A COMAC planeja entregar o primeiro C919 operacional em 2019 (Xinhua)

A COMAC planeja entregar o primeiro C919 em 2019 (Xinhua)

O jato chinês COMAC C919, que voou pela primeira vez no início de maio, já começou a fazer barulho do outro lado do mundo. A companhia aérea Ryanair, a maior da Europa em transporte de passageiros e conhecida por suas práticas “low-cost” mais agressivas, admitiu ao jornal britânico The Telegraph que tem interesse em adquirir o avião desenvolvido na China.

A publicação questionou a empresa, baseada na Irlanda, se estaria interessada em fazer um pedido pelo C919 e o porta-voz do grupo respondeu: “Sim, se for produzida uma versão de 199 assentos e com preço competitivo.”

Mas o interesse da Ryanair pelo jato chinês não é de hoje. Em 2011, a companhia assinou um memorando de entedimento com a fabricante chinesa para participar da discussão sobre o desenvolvimento do C919, que surge como uma alternativa aos tradicionais Airbus A320 e Boeing 737, atualmente os dois aviões comerciais mais vendidos do mundo.

A empresa irlandesa é a única companhia aérea do Ocidente que iniciou conversas com a COMAC (Commercial Aircraft Corporation of China), fabricante de aeronaves comerciais controlada pelo governo chinês. No Oriente, por outro lado, o C919 já pode ser considerado um sucesso, onde acumula mais de 570 pedidos de 21 empresas.

O C919 é o jato narrowbody mais barato da categoria: custa US$ 68 milhões (COMAC)

O C919 é o jato narrowbody mais barato da categoria: custa US$ 68 milhões (COMAC)

O operador de lançamento do C919 será a China Eastern Airlines, considerada a companhia aérea mais importante da China. O início dos voos comerciais do jato é esperado para 2019.

Caso a Ryanair confirme a aquisição do C919, a Europa poderá ser “invadida” por aviões chineses. A companhia irlandesa tem o costume de encomendar grande volumes de aeronaves, como é o caso de seu pedido mais recente, por 100 jatos Boeing 737 MAX 200, de nova geração. A empresa possui atualmente uma frota com mais de 360 modelos Boeing 737.

A Ryanair é o segundo maior operador do Boeing 737, com mais de 360 jatos (Ryanair)

A Ryanair é o segundo maior operador do Boeing 737, com mais de 360 aeronaves (Ryanair)

“Airbus chinês”

Segundo dados da COMAC, a versão básica do C919 poderá acomodar 158 passageiros divididos em duas classes ou 168 ocupantes em classe única. A COMAC ainda sugere uma configuração de “alta densidade”, com 174 assentos. Já o alcance do modelo padrão é 4.075 km ou 5.500 km na versão de alcance estendido “C919 All ECO”.

O novo jato chinês tem 38,9 metros de comprimento, 35,8 m de envergadura e pode decolar com peso máximo de decolagem na ordem dos 77.000 kg, números praticamente iguais aos do A320. O Boeing 737, por sua vez, supera o C919 em porte e capacidade apenas na versão 800, que mede 39,5 metros de comprimento e pode decolar com até 85.000 kg.

O preço sugerido do C919 pela fabricante chinesa também é convidativo, especialmente quando comparado aos dos concorrentes ocidentais: o jato chinês é avaliado em US$ 68 milhões, enquanto o Boeing 737-800 tem preço inicial de US$ 72 milhões e o Airbus A320 a partir de US$ 97 milhões.

O C919 concorre no segmento dos jatos comerciais “narrowbody” (corredor estreito), hoje o mais movimentado do mundo. Previsões da indústria dão conta de que este nicho vai exigir 5.600 novas aeronaves até 2035, sendo quase um terço deste volume somente na China.

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