes da Força Aérea Brasileira, já habituados ao avião e seus equipamentos de vigilância. Os britânicos questionam que não haveria tempo suficiente para treinar novas tripulações argentinas para o avião da Embraer com o conflito em plena atividade.

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Um estudo do historiador Moniz Bandeira sobre a Guerra das Malvinas, afirma que seria necessário pelo menos dois anos para treinar plenamente uma tripulação para o Bandeirulha, ou então, com treinamento intenso, em alguns meses. Documentos da FAB consultados pelo pesquisador confirmam apenas que pilotos brasileiros participaram de ações de “treinamento intensivo”.

Durante os conflitos, os P-95 voaram mais de 200 horas com as cores da Argentina e não registraram nenhum problema. Em 1983 foram devolvidos à FAB, pois o comando argentino não ficou satisfeito com as capacidades do radar de busca marítima que equipava a aeronave na época.

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