O austronauta manda um tchau

O austronauta manda um tchau para os turistas

Quem viaja ao Peru tem sempre o objetivo de visitar o Machu Picchu, a misteriosa cidade perdida dos Incas. Mas as ruínas encravadas na floresta peruana são apenas uma das tantas atrações históricas que o país possui, como as famosas e também enegmáticas Linhas de Nazca.

Antes da civilização Inca, a região sul do Peru, no deserto de Paracas, foi habitado pelo povo Nazca. Tão engenhosos quanto os incas, os nazcas também eram exímios construtores. Os aquedutos que cercam a cidade de Nazca, por exemplo, foram construídos antes do ano 1.000 e até hoje são utilizados no abastecimento de água da cidade, que recebe pouca chuva.

Mas o legado mais especial desse povo é sem dúvida a coleção de geoglifos espalhados pelo deserto, que ficaram famosos como as Linhas de Nazca. Boa parte da figuras realmente são “linhas”, mas quem está ali quer ver as figuras dos animais e o famoso “astronauta”.

Fazer o voo sobre as Linhas de Nazca é muito fácil e os preços são razoáveis. Anúncios de companhias aéreas que fazem o passeio estão espalhados por todo o Peru. Em qualquer hotel, restaurante ou bar é possível encontrar folhetos sobre os voos e os mesmos podem ser reservados pela internet ou telefone. Durante meu passeio, em fevereiro deste ano, voei com a Aeroparacas.

Decolando no aeroporto de Nazca

A Aeroparacas é a companhia mais famosa que realiza os voo sobre os geoglifos e sua frota parece ser bem tratada. A empresa opera com oito aviões, todos monomotores Cessna (modelos 172,185, 205, 206 e 207/A). As aeronaves voam com piloto e co-piloto, que na maioria dos casos é uma mulher, que também é a guia do passeio aéreo.

A companhia Aeroparacas opera com aeronaves Cesna

A companhia Aeroparacas opera com aeronaves Cesna

A exigência de co-piloto veio após uma série de acidentes, alguns com mortes de turistas. Os aviões não operavam em condições adequadas, por isso houve uma série de ocorrências. Uma aeronave certa vez fez um pouso de emergência em plena rodovia Panamericana, a via que dá acesso a cidade de Nazca. Mas as autoridades peruanas apertaram o nível de qualificação, o que fez diversas companhias fecharem. Hoje em dia os voos são considerados seguros e desde 2010 não houve nenhum imprevisto.

Voe antes do desayuno!

Todos os guias peruanos recomendam aos turistas fazerem o passeio sobre a Linhas de Nazca antes do desayuno (café da manhã). A chance de passar mal, mesmo para os mais fortes, é grande. Por isso, o movimento no aeroporto de Nazca é frenético já às 6 horas na manhã.

O aeroporto de Nazca possui os guichês das companhias, onde todos os passageiros são pesados e assim a empresa determina como será a distribuição de peso nos aviões. Devido ao seu peso, você não escolhe onde vai sentar, mas sim onde a empresa considera onde suas “gordurinhas” darão o melhor equilíbrio ao avião.

O Cessna é apertado, com banco estreito, teto baixo e pouco espaço para as pernas, especialmente para quem é alto. Todos os passageiros vão equipados com fone de ouvido onde vão escutando as instruções da co-pilota sobre onde olhar para avistar as figuras. Para que todos a bordo tenham uma visão completa dos geoglifos, o piloto faz manobras em forma de “8” em volta dos desenhos. É nessa hora que muitos passam mal.

O espaço é bem apertado no Cesna

O espaço é bem apertado no Cesna. Eu fui na última cadeira, com a cabeça colada no vidro

Os aviões que fazem o passeio voam a uma altitude que varia de 700 a 900 metros, de onde é possível ver claramente os desenhos. Alguns já estão desgastados pelo tempo, como as figuras do macaco e a aranha, mas os desenhos do colibri e o astronauta são nítidos. O voo da Aeroparacas que sobrevoa 14 figuras custa US$ 70, o mesmo preço do ingresso do Machu Picchu.

Após os voos, é comum ver pessoas saindo dos aviões carregando saquinhos e indo direto para a enfermaria…