O T-100, proposta ítalo-americana: Raytheon resolveu desistir

Uma das mais importantes demandas da Força Aérea dos Estados Unidos, o programa T-X, que prevê a substituição do velho jato de treinamento T-38 por um novo avião supersônico, acaba de sofrer um revés com a desistência da Raytheon.

A gigante aeroespacial fundada no estado de Massachusetts pretendia disputar o contrato de mais US$ 16 bilhões (cerca de R$ 50 bi) em parceria com a empresa italiana Leonardo. A proposta das duas envolvia o jato Alenia Aermacchi M-346 numa nova versão batizada de T-100. A Raytheon chegou a anunciar no ano passado que fabricaria o jato nos Estados Unidos caso saísse vencedora.

Com o anúncio inesperado, a Leonardo terá que decidir se segue sozinha na disputa ou se busca um novo parceiro, embora o tempo seja curto para isso – em dezembro, a USAF emitiu o requerimento final para o futuro jato de treinamento avançado. Serão encomendados 350 unidades que tomarão o lugar dos cerca de 400 aviões T-38 remanescentes.

As concorrentes que mais investiram na disputa são a Boeing, que propõe um projeto inédito, desenvolvido em conjunto com a sueca Saab e que voou pela primeira no final de 2016 e a Northrop Grumman, que participa com o modelo 400, uma parceria com a empresa Scaled Composites. O modelo foi flagrado em testes de taxiamento no ano passado, mas ainda não revelado (veja abaixo). A quarta concorrente é a Lockheed Martin, com o T50A, uma evolução de uma aeronave de treinamento criada pela fabricante KAI, da Coreia do Sul.

Primo do caça F-5

O T-38 é um dos mais antigos aviões da Força Aérea americana. Ele entrou em serviço em 1961 com a missão de substituir os velhos T-33 na missão de treinamento avançados dos pilotos. O desenho do jato era único: utilizava dois pequenos turbojatos J-85 instalados na fuselagem e asas e estabilizadores pequenos. Capaz de voar a cerca de Mach 1.3, o T-38 mostrou-se um ágil e versátil avião, o que encorajou a Northrop, sua fabricante, a desenvolver uma versão de combate, o F-5 Tiger II, utilizado até hoje por inúmeras forças aéreas, incluindo a FAB.

Nos Estados Unidos, o T-38 desempenhou diversas funções, além da função original. Ajudou a treinar astronautas na NASA, conduziu drones em ensaios de lançamento de mísseis, serviu como avião de observação em voos de testes de protótipos e também na Marinha americana como avião ‘agressor’, ou seja, representando caças inimigos no treinamento de combate.

Cerca de 1.150 unidades foram fabricadas até 1972 das quais quase metade permanece operacional, o que será uma realidade até 2024, quando o sucessor escolhido neste ano entrar em serviço.